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Jandira Martini

Atriz brasileira

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Jandira Lúcia Lalia Martini (Santos, 10 de julho de 1945 – São Paulo, 29 de janeiro de 2024) foi uma atriz, autora, encenadora e produtora teatral brasileira. Iniciou a carreira nos palcos teatrais, tendo atuado e escritos diversas peças, mas ficou mais conhecida por seus trabalhos na televisão. Ela é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Molière, três Prêmios APCA, um Mambembe, um Prêmio Qualidade Brasil e um Prêmio Shell.

Martini fez sua estreia profissional na peça A Crônica, em 1965. Desde então, tornou-se recorrente nos palcos paulistas, com destaque em peças como A Falecida (1966), Medéia (1970), Ricardo III (1975), Bodas de Papel (1978), Morre o Rei (1982), e outras. Além do mais, é célebre por ter escrito e dirigido diversas peças de sucesso, muitas ao lado do amigo Marcos Caruso, como as premiadas Sua Excelência, o Candidato (1986), Jogo de Cintura (1988), A Vida É Uma Ópera (1992) e Porca Miséria (1993).

Na década de 1980, transferiu-se para a televisão, onde ganhou destaque como a megera Teodora Abdala na telenovela Sassaricando (1987). Posteriormente vieram outros trabalhos, como Genu em Éramos Seis (1994); Zoraide El Adib em O Clone (2001–02); Puja em Caminho das Índias (2009); Madame Gilda em Escrito nas Estrelas (2010); e Salomé em Morde & Assopra (2011). Por seu trabalho em O Clone, Jandira foi amplamente elogiada pela crítica e público, ganhando um Prêmio Qualidade Brasil.

Primeiros anos de vida e formação

Jandira nasceu em Santos, em São Paulo, em 10 de julho de 1945. Ela é filha do ourives Alfredo Lalia e da dona de casa Jandira Gião. Aos 22 anos, em 1967, graduou-se em Letras pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), ano em que começou a se envolver com projetos no teatro. Mais tarde, concluiu o curso de interpretação pela renomada Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD-USP).

1965–80: Início da carreira no teatro

Após concluir seus estudos, Jandira iniciou sua carreira artística participando da peça de teatro A Crônica, de Carlos Alberto Soffredini, com apresentação em Santos. No mesmo ano, repete parceria nos palcos com Soffredini no espetáculo O Cristo Nu, que possui grande parte do elenco de seu primeiro trabalho. No ano seguinte, participa de uma montagem de A Falecida, texto de Nelson Rodrigues com direção de Celso Nunes, que viria a se tornar um de seus grandes parceiros do teatro. Nesses três primeiros projetos, trabalhou em cena com os atores Ney Latorraca, Eliana Rocha e Rubens Ewald Filho. Em 1967, faz estreia em seu primeiro grande projeto, a peça Pedro Pedreiro, de Renata Pallottini e direção de Silnei Siqueira. O espetáculo, que contava com trilha sonora de Chico Buarque, foi apresentado na capital paulista.

Foi ainda em 1967 que ela estreou no papel de protagonista com a peça Joana d'Arc Entre as Chamas, sob a direção de Paul Claudel, com a atuação de Umberto Magnani ao seu lado. Concomitantemente, estreia na televisão com pequenas participações em telenovelas, como Ilusões Perdidas (1966) Beto Rockfeller (1968) e Uma Rosa Com Amor (1970). Em 1968, atua em uma montagem de O Rato no Muro, de Hilda Hilst, sob direção de Tereza Aguiar. No mesmo ano estrela o monólogo O Relicário, autoria de Coelho Neto e direção de Maria José de Carvalho. Finalizando a década de 1960, atua no espetáculo Exercícios Americanos (1969), sendo dirigida por Ademar Guerra com Ney Latorraca, Carlos Alberto Riccelli, Esther Góes e grande elenco.

Em 1970, atua no premiado espetáculo A Longa Noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna. A peça foi um marco em sua carreira e muito elogiada pela crítica. Contava com um elenco renomado, como Beatriz Segall, Fernando Torres, Juca de Oliveira, Regina Braga e Sylvio Zilber. No mesmo ano, é dirigida por Celso Nunes na peça O Interrogatório, que reaproveitou boa parte do elenco de A Longa Noite de Cristal. Por fim, volta a ser dirigida por Silnei Siqueira na tragédia grega Medéia, de Eurípides. Estrela com Regina Braga a peça Cândido, baseada no conto filosófico Cândido, ou O Otimismo, em 1971, de Voltaire. Em 1973, interpreta "Carmem" na peça Mais Quero Asno que me Carregue que Cavalo que me Derrube, de Carlos Alberto Soffredini. Ao lado de Raul Cortez, destacou-se no espetáculo Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá (1974), sob direção de Léo Jusi. No mesmo ano, ainda estrela O Que Você Vai Ser Quando Crescer?. Em 1975, integra o elenco da grande produção Ricardo III, adaptação de Antunes Filho da peça de teatro de William Shakespeare. Na obra, que é baseada na história verdadeira do rei Ricardo III da Inglaterra, retratando a ascensão maquiavélica de Ricardo III e sua iminente queda, ela interpreta três personagens: Margarida de Anjou; Dona York e Alegoria.

