Mário Jardel Almeida Ribeiro, conhecido como Mário Jardel (em Portugal) ou simplesmente Jardel (no Brasil) (Fortaleza, 18 de setembro de 1973), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como centroavante.
Famoso pelos seus gols lendários de cabeça, é ídolo no Grêmio, onde foi campeão e artilheiro da Copa Libertadores da América de 1995. Teve ainda uma passagem marcante pelo futebol português, onde jogou pelo FC Porto e Sporting, fixando-se como um dos maiores artilheiros mundiais na sua geração e recebendo o prêmio Chuteira de Ouro da UEFA como maior artilheiro do futebol europeu em 1999 e 2002.
Jogador formado nas escolinhas do Ferroviário, Jardel destacou-se nos juvenis do clube e, antes de ser profissional, despertou o interesse do Vasco da Gama, que adquiriu o seu passe por 27.500 dólares, em 1993. No clube carioca, conquistou o bicampeonato brasileiro de juniores.
Na mesma época, participou do Mundial Sub-21, na Austrália, pela Seleção Brasileira, sagrando-se campeão. De volta ao Brasil, assinou o seu primeiro contrato profissional com o Vasco, embora seguisse atuando junto a forte equipe de juniores formada em São Januário.
Em 1993, foi o artilheiro da Taça Belo Horizonte de Juniores, com onze gols, e da Copa São Paulo de Juniores, com nove gols.
Revezando entre o time de juniores e o profissional, os seus primeiros títulos como profissional, ainda atuando como reserva, foram os Campeonato Carioca de 1992 e Campeonato Carioca de Futebol de 1993. Na reta final do Campeonato Carioca de 1994, Jardel ganhou finalmente a titularidade. Carente de atacantes após a morte prematura de Dener, o técnico Jair Pereira apostou no então jovem atacante, que acabou o torneio com 17 gols, foi autor de dois deles na final diante do Fluminense e garantiu o inédito Tricampeonato estadual do clube e a artilharia da competição.
O Vasco pretendia emprestar Jardel para o XV de Piracicaba. Felipão soube da negociação e solicitou o atleta para o Grêmio. Eurico Miranda teria desdenhado de Jardel: "Leva esta m... Ontem, quando anunciaram o nome dele no banco de reservas já foi vaiado". Acabou emprestado ao clube gaúcho, onde integrou a extensa lista de reforços da equipe tricolor que disputaria a Libertadores da América em 1995.
No Sul do Brasil, Jardel caiu nas graças da torcida e do técnico, Felipão, que montou um esquema tático especial para o atacante. Formando uma dupla de ataque afiada com o veloz Paulo Nunes e contando com os cruzamentos precisos de Francisco Arce e Roger, Jardel fez correr o mundo a sua fama de bom cabeceador, na campanha que deu ao Grêmio o seu segundo continental. Terminou a competição como artilheiro, com doze gols.
No final daquele ano, ainda seria vice-campeão intercontinental pelo Grêmio, sendo derrotado nos pênaltis pelo Ajax de Edgar Davids, Clarence Seedorf e Edwin van der Sar.
No ano seguinte, Jardel sagrou-se campeão da Recopa Sul-Americana ao vencer o Independiente por 4–1, marcando o terceiro gol da sua equipe.
Para ficar em definitivo com o jogador, o Grêmio teria de pagar 1.275 milhão de dólares ao Vasco até 18 de agosto de 1995, valor considerado alto para a época. A diretoria do clube conseguiu arrecadar somente 10% deste valor através da campanha "Fica Jardel".
Após conseguir comprar o jogador com empréstimo de investidores como Jorge Gerdau Johannpeter, o Grêmio acertou a sua venda em novembro de 1995 ao Rangers, da Escócia, por US$ 4,5 milhões. Porém, o jogador não conseguiu passaporte europeu e em fevereiro de 1996 retornou ao Grêmio.
O artilheiro, ídolo da torcida, acabou sendo vendido ao Porto por US$ 1,8 milhão (sendo que o Porto pode ter pago até US$ 6 milhões), deixando o Grêmio em junho de 1996 após marcar três gols sobre o Juventude na final do Gauchão, sem participar da campanha que consagrou o Grêmio campeão brasileiro em 1996. Jardel vestiu o manto gremista em 84 jogos, anotando 65 gols.
No Porto, Jardel conheceu alguns dos maiores êxitos da sua carreira. Foi vencedor da Supertaça Cândido de Oliveira na temporada 1996/97, tricampeão português em 1996–97, 1997–98, 1998–99 e vencedor da Taça de Portugal em 1997–98 e 1999–00.
Foi cinco vezes artilheiro do Campeonato Nacional, em 1996–97 (30 gols), 1997–98 (26 gols), 1998–99 (36 gols) e 1999–00 (38 gols) e 2001–02 (42 gols). Em torneios internacionais, marcou quinze vezes em 24 partidas. Essa profusão de gols foi em parte creditada a simbiose estabelecida junto ao extremo-esquerdo Ljubinko Drulović. Ainda no Porto, foi também artilheiro da Liga dos Campeões da UEFA na época de 1999–00 com 10 gols, em igualdade com Rivaldo e Raúl.
Tantos gols pelo Campeonato Português acabaram levando Jardel ao posto de principal artilheiro da Europa. Em decorrência disso, conquistou a Bota de Prata em 1997, a Bota de Ouro em 1999 e a Bota de Bronze em 2000, além de ter recebido do prêmio de maior goleador da Europa dado pela revista inglesa World Soccer.
Em 2000–2001, despediu-se do Porto e rumou ao futebol turco. Marcando cinco gols logo na estreia, destacou-se pelo Galatasaray, anotando 24 gols em 22 partidas naquela temporada, levando o clube ao vice-campeonato nacional e ao título da Supertaça Européia. Por repetitivas lesões e por problemas extracampo, sua relação com o clube de Istambul acabou sendo curta.
Na temporada seguinte, foi negociado com o Sporting. De volta ao país onde havia colhido tantas glórias, Jardel reencontrou o seu grande futebol. De 2001 a 2003, foi Campeão Português, vencedor da Taça de Portugal e Campeão da Supertaça. Marcou 42 gols em 30 jogos na temporada 2001–2002, recebendo novamente Bota de Ouro.