João Durval Carneiro (Feira de Santana, 8 de maio de 1929) é um político baiano, brasileiro.
Formado em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia em 1953, João Durval exerceu a profissão como cirurgião dentista até ingressar na carreira política. Casado com Yeda Barradas Carneiro, é genro de Manoel Barradas, ex-dirigente esportivo. Tiveram sete filhos: Márcia, João Henrique, Sérgio, Cristianna, Luis Alberto, Geórgia e Gal.
Vereador em sua cidade natal, Feira de Santana, em 1954 e 1958, assumiu a presidência da Câmara de Vereadores, sendo então prefeito interino, já que não havia o cargo de vice-prefeito na época. Derrotado na disputa pela prefeitura em 1962 por apenas 17 votos, tentou novamente a candidatura em 1966, desta vez com êxito.
Eleito seguidamente deputado federal em 1974 e 1978, foi o 2o Deputado Federal mais votado do Estado. Em seu segundo mandato foi Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos no segundo governo de Antônio Carlos Magalhães, cargo que exerceu de 15 de março de 1979 a 4 de abril de 1982.
Seria candidato ao terceiro mandato de deputado federal em 1982, porém substituiu Clériston Andrade, que havia falecido, como candidato do PDS a suceder Antônio Carlos Magalhães no Governo do Estado. É eleito com 53,3% do votos.
O Governo de João Durval representa parte importante do progresso da Bahia. Muito do que a Bahia é hoje tomou impulso naquela época. Na área de energia, por exemplo, foram instalados 618 Kms de linhas de transmissão e 7,7 mil Kms de rede de distribuição. Seu governo possibilitou que 1 313 localidades fossem eletrificadas, com um total de 1,5 milhões de ligações. Na área rural, 17 mil novas propriedades foram eletrificadas e outras 6.890 ligações feitas pelo Programa de Eletrificação de Minifúndios Produtivos.
Além do funcionalismo público, o sertanejo também tem razões para lembrá-lo com respeito e admiração: foram mais de 4 mil poços artesianos abertos e 4,6 mil pequenas e médias barragens (como a de São José do Chorrochó e a de São José do Jacuípe), além de aguadas que reservaram 25 milhões de metros cúbicos de água de superfície.
Foram feitas a manutenção, conservação e recuperação de mais de 15 mil Km de malha rodoviária estadual; e 4,5 mil Kms de novas estradas, em cujos traçados foram executados 2 mil metros de pontes. Mais de 1,2 mil Kms de estradas vicinais foram construídos, outros 215 Km asfaltados. Foi durante seu governo que o então chamado Aeroporto Dois de Julho, na capital, foi ampliado e transformado em internacional.
Sua gestão foi marcada pelo equilíbrio entre ações voltadas para a capital e o interior. Entre as iniciativas para Salvador, podemos citar Cajazeiras - uma verdadeira cidade dentro da capital, com 25 mil unidades, cinco escolas, cinco creches, seis postos policiais e posto médico; obras na orla marítima; a implantação das avenidas Jorge Amado e Dorival Caymmi; a reconstrução do Mercado Modelo; a adutora de Pedra do Cavalo; a construção do Centro Médico e Odontológico do IAPSEB; construção de 500 creches, escolas e obras em bairros populares.
Em relação à saúde, foram construídos 60 novos postos de Saúde, quatro Centros de Saúde, quatro Casas de Parto e quatro hospitais, sendo o maior o Clériston Andrade, em Feira de Santana. O número de leitos hospitalares passou de 3 933 para 4 160.
Os hospitais Ernesto Simões Filho e João Batista Caribé e a Maternidade do Hospital Luiz Viana Filho foram recuperados e ampliados. João Durval deixou pronta a construção civil do Hospital Geral de Camaçari, construiu e instalou mais 22 laboratórios de saúde pública e inaugurou o Laboratório Central do Estado. Já a Bahiafarma – Empresa de Produtos Farmacêuticos da Bahia produziu, em 1986, 60,8 milhões de comprimidos, 16,6 milhões de cápsulas, 2,5 milhões de líquidos orais e xaropes e 1,4 milhão de ampolas de soluções parenterais.
Para a segurança pública, foram instalados 92 complexos policiais, adquiridas 919 viaturas (479 para a Polícia Civil, 420 para a Polícia Militar e 20 para o Detran). A PM passou a contar com 22 mil homens, contingente definido pela Lei 4 331/1984, sendo que 5,6 mil foram contratados durante os quatro anos de seu governo. Já para a Polícia Civil, houve concurso público para admissão de 215 agentes policiais e 164 motoristas. Foi extinta a Colônia Pedra Preta e criada a Delegacia de Proteção à Mulher.
Na educação, em 1983 eram 2,1 milhões de crianças até 14 anos no Estado, sendo mais de 1,5 milhão matriculadas. Durante seu governo, foram construídas 676 novas escolas de ensino fundamental e 107 de ensino médio, além de 2,6 mil novas salas de aula e outras 17,4 mil recuperadas. Foram oferecidas mais de 637 mil vagas adicionais em convênio com escolas particulares ou via bolsas de estudo e aluguel de imóveis.
Nas áreas rurais, foram construídas 445 salas, recuperadas 256 e equipadas outras 1.093. Durante o quadriênio 1983/1986, o ensino supletivo registrou mais de 504 mil alunos e o pré-escolar 160 mil crianças. João Durval cuidou, também, de conceder aumento diferenciado e abonos para os professores; instituiu o Programa Pó de Giz (Lei 4 672 de 1986) e estabeleceu o enquadramento automático por tempo de serviço e avanço horizontal e vertical por titulação (Lei 4 618 de 1985). No ensino superior, foi criada a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e ampliadas as Universidades Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a do Sudoeste.
Sete centros Culturais foram construídos: Itabuna, Vitória da Conquista, Alagoinhas, Porto Seguro, Valença, Juazeiro e Feira de Santana. Por iniciativa de João Durval, foi criada a Fundação Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), com a instalação da TVE Bahia e implantada a Defensoria Pública.
Tese de doutorado, desenvolvida na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), colocou João Durval entre os 15 melhores governantes do Brasil, registrando sua gestão como a que mais investiu em Educação e Saúde à época (ressaltando que os investimentos em Saúde ainda não eram uma obrigação constitucional). O trabalho do cientista político José Luciano de Mattos Dias foi desenvolvido a partir de dados sobre a atuação de 65 governadores, com base no Tesouro Nacional e do Ministério da Educação e evidencia a preocupação com o social como marca do ex-governador João Durval.
Ao longo desta caminhada, ele contou com o decisivo apoio da companheira de toda uma vida, Yeda Barradas Carneiro. A história de um não se escreve sem a do outro.
Nas eleições de 1986 apóia Josaphat Marinho para sucedê-lo, mas este é derrotado por Waldir Pires por larga margem. Inicia-se o desentendimento com Antônio Carlos Magalhães. Em 1994, renunciou ao cargo de Prefeito de Feira de Santana para disputar o Governo do Estado fazendo oposição ao partido de ACM. Começou a disputa em 4.º lugar, mas chegou ao 2.º turno, tendo perdido a disputa para Paulo Souto.