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Jean-Marie Le Pen

Político francês (1928–2025)

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Jean-Marie Le Pen (Trinité-sur-Mer, 20 de Junho de 1928 – Garches, 7 de janeiro de 2025) foi um político francês. Presidiu, até janeiro de 2011, a Frente Nacional, partido nacionalista de extrema-direita no espectro político da França. Foi cinco vezes candidato à presidência da França (1974, 1988, 1995, 2002 e 2007) pelo partido; em 2002, passou para o segundo turno das eleições presidenciais, perdendo para Jacques Chirac.

Le Pen foi comparado a Ronald Reagan, dos Estados Unidos, sendo conhecido por defender políticas radicais visando diminuir a violência e o desemprego na França, entre elas a volta da pena de morte, maior restrição à entrada de imigrantes na França - em especial de países do leste europeu e de fora da Europa -, além de uma maior autonomia política e legislativa da França em relação às diretivas emanadas da União Europeia.

Afirma que a maior parte dos políticos e da imprensa franceses são corruptos e não se comprometem com os interesses das pessoas comuns e da nação francesa. Fazia sempre apelos patrióticos, como as manifestações em frente à estátua de Joana D'Arc em Paris. Sua progressão na década de 1980 ficou conhecida como a "lepenização dos espíritos"; seus discursos polêmicos e sua integração na vida pública fizeram dele uma figura que polariza a opinião, considerada como o "Diabo da República" entre oponentes ou o "último samurai na política" entre partidários.

Como outros candidatos da extrema-direita europeia, sua campanha eleitoral era baseada na oposição à imigração sem controle para a França. Foi condenado diversas vezes por declarações de cunho antissemita, racista, xenofóbico, e de negação de fatos históricos sobre o Holocausto — por isso acusado por especialistas no tema de praticar uma "negação suave" do genocídio de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 2015, Le Pen acabou expulso do próprio partido ao ser "submetido a um procedimento disciplinar depois de declarações polêmicas sobre o Holocausto", sendo substituído por sua filha, Marine Le Pen.

Faleceu aos 96 anos, "cercado por sua família", conforme informou a família em nota divulgada às agências francesas.

Jean Louis Marie Le Pen nasceu em Trinité-sur-Mer, pequena aldeia costeira na Bretanha francesa, como único filho de Jean Le Pen (1901-1942). Ficou órfão na adolescência quando o barco de seu pai, La Persévérance, explodiu por causa de uma mina alemã. Começou a trabalhar aos 13 anos em um navio transatlântico. Sua mãe, Anne-Marie Hervé (1904-1965) era costureira e também de ascendência local.[carece de fontes?] Foi criado como católico romano e estudou no colégio jesuíta François Xavier em Vannes, e depois no liceu de Lorient. Era um jovem rebelde e dado à vida noturna, sendo repetidas vezes conduzido à delegacia por se envolver em brigas em bares, com acusações de agressão.

Em novembro de 1944, aos 16 anos, foi dispensado por causa de idade pelo coronel Henri de La Vaissière (então representante da Juventude Comunista) ao tentar se juntar às Forças Francesas do Interior (FFI). Entrou então para a faculdade de Direito em Paris, e começou a vender nas ruas o jornal monarquista da Action Française, "Aspects de la France".

Ativo como figura da juventude estudantil de Paris, criou seu próprio jornal, o La Basoche, e logo estava entre os líderes do movimento. Se tornaria presidente de uma associação de estudantes de Direito cuja ocupação principal era "quebrar cocos" (brigar com os "cocos", comunistas).

Serviço militar e início na política

Durante a década de 1950, Le Pen se interessou pela Guerra da Argélia (1954-1962) e pelo orçamento de defesa francês. Eleito deputado do Parlamento sob a bandeira do partido populista UDCA, de Pierre Poujade, e contrário à perda da Indochina pelos franceses, se alistou Legião Estrangeira Francesa, servindo por três meses na Indochina - chegou depois da Batalha de Dien Bien Phu e foi mandado a Suez em 1956, mas já havia sido assinado um cessar-fogo. Enviado para a Argélia em 1957 como oficial de inteligência, foi acusado de ter praticado tortura com uma adaga. Le Pen negava tais acusações.

Em 1953, um ano antes do início da Guerra da Argélia, Le Pen contatou o presidente Vincent Auriol, que aprovou seu projeto de ajuda voluntária após uma enchente na Holanda. Em dois dias, havia 40 voluntários de sua universidade, um grupo que mais tarde ajudaria as vítimas de um terremoto na Itália. Em Paris, foi em 1956 eleito para a Assembleia Nacional, onde era o membro mais jovem, mas o comunista André Chène (meio ano mais jovem) foi eleito no mesmo ano.

Em 1958, Le Pen afirmou ter perdido o olho esquerdo ao ser espancado durante a campanha eleitoral. Testemunhas sugerem que ele foi apenas ferido no olho direito e não o perdeu; ele perdeu a visão do olho esquerdo anos depois, devido a uma doença, a crença popular é de que ele usava um olho de vidro.

Le Pen dirigiu a campanha presidencial de 1965 do candidato de extrema-direita Jean-Louis Tixier-Vignancour, que obteve 5,19% dos votos. Em 1962, Le Pen perdeu seu assento na Assembleia e criou a Serp (Société d'études et de relations publiques), empresa envolvida na indústria da música, especializada em gravações históricas; o catálogo tinha gravações do coro do sindicato CGT e canções da Frente Popular, mas também marchas nazistas, e em 1968, a Serp foi condenada a "pedir desculpas por cumplicidade com crime de guerra" após a transmissão de um registro de canções do Terceiro Reich, cuja capa continha uma mensagem promovendo a ascensão de Hitler na Alemanha.

Ao longo da carreira, Le Pen deu várias declarações de cunho xenofóbico, racista e antissemita. É conhecido por contestar fatos históricos sobre o Holocausto e também por ser cético quanto ao aquecimento global - em certa ocasião, abriu uma melancia e sugeriu que era como os defensores do aquecimento global - verdes por fora e vermelhos por dentro, ou "comunistas disfarçados".

Em 1987, Le Pen defendeu sugestão do médico e político de extrema-direita francês François Bachelot: isolamento total de portadores do vírus HIV, chamando os locais teóricos de "sidatórios" (da sigla da AIDS em francês, SIDA).

Em 1995, foi irônico ao responder ao cantor de origem judia Patrick Bruel, que decidiu não se apresentar em Toulon, comandada pela Frente Nacional. "A cidade de Toulon terá que seguir em frente sem as vocalizações do cantor Benguigui", disse Le Pen, citando o primeiro nome de batismo de Bachelot.

Em 1997, acusou o presidente francês Jacques Chirác de estar na "folha de pagamento de organizações judaicas".

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