João Batista Reus, SJ nascido Johann Baptist Reus, e mais conhecido como Padre Reus (Pottenstein, Alemanha, 10 de julho de 1868 — São Leopoldo, 21 de julho de 1947) foi um padre, místico, professor e escritor jesuíta teuto-brasileiro.
Foi pároco de São Leopoldo e dedicou sua vida ao ensino, à formação de outros sacerdotes e ao atendimento dos doentes, pobres e necessitados. Foi diretor de escolas, confessor, e exerceu por muitos anos a função de Diretor Espiritual do Seminário de São Leopoldo. Deixou vários escritos devocionais e didáticos, incluindo uma autobiografia, escrita por ordem dos superiores, em que narra uma longa série de experiências místicas. Pouco depois de morto sua fama de santo já se espalhava e desde então só cresceu, sendo-lhe atribuída uma grande quantidade de graças e curas. Seu processo de canonização foi aberto em 1953 mas não passou da etapa inicial, sendo até 2025 ainda um Servo de Deus. Um santuário foi construído sobre seu túmulo, que recebe centenas de milhares de romeiros anualmente.
A maior parte das informações sobre a primeira parte de sua vida provêm da sua autobiografia, escrita por ordem de seus superiores, que termina no ano 1937. João Batista Reus nasceu em Pottenstein em 10 de julho de 1868, o sexto filho dos oito que tiveram Anna Margaretha Hengel e Johann Reus. Seu pai era açougueiro e sua mãe se dedicava ao lar, sendo ambos muito devotados à religião. Desde pequeno envolvido com as atividades da Igreja, participava de procissões e foi coroinha. Era bom estudante e desde cedo seus pais foram aconselhados a direcioná-lo para um futuro como sacerdote. Tinha um tio que era pároco de Stadtsteinach, e em 1880 foi deixado aos seus cuidados, recebendo instrução preparatória para o ingresso no ginásio de Bamberg. Ao fim do curso, foi requisitado para o serviço militar, que cumpriu entre 1889 e 1890, inicialmente no posto de enfermeiro da 3ª Companhia do 5º Regimento de Infantaria, sendo promovido a cabo, depois a suboficial e oficial substituto, mas recusou a promoção a aspirante a oficial, que o afastaria do sacerdócio. Em 28 de outubro de 1890 ingressou no seminário de Bamberg.
No seminário, iniciou sua devoção ao Menino Jesus e ao Santíssimo Sacramento, além de ingressar no grupo Apostolado da Oração do Sagrado Coração de Jesus e na Irmandade do Coração de Jesus. Entre 1891 e 1892 atuou como Prefeito de Disciplina, tarefa que dizia não lhe agradar. Em 1892 foi ordenado diácono, e começou a acalentar a ideia de ingressar na Companhia de Jesus, sendo admitido provisoriamente em setembro, e em 30 de julho de 1893 foi ordenado sacerdote, sendo designado pároco em Neuhaus. Neste período fez parte da Associação dos Padres da Adoração e privadamente fazia penitências e mortificações. Padre Reus relatou que sua intenção de tornar-se jesuíta encontrou forte oposição do bispo, cuja autorização só foi obtida depois de muitos pedidos e o pagamento de uma indenização de dois mil marcos pelo tempo passado no seminário.
Entrou oficialmente como noviço na Ordem Jesuíta de Blyenbeek, na Holanda, em 16 de outubro de 1894. De 1895 a 1896 estudou Retórica em Exaten, e recebeu de seu diretor espiritual autorização para fazer exercícios espirituais sozinho. A partir de 1896 estudou Filosofia em Valkenburg e pediu permissão para intensificar suas penitências, de 1897 a 1899 estudou Teologia, e em 1900 terminou sua preparação como jesuíta, partindo logo depois para o Brasil como missionário, chegando ao porto de Rio Grande em 15 de setembro de 1900.
