Jean Wyllys de Matos Santos (Alagoinhas, 10 de março de 1974) é um jornalista, professor universitário e político brasileiro. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), é ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Wyllys se tornou conhecido inicialmente por ter sido participante e ganhador da quinta edição do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo.
Foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados em 2010. Nas eleições de 2014, foi reeleito como o sétimo mais votado entre os candidatos a deputado federal do estado do Rio de Janeiro, com quase 145 mil votos válidos. Ele foi comparado a Harvey Milk por seu trabalho como parlamentar.
Em 2015, a revista britânica The Economist classificou Wyllys como uma das 50 personalidades que mais lutam pela diversidade no mundo. Em 2012 e 2015, Jean foi eleito pelos internautas o melhor deputado federal do Brasil pelo Prêmio Congresso em Foco. Foi reeleito para o terceiro mandato em 2018, graças ao quociente eleitoral, com 24 295 votos, tendo decidido, após receber ameaças de morte, não tomar posse e se autoexilar no estrangeiro. Sua vaga foi assumida por David Miranda.
Jean nasceu no município de Alagoinhas, no interior do estado da Bahia, no ano de 1974.
Wyllys é jornalista com mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor de Cultura Brasileira e de Teoria da Comunicação na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e na Universidade Veiga de Almeida - ambas no Rio de Janeiro, além de ser escritor. Inicialmente, ele tornou-se conhecido após ganhar a edição de 2005 do reality show Big Brother Brasil, exibido pela Rede Globo.
Em 2004, Wyllys participou da criação do curso de pós-graduação em Jornalismo e Direitos Humanos da Universidade Jorge Amado, em Salvador, na Bahia. Abertamente homossexual, Wyllys era um dos mais atuantes parlamentares brasileiros na defesa dos direitos humanos, especialmente em relação aos direitos LGBT.
Atualmente, em 2024, é doutorando em Ciência Política na Universidade de Barcelona, pesquisador no Instituto de Pesquisa Afro-Latino-Americana da Universidade de Harvard e atua como jornalista na ONG inglesa openDemocracy.
Após filiar-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em 2009, o ex-BBB foi eleito Deputado federal pela primeira vez nas eleições de 2010 com a menor quantidade de votos pelo Rio de Janeiro, 13.018 (0,16%) votos válidos. Ele conseguiu a vaga graças ao desempenho de outro candidato a deputado federal do seu partido, Chico Alencar, que conquistou 240.724 (3%) dos votos na eleição. Nas eleições de 2014, em uma situação inversa, Wyllys foi reeleito como o sétimo mais votado entre os deputados federais eleitos do Rio de Janeiro, com 144.770 (1,90%) dos votos válidos, resultado onze vezes maior do que em 2014.
Wyllys foi um dos autores dos Projetos de Leis, que dentre outros objetivos, visavam a revogação de determinados artigos do Código Civil que regulamentavam o casamento, para que houvesse o reconhecimento do casamento civil e da união estável entre pessoas do mesmo sexo (PL 5120/2013) e a regulação da atividade dos profissionais do sexo (PL 4211/2012). Na sua atuação como parlamentar sempre foi um dos mais combatentes contra a família Bolsonaro e outros grupos conservadores presentes na Câmara.
Em novembro de 2018, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) exigiu providências e proteção à Jean Wyllys por parte do Governo Federal do Brasil, frente as constantes ameaças de morte ao parlamentar.
Em 24 de janeiro de 2019, Wyllys anunciou que desistiu de assumir o terceiro mandato como deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, garantido nas eleições de 2018, e deixará de viver no Brasil, dedicando-se a carreira acadêmica. Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, passou a viver sob escolta policial. De acordo com suas declarações à Folha de S.Paulo, "as intensificações de ameaças de mortes, recorrentes antes mesmo da execução de Marielle, e a atuação da milícia no estado, o levaram a tomar a decisão". O Ministério da Justiça declarou em nota que foram instaurados diversos inquéritos pela Polícia Federal para apurar as ameaças ao ex-deputado federal Jean Wyllys e que já identificou um dos autores, Marcelo Valle Silveira Mello, preso desde maio de 2018 na Operação Bravata da Polícia Federal.
Em 15 de fevereiro de 2019, fez sua primeira aparição pública desde a desistência do mandato, participando da sessão de gala do filme "Marighella", dirigido pelo ator Wagner Moura, no Festival de Berlim. Em março de 2019, estreou um blog no portal UOL.
Em maio de 2021, anunciou sua filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ao sair do PSOL, afirmou que o partido sofre de Complexo de Édipo - teoria elaborada pelo psicanalista Sigmund Freud - com o PT, porém a saída foi sem rusgas de bom diálogo de ambas a partes. Sua filiação ocorreu com uma cerimônia por meio de uma Live streaming que contou com a participação de notórios petistas como Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e a participação do historiador estadunidense James Naylor Green.
No ano de 2015 apoiou a sanção da Lei do Feminicídio, defendida pelo governo Dilma. Posicionou-se de maneira contrária à Lei Antiterrorismo, alegando que "nós, do PSOL, somos contra esse PL. Era um horror e foi criado um pior ainda: é um projeto problemático em todos os sentidos".
Em 2016, votou a favor da cassação do mandato do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB). Foi um dos votos que mais repercutiu durante o impeachment de Dilma Rousseff, que votou de maneira contrária. O então deputado recebeu xingamentos homofóbicos antes de seu voto e se envolveu numa discussão com os deputados Jair Bolsonaro (PSC) e Eduardo Bolsonaro (PSC). Após ser ofendido por Jair Bolsonaro, Wyllys cuspiu nele, o que foi revidado com um cuspe pelo filho de Jair, o deputado Eduardo Bolsonaro.
No ano de 2017, votou de maneira contrária à Reforma trabalhista proposta pelo governo Temer (MDB). Ainda no governo de Michel Temer, votou de maneira contrária à Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos e à Lei da Terceirização.
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