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Jan Huygen van Linschoten

Explorador neerlandês.

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Jan Huygen van Linschoten (Haarlem, 1563 – Enkhuizen, 8 de Fevereiro de 1611), por vezes grafado Jan Huijgen van Linschoten, foi um explorador e espião neerlandês que viajou extensamente pelas zonas de influência portuguesa na Ásia. Convivendo intimamente com mercadores e navegadores portugueses, Linschoten terá copiado mapas e obtido outras informações sobre a navegação e práticas mercantis daquela nação na Ásia, que permitiram a entrada dos seus compatriotas nas então denominadas Índias Orientais e, na senda destes, dos ingleses. O interesse despertado nos Países Baixos e na Inglaterra pelas informações de viajantes como Linschoten e Cornelis de Houtman, esteve na origem do movimento de expansão comercial para a Índia e sueste asiático que levou à fundação da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais e da Companhia Britânica das Índias Orientais.

Jan Huygen é filho de um notário da cidade de Haarlem, mas, quando tinha 9 anos, a família muda-se para o porto de Enkhuizen na altura do cerco de Haarlem pelas tropas de Filipe II de Espanha. A adopção do apelido van Linschoten parece indicar que a sua família é originária da aldeia do mesmo nome, Linschoten, nos arredores de Utreque.

Parte para Espanha em Dezembro de 1576, com 16 anos de idade, para se juntar aos seus meio-irmãos Floris e Willelm Tin, que eram mercadores em Sevilha. Ali faz a sua aprendizagem nas artes do comércio internacional, acabando por se associar a mercadores portugueses e trabalhando entre Lisboa e Sevilha, actividade que manteve durante pelo menos seis anos. Para além de gosto por viagens, Jan Huygen era dotado para a aprendizagem das línguas.

Dificuldades no comércio, o desejo de aventura ou eventualmente uma missão de espionagem comercial a soldo de mercadores neerlandeses e flamengos, fizeram com que, apesar de originariamente protestante, aceitasse acompanhar, na qualidade de guarda-livros, o dominicano frei Vicente da Fonseca, nomeado arcebispo de Goa. Desse modo, integrado na comitiva do prelado, partiu para o Estado da Índia a 8 de Abril de 1583, chegando a Goa cinco meses depois, tendo feito as escalas usuais na ilha da Madeira, na Guiné, no cabo da Boa Esperança, em Madagáscar e na ilha de Moçambique.

Durante a sua estadia em Goa e nas suas viagens, Jan Huyghens teve acesso a mapas e a outras informações privilegiadas sobre o comércio e navegação dos portugueses no sueste asiático, utilizando a sua capacidade cartográfica e de desenho para copiar e desenhar novos mapas, produzindo um muito considerável acervo de informação náutica e mercantil. Algumas das cartas náuticas que copiou tinham sido mantidas cuidadosamente secretas por mais de um século.

A morte do arcebispo em 1587, durante uma viagem a Lisboa, fez com que Jan Huygen deixasse a Índia e regressasse à Europa. Partiu de Goa em Janeiro de 1589, como encarregado da pimenta a bordo do Santa Cruz escalando a ilha de Santa Helena em Maio daquele ano.

A viagem de regresso foi interrompida nos Açores, na altura da ilha do Corvo, quando o comboio de seis embarcações em que viajava (cinco da Índia e uma de Malaca), começou a ser perseguido por galeões corsários ingleses, forçando a que as embarcações portuguesas se dirigissem a Angra, na Terceira, em busca de refúgio. A 4 de agosto, entretanto, uma violenta tempestade abateu-se sobre a cidade e os navios ancorados na baía, vindo o galeão de Malaca a naufragar. Sobre este infausto, o próprio Linschoten referiu, posteriormente, no seu Itinerario:

"Neste naufrágio da nau de Malaca perderam-se muitas valiosas mercadorias, pois era a mais rica de todas as naus, e trazia da China, das Molucas e de outras ilhas muitas preciosidades, tais como sedas, damascos, objetos de ouro e de prata, porcelanas e outras coisas de valor, cujos fardos andava à tona de água e vinham dar à costa, recolhendo-se ainda alguns, bem como alguma quantidade de pimenta, cravo e noz moscada (…). Estes despojos foram levados para a Alfândega, que é o lugar dos impostos, a fim de que não deixassem de pagar a sua taxa, não havendo consideração pela condição miserável daqueles que, depois de fadigas incríveis e da miséria extrema da viagem de três anos, tinham sofrido uma tão grande perda com o naufrágio desta nau." (Itinerário)

Por força deste acidente, Linschoten permaneceu por dois anos na cidade de Angra para contabilizar as riquezas recuperadas no galeão naufragado. Nesse período percorreu a ilha, tanto por terra quanto por mar, tendo registado as suas impressões em livro anos mais tarde, acompanhadas por dois mapas detalhados: um de Goa e outro de Angra. Este último é considerado uma das mais antigas representações da cidade.

De regresso aos Países Baixos em 1592, com a ajuda de Cornelis Claesz, um editor de Amesterdão especializado em literatura náutica e de viagens, Linschoten publicou um primeiro relato da sua viagem, a que deu o título de "Reys-gheschrift vande navigatien der Portugaloysers in Orienten" ("Relato de uma viagem pelas navegações dos portugueses no Oriente"), que saiu do prelo em 1595 a tempo para a primeira viagem Holandesa de Cornelis de Houtman. A obra contém cartas e indicações sobre como navegar entre Portugal e as Índias Orientais, e ainda entre a Índia, a China e o Japão.

Em 1594 tomou parte na expedição de Willem Barents aos mares do norte à procura de uma passagem para o Oriente através do Árctico (Passagem do Noroeste), navegando a bordo do navio de Cornelis Nay pelos mares da Noruega e da Carélia (atual Mar de Barents em homenagem ao comandante da expedição).

No ano seguinte (1595), voltou a participar na segunda expedição de Barents ao Oceano Árctico.

Publicações, difusão e influência

Jan Huyghen publicou três outras obras:

"Beschryvinghe van de gantsche custe van Guinea, Manicongo, Angola ende tegen over de Cabo de S. Augustijn in Brasilien, de eyghenschappen des gheheelen Oceanische Zees" ("Descrição de toda a costa da Guiné, Manicongo e Angola e da travessia para o Cabo de Santo Agostinho no Brasil, com as características de todo o Oceano Atlântico") em 1597;

"Itinerario: Voyage ofte schipvaert van Jan Huyghen van Linschoten naer Oost ofte Portugaels Indien, 1579-1592" ("Descrição da viagem do navegante Jan Huyghen van Linschoten às Índias Orientais portuguesas") em 1596; e

"Voyagie, ofte schip-vaert, van Ian Huyghen van Linschoten, van by Noorden om langes Noorvvegen de Noortcape, Laplant, Vinlant, Ruslandt, de VVite Zee, de custen van candenoes, Svvetenoes, Pitzora…" ("Viagem do navegante Ian Huyghen van Linschoten pelo Norte ao longo da Noruega até ao Cabo do Norte, Lapónia, Carélia, Rússia, Mar Branco, …") em 1601.

Para além de mapas dos diversos locais por onde viajou, Linschoten também deixou conselhos, entre eles a forma de ultrapassar o controlo que os portugueses mantinham no estreito de Malaca, sugerindo como alternativa a passagem pelo sul de Sumatra através do estreito de Sunda, percurso que de facto veio a ser a principal via de penetração neerlandesa no sueste asiático e que esteve na origem da sua colonização dos territórios que hoje constituem a Indonésia.

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