Depois de chegar a Rio Grande foi remetido a São Leopoldo, uma das principais cidades coloniais alemãs do estado, a fim de aprender o português. Logo dominou o essencial do idioma e foi indicado para dar aulas no Colégio Nossa Senhora da Conceição. No final de abril de 1901 foi transferido para Rio Grande, a fim de dirigir a classe inferior do Colégio Stella Maris e ser Prefeito de Disciplina. Pouco depois assumiu a direção do Colégio, e a partir de 1904 lecionou paralelamente matemática, física e química no curso preparatório para o exame estadual, em Porto Alegre. Em 2 de fevereiro de 1905 fez sua profissão solene e foi admitido definitivamente na Companhia de Jesus. Enquanto isso, aumentavam suas responsabilidades em Rio Grande, sendo indicado Diretor Espiritual dos jesuítas, e em 1909, em parceria com o Apostolado da Oração, fundou a Associação de Trabalhadores Católicos, dando-lhes instrução religiosa, mais tarde transformada na Liga Operária Católica. Nas palavras de Luiz Marobin, com a fundação da Liga, "o Padre Reus se apresenta como um dos pioneiros da pastoral operária do Brasil".
Dava grande atenção aos pobres e necessitados, e em torno de 1910 iniciaram manifestações do que ele chamou de "graças místicas", dizendo ter sentido a presença de Jesus. Em 1911 foi transferido para Porto Alegre, sendo encarregado de dirigir a Congregação Mariana dos Homens e dar aulas. Sua formação o prevenia contra o misticismo, mas a partir de 1912 as "graças místicas" começaram a se repetir. Em 29 de junho de 1912 disse ter mantido um diálogo com o Sagrado Coração de Jesus, pouco depois começou a sofrer dores nas mãos ou ardor no corpo, identificando-os com os estigmas e chagas do Crucificado, e ao mesmo tempo dizia sentir quase diariamente a presença de Jesus e ver a Santíssima Trindade. Com a aprovação de seu superior, decidiu investigar melhor esses acontecimentos, passando a ler literatura mística. Em janeiro de 1913 iniciou um retiro em São Leopoldo, e em março foi indicado pároco de São Leopoldo.
Como pároco organizou um recenseamento da população católica, incentivou o catecismo nas escolas, visitou assiduamente as comunidades da zona rural, dava atendimento a doentes, e mantinha um bom relacionamento com a comunidade protestante. Em fevereiro de 1914 foi designado professor, confessor e Diretor Espiritual do Seminário de São Leopoldo. Também dava assistência à Congregação Mariana no Seminário, e à Congregação das Moças no colégio das Irmãs Franciscanas, onde servia como capelão. Para a Congregação das Moças escreveu o Catecismo da Congregação Mariana. Em maio de 1915 recebeu permissão para praticar diversas penitências e mortificações, o que teve efeitos físicos negativos, e acabou por causar estranhamento na comunidade e afastá-lo da Direção Espiritual do Seminário em 1917, considerando inapto para a função. Passou quase todo o ano de 1918 doente.
Recuperando-se, em 1921 teve um papel importante na aquisição do prédio do colégio das Irmãs Franciscanas para ampliação do seminário, e foi designado vice-reitor. Em 3 de fevereiro de 1924 lançou a pedra fundamental da Igreja de São Luís em Novo Hamburgo. Em março foi destituído da função de confessor dos seminaristas. A missão jesuítica brasileira tornou-se independente da Província alemã em 1926, cabendo ao Padre Reus redigir os estatutos da nova Província. Em 1929 deu colaboração na causa de beatificação dos mártires padres Roque Gonzáles, Afonso Rodrigues e Juan del Castillo, providenciando a confecção de uma imagem dos padres para ser divulgada e escrevendo uma biografia. Um exemplar ricamente decorado foi enviado ao papa, e em 1934 foi convidado para a cerimônia no Vaticano.
Entrementes, a partir de março de 1933 começou a ilustrar o diário que mantinha com desenhos de suas visões, que chegaram a 1.184 figuras, e em 1934 o Provincial o obrigou a escrever sua autobiografia. Nesta altura sua saúde já era frágil, estava cansado, e era acometido de fortes dores em várias partes do corpo. Dizia que suas experiências místicas nunca o abandonaram. Segundo Ângela Molin, "constantemente intensificavam-se os sentimentos de ardor durante as várias missas que celebrava e a que assistia durante o dia. Ele se auto-descreve, constantemente, como uma tocha de fogo, ardente, que lhe impunha a necessidade de abrir a batina no peito e lhe ocasionava constantes quedas no chão, ficando impedido de levantar-se, às vezes, por algumas horas. [...] A partir de 1937, constantemente, ao ouvir confissões e absolver as almas pecadoras, Padre Reus sentia e via o Menino Jesus encostando o rosto dele no seu. Narra que havia uma força forte que o fazia escrever e desenhar o que via e sentia. Sentia-se em chamas e, enquanto não escrevesse e não desenhasse, o ardor não passava".