Januária do Brasil (Rio de Janeiro, 11 de março de 1822 – Nice, 13 de março de 1901), cognominada "a Princesa da Independência", foi a segunda filha do imperador Pedro I e da imperatriz consorte Maria Leopoldina, e, portanto, membro da família imperial brasileira. Era irmã do imperador Pedro II do Brasil e da rainha Maria II de Portugal. De 1835 a 1845, deteve o título de Princesa Imperial do Brasil, como herdeira presuntiva de seu irmão, o imperador Pedro II, que era então menor de idade, e considerou-se a possibilidade de declará-la regente, embora isso nunca tenha se concretizado.
D. Januária, nasceu infanta de Portugal, em 11 de março de 1822 no Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, Reino do Brasil. Quando nasceu, sua família estava de luto pela morte de seu irmão, João Carlos, Príncipe da Beira, meses antes. Era a segunda filha varoa do então herdeiro do trono português, Pedro de Alcântara, e de sua esposa, a arquiduquesa Leopoldina da Áustria. Por ter nascido no processo da independência do Brasil, foi chamada de "a Princesa da Independência". Seus avós paternos eram o rei João VI de Portugal, e sua esposa, a rainha Carlota Joaquina da Espanha, e os avós maternos eram o imperador Francisco I da Áustria, último monarca do Sacro Império Romano-Germânico, e sua esposa, a imperatriz Maria Teresa de Nápoles e Sícilia. A princesa cresce ao lado dos irmãos, Maria da Glória, Pedro de Alcântara, Paula Mariana, Francisca e sua meia irmã Isabel Maria, Duquesa de Goiás, filha do seu pai com a amante, Domitila de Castro, Marquesa de Santos.
Aos quatro anos de idade, ficou órfã de sua mãe, a imperatriz Leopoldina, depois de abortar um menino, e anos depois vê seu pai casar com a sua nova “mãe” a princesa Amélia de Leuchtenberg.
Aos nove anos de idade, seu pai abdicou como Imperador do Brasil e regressou a Portugal para restaurar a coroa de sua filha mais velha, Maria II, que havia sido usurpada pelo seu irmão mais novo, Miguel I. Januária não acompanha o pai, e fica no Brasil pois ela herdaria o trono caso seu irmão morresse. A princesa continuou a se comunicar com o seu pai por meio de cartas.
Ela começou a viver com seus irmãos mais novos e vários tutores e sua infância foi marcada por uma educação rigorosa. Por ser ela, a mais velha dos príncipes que aqui ficaram, também era dela a responsabilidade de dar notícias ao pai e a sua nova mãe. Assim em 1833, a princesa Paula Mariana morreu antes dos 10 anos, Januária através de uma carta relatou o ocorrido ao pai:
"Amado, papai. Apesar de nossas constantes súplicas ao céu, nossa querida irmã Paula Mariana foi embora. Não encontramos consolo. Nossa amada irmã não está mais conosco. Além disso, o pequeno Pedro adoeceu gravemente. Chegamos a pensar que ele estava com a mesma febre de Paula Mariana, mas graças a Deus ele melhorou e já está sentado em sua sala de estudos. Para agradecer, nós, irmã Chica e eu, sua filha Januária, não comeremos açúcar até o aniversário de Pedro, dia 2 de dezembro. Querido papai, estamos desesperados e com grande consternação. Temos muita saudade de vós e também da nossa irmã Maria da Glória e de todos aqueles que estão contigo em Lisboa. Com a promessa de ser sempre filhos obedientes e amorosos, Januária, Francisca e Pedro."
Também foi à Januária que a Imperatriz Amélia dirigiu a notícia por carta da morte de D. Pedro I.
Com a abdicação de Pedro I do Brasil em 1831 e imediata mudança para a Europa para reconquistar a coroa portuguesa para a sua filha primogênita Maria da Glória, a sucessão do trono brasileiro precisava ser modificada. Foi expedida pela Assembleia dos Deputados uma lei nomeando Januária como Princesa Imperial do Brasil. O regente, padre Diogo Antônio Feijó, disse apenas que aceitava o documento em nome da Princesa Imperial.