Em 1976, estrela Vamos Brincar de Papai e Mamãe Enquanto Seu Freud Não Vem, de Carlos Castilho e Carlos Queiroz Telles, com direção de Mário Masetti, e também atua em Ai de Ti, Mata Hari. Em 1977, é convidada por Fauzi Arap, um dos grandes nomes do teatro brasileiro, para o elenco de sua peça Um Ponto de Luz. No ano seguinte, participa da aclamada peça Bodas de Papel, escrita por Maria Adelaide Amaral, que venceu os prêmios Molière, Governador do Estado, Ziembinski e APCA de melhor peça, e dirigida por Cecil Thiré. Martini não pôde continuar na peça até o fim de seu tempo em cartaz e foi substitúida por Irene Ravache no elenco. Recém saída de Bodas de Papel, logo foi escalada para uma montagem de Os Saltimbancos, ao lado de Bruna Lombardi e Miguel Ramos. Em 1978 aparece na televisão em uma participação especial na telenovela Dancin' Days, da TV Globo. Foi dirigida por Irene Ravache no espetáculo As Avestruzes, em 1979, uma montagem do texto original de Micheline Bourday.

1981–89: Consolidação no teatro e retorno à televisão

Em 1981, estreia na direção profissional no teatro com o espetáculo Em Defesa do Companheiro Gigi Damiani. Em parceria com Eliana Rocha, que também dirige a peça, escreveram o roteiro da obra. Ambas também atuaram no elenco, ao lado de nomes como Noemi Gerbelli, Walter Breda, e outros. A obra retratava a vida do anarquista italiano Gigi Damiani, que imigrou para São Paulo juntando-se a grupos revolucionários. Em 82, aparece como "Rei Bérenger I" e "Rainha Margarida" no espetáculo Morre o Rei, de Eugène Ionesco e direção de Tereza Aguiar. No ano seguinte, retorna à televisão na telenovela infantil Braço de Ferro, da Band. Em seu primeiro trabalho fixo na TV, Martini interpretou "Celina". No ano de 1984, integra o elenco de Com a Pulga Atrás da Orelha, peça do francês Georges Feydeau. Em 1985, encena seu quarto trabalho ao lado do diretor Celso Nunes em Pra Lá de Marrakesh.

No ano 1986, inicia uma longa parceria no teatro com o ator Marcos Caruso, que tornou-se um de seus melhores amigos. Juntos, a dupla escreveu e montou a peça Sua Excelência, o Candidato. O espetáculo, que mostra os bastidores da "politicagem" brasileira, levou os dois para o sucesso da crítica e lhes rendendo o festejado Prêmio Molière de melhor autoria. A peça foi montada diversas vezes por grandes nomes, incluindo Bibi Ferreira, e tornou-se um dos clássicos do teatro brasileiro. No mesmo ano, retorna ao posto de diretora em Ao Sol do Novo Mundo. Por fim, regressa ao horário nobre da TV Globo na telenovela Roda de Fogo, em uma participação especial no papel de "Filomena Liberato". No entanto, foi em 1987 que ela conseguiu seu maior papel na televisão até então, em Sassaricando, novela do horário das sete da TV Globo. Na trama, sua personagem é a megera "Teodora Abdalla", uma mulher rica que morre nos primeiros capítulos mas retorna em forma de espírito para atormentar seu marido "Aparício" (Paulo Autran).

Também teve uma carreira de destaque no teatro por ser uma das fundadoras do grupo Royal Bexiga's Company. Em 1988, retorna aos palcos com Marcos Caruso no espetáculo Jogo de Cintura. A dupla, além de protagonizar a peça, também são os autores. A peça marca o segundo sucesso da dupla nos palcos. Junto com a obra anterior (Sua Excelência, o Candidato), venderam mais de 650 mil ingressos ao longo das apresentações, números respeitáveis para o cenário do teatro. Em 1989, mais uma vez retorna à direção com A Revolução Está Chegando e Eu Não Tenho o Que Vestir, texto de Humberto Simonetta e Lívia Cerrini, protagonizada por Ileana Kwasinski, amiga de longa data de Martini.

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