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João Corvino

João Corvino (em latim: Ioannes Corvinus; em romeno: Iancu ou Ioan de Hunedoara; em húngaro: Hunyadi János; c. 1387 – 11

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João Corvino (em latim: Ioannes Corvinus; em romeno: Iancu ou Ioan de Hunedoara; em húngaro: Hunyadi János; c. 1387 – 11 de agosto de 1456), apelidado de Cavaleiro Branco, foi um voivoda (príncipe ou duque) da Transilvânia (desde 1441), capitão-mor (1444–1446) e regente (1446–1453) do Reino da Hungria, com uma distinta carreira militar. Foi o pai de Matias Corvino, um dos mais célebres reis daquele país.

Corvino conquistou fama como um dos mais importantes líderes militares e soberanos-guerreiros dos Bálcãs. As principais batalhas que lutou foram a de Varna, em 1444, e o Cerco a Belgrado, em 1456. Amplamente respeitado na Europa, ele ainda colecionou rivais ao longo da vida (como Skanderbeg da Albânia e Vlad Dracul, pai do futuro Vlad o empalador da Transilvânia), e foi alvo de ódio e perseguição pelo Império Otomano.

João nasceu em uma família nobre transilvana de origem romena (valaca) em 1387 (ou 1400 de acordo com algumas fontes). Entretanto, sua genealogia é controversa: algumas fontes indicam que teria sido filho de Voicu/Vojk, um boiardo romeno da Valáquia, enquanto outras citam como seu pai um valaco transilvano. O que se sabe é que Voicu/Vojk, ou o pai de João, tomou o nome da família de Hunyadi ao receber o feudo do Castelo Hunyad do Rei Sigismundo em 1409, bem como o título de Conde de Hunyad.

A partir de fontes húngaras, sabe-se que a mãe de João era Isabel Marjeana (Erzsébet Morzsinai em húngaro e Elisabeta Mărgean em romeno) de Cinciş, filha de uma pequena família nobre húngara de Hunedoara (em romeno) ou Hunyad (em húngaro).

João se casou com Isabel Siladj (Erzsébet Szilágyi em húngaro; c. 1410-1483), uma donzela húngara, também de nobre estirpe (o nome Siladj era de um dos condados da Hungria, hoje correspondente a Sălaj, na atual Romênia).

O epíteto Corvino (de corvo) foi usado pela primeira vez pelo biógrafo de seu filho Matias Corvino, rei da Hungria, e aplicado também a João, que no entanto não chegou a usá-lo em vida. O apelido é ligado à lenda documentada por Gaspar Heltai, que diz que João seria filho bastardo do rei Sigismundo de Luxemburgo, depois eleito imperador do Sacro Império Romano-Germânico e "Vojk" teria sido um guerreiro fiel de seu pai por 20 anos. O Rei Sigismundo, após a morte de sua esposa, teria conhecido Isabel Marjeana, uma donzela virgem, e se apaixonado. De manhã, o rei dera um anel real à moça, prometendo tomar conta do filho que nascesse. Após o nascimento, a família viajou até Buda (hoje Budapeste) até ao palácio de Sigismundo. Durante a viagem, pararam para descansar. Como o bebê João chorava, Isabel deu-lhe o anel para brincar e acalmá-lo. Nesse momento, um corvo apareceu e roubou o anel. O irmão de Isabel atirou uma flecha à ave, mas o corvo miraculosamente não morreu e o anel foi recuperado. Ao receber a família na corte, Sigismundo encheu o berço da criança com pedras preciosas.

A lenda deve ter algum fundamento verídico, já que seu suposto pai, Vojk/Vojcu, nunca teve um brasão com ave de rapina, e repentinamente alterou-o por alguma razão. A tradição na Valáquia não tem nenhum laço com corvos. A família de Vojk imediatamente recebeu as propriedades de Hunyad/Hunedoara, e sua educação foi financiada pelo rei. Seu irmão também foi batizado como João, sem motivo particular; por isso, João Corvino é às vezes confundido com ele (também chamado Székely János, ou João, o Szekler) que morreu por volta de 1440. O filho de João, Rei Matias, ergueu uma estátua de Sigismundo em Visegrád e o considerava seu avô.