No dia 4 de agosto de 1836, Januária (então com 14 anos de idade) entrou no salão do Paço do Senado, trazendo um rico vestido de ouro sobre o qual se divisava a insígnia da Grã Cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro e, na presença dos deputados, com a mão sobre o missal, declarou solenemente com voz comovida:
Juro manter a religião Católica, Apostólica, Romana; observar a Constituição Política da Nação Brasileira e ser obediente às leis e ao Imperador.
Desta forma, Januária tornou-se Princesa Imperial do Brasil (herdeira do trono), até o nascimento de um filho de seu irmão Pedro II.
Em 1836, o governo regencial entrou em crise e, nessa época Januária entrou em cena, pois era a filha mais velha do imperador Pedro I. Alguns deputados liberais moderados passaram a defender que a regência fosse entregue à princesa D. Januária, irmã de D. Pedro II e Princesa Imperial do Brasil, então com quatorze anos, para que ela pudesse assumir a regência.
Devido à falta de apoio condicional, esta ideia não fez progressos. Permitir que comandantes e menores participassem é contra-intuitivo. Em 1837, Feijó renunciou e nomeou um adversário político, o senador Pedro de Araújo Lima, de Pernambuco. Embora o levante ainda estivesse ocorrendo, o comando do país começou a se normalizar. Logo depois, o parlamento lançou o Golpe da Maioridade e levou o jovem Pedro II ao poder.
Desde a época do início das conversas sobre o casamento de D. Pedro II, já se começava a cuidar do da irmã, D. Januária. Na falta de D. Pedro II, ela era a primeira na linha de sucessão, na falta de herdeiros do irmão, ela e seus filhos herdariam a coroa. Com isso, enquanto não se resolvesse o casamento de D. Pedro II, e esse começasse a fornecer herdeiros, Januária era, literalmente, um bem do Estado. Qualquer príncipe estrangeiro que se casasse com ela tinha que concordar em permanecer no Brasil, ao menos até que D. Pedro II tivesse o primeiro filho e esse fosse reconhecido herdeiro pela Assembleia. Os planos de se arrumar um arquiduque austríaco foram iniciados, pois a memória de D. Leopoldina estava viva demais e a preferência do povo por um arquiduque seria mais aceitável. Porém, os austríacos novamente não se interessaram.
A Rússia e a França tentaram sugerir príncipes das casas dinásticas para Januária, mas sem sucesso. Ao fim, cinco nações lançaram os olhos para os príncipes brasileiros entre 1835 e 1841: Portugal, França, Rússia, Espanha, Áustria e Sardenha.
Foram cogitados os nome do príncipe Fernando Filipe, Duque de Orleães, filho do rei Luís Filipe I e herdeiro ao trono da França, e do príncipe Augusto de Saxe-Coburgo-Koháry, mas nenhum dos dois tiveram sucesso.
Em janeiro de 1838, chegou ao Rio de Janeiro o Príncipe de Joinville, nascido em 1818, era o terceiro filho do rei dos franceses Luís Filipe I e da rainha Maria Amélia. E o rei de Sardenha enviou o príncipe Eugênio de Saboia nascido em 1816. O rei Carlos Alberto pediu, por via diplomática, a mão da princesa Januária para Eugênio. Dona Januária não o teria recusado, e também Dom Pedro II o achou muito simpático e inteligente, mas as pretensões foram tantas, por parte do rei, que as negociações fracassaram. O Príncipe de Joinville pediu oficialmente a mão de D. Francisca a D. Pedro II. Os preparativos para o casamento foram aos poucos sendo acelerados, D. Pedro II permitiu que o protocolo fosse quebrado e assim a irmã mais nova, e não a mais velha, pôde se casar primeiro.
Enquanto isso, através de um contato com o secretário do rei das Duas Sicilias, um pequeno reino Italiano, o diplomata Brasileiro em Portugal conseguiu saber que o rei tinha uma irmã mais nova em idade de casar. Depois do pedido oficial da mão da princesa, casavam-se por procuração em Nápoles, Dom Pedro II com a princesa Teresa Cristina das Duas Sicílias.