Sob Sigismundo e eleições controversas

Quando ainda jovem, João Corvino entrou para o séquito de Sigismundo, que apreciava suas qualidades (ele foi contador do rei em várias ocasiões). Acompanhou o monarca a Francoforte, na campanha de Sigismundo pela coroa do Sacro Império, em 1410; tomou parte das Guerras Hussitas em 1420; e em 1437 expulsou os otomanos de Semêndria. Por tais serviços, recebeu inúmeros feudos e um assento no conselho real da Hungria. Em 1438, o rei Alberto II da Alemanha fez de Corvino o bano de Severino (na atual Sérvia). Localizada ao sul das fronteiras defensáveis meridionais da Hungria, dos Cárpatos e do complexo fluvial Drava/Sava/Danúbio, a província era alvo de constante assédio por forças otomanas.

Com a morte súbita de Alberto em 1439, Corvino pressentiu que a Hungria precisaria de um rei-guerreiro e ofereceu apoio à candidatura do jovem rei Vladislau III de Varna, da Polônia, em 1440. Assim, colidiu-se contra o poderoso Ulrico II de Celje, apoiador da viúva de Alberto II, Isabel II da Boêmia e seu filho pequeno, Ladislau Póstumo da Boêmia e Hungria. Tomou parte proeminente na guerra civil subsequente e foi recompensado por Vladislau com a capitania da fortaleza de Belgrado (na época, chamada de Nándorfehérvár em húngaro) e a voivodia da Transilvânia. Compartilhou esta última com Miguel Újlaki.

Com o pai de Drácula, lutou também ao seu lado contra os turcos, em defesa da Transilvânia cristã. Ao final de duros combates, os turcos conquistaram o campo, ao preço todavia de perdas pesadíssimas e em cuja ocasião morreu o soberano húngaro-polaco Ladislau III Jagelão.

Em Belgrado, Corvino interveio em socorro da cidade assediada junto com São João Capistrano. Depois de alguns dias de assédio, houve uma batalha noturna, alimentada principalmente pelos voluntários de Capistrano. Ao fim, Corvino tomou a dianteira da infantaria húngara e pôs os turcos em retirada. O próprio sultão Maomé II, o Conquistador foi ferido e, acossado, tentou envenenar-se.

O ônus da guerra contra os otomanos agora estava com ele. Em 1441, libertou a Sérvia com a vitória na Semêndria. Em 1442, não muito longe de Nagyszeben, sobre a qual tinha sido forçado a se retirar, Corvino aniquilou uma presença maciça de tropas otomanas e recuperou para a Hungria a suserania da Valáquia. Em fevereiro de 1450, assinou uma aliança com Bodano II da Moldávia.

Em julho, destruiu quase um terço do exército turco perto dos Portões de Ferro, o vale no Danúbio que divide a Sérvia e a Romênia. Estas vitórias fizeram de Corvino um proeminente inimigo dos otomanos, reconhecido em toda a cristandade, e estimularam-no em 1443 a assumir, juntamente com o Rei Vladislau da Polônia, a famosa expedição conhecida como a longa campanha. Corvino, à vanguarda, atravessou os Bálcãs através da Porta de Trajano, capturou Nish, derrotou três paxás turcos e, após tomar Sófia, uniu-se com o exército real e derrotou o sultão Murade II. A impaciência do rei e a severidade do inverno obrigaram-no a voltar para casa (fevereiro de 1444), mas não antes de romper por completo o poder do sultão na Bósnia, Herzegovina, Sérvia, Bulgária, e Albânia.

Pouco após recuperar a Hungria, recebeu oferta tentadora do Papa Eugênio IV, representado pelo legado Juliano Cesarini, a partir de Jorge Branković, déspota da Sérvia, e Jorge Castrioto, príncipe da Albânia, para retomar a guerra e perceber o seu ideal de conduzir a Europa contra os otomanos. Todos os preparativos já tinham sido feitos quando enviados de Murade chegaram ao acampamento real em Szeged e ofereceram dez anos de armistício em condições vantajosas. Branković subornou Corvino com vastos feudos e convenceu-o a aceitar a paz. O Cardeal Cesarini considerou a solução como uma traição. O rei jurou que nunca desistiria da cruzada, pelo que todos os futuros acordos de paz foram automaticamente considerados inválidos. Depois disso, a Hungria aceitou a oferta do sultão e Corvino, em nome de Vladislau, jurou sobre o Evangelho que manteria a palavra.

Dois dias depois, Cesarini recebeu a notícia de que uma frota de galés venezianas tinha zarpado para o Bósforo para evitar que Murade (que, esmagado por suas recentes catástrofes, tinha se retirado para a Anatólia) e o cardeal lembrou ao rei que ele havia jurado cooperar com as potências cristãs se os otomanos atacassem por via marítima. Em julho, o exército húngaro cruzou a fronteira de novo e avançou na direção do Mar Negro. Chegou a Constantinopla no fim de março, escoltado pelas galés.

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