Neste Dia

João Frederico Ludovice

Arquiteto português

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Johann Friedrich Ludwig, conhecido em Portugal como João Frederico Ludovice, (Castelo de Honhardt, Suábia, 19 de Março 1673 – Lisboa, 18 de Janeiro 1752) foi um arquitecto e ourives alemão. Natural da Suábia, emigrou para a Itália, onde se converteu ao Catolicismo. Veio depois para Portugal, projectando entre outras obras o Palácio Nacional de Mafra (1717-1730), ao serviço de D. João V. Naturalizou-se, mais tarde, cidadão português. Recebeu o título de "Arquitecto-mor do reino". A 7 de Junho de 2019, o conjunto composto pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra recebeu a classificação de Património Cultural Mundial da UNESCO, na reunião do comité da organização, que decorreu em Baku, no Azerbaijão.

Filho mais novo de Peter Ludwig, administrador de Schwäbisch Hall, e de sua esposa Elisabetha Rosina Engelhardt, nasceu a 19 de Março de 1673, no Castelo de Honhardt. A juventude despreocupada que Johann pode viver no Castelo, no convívio com os seus numerosos irmãos, não foi duradoura: logo no ano de 1681 a família mudava-se para Schwäbisch Hall, onde seu pai adquirira uma casa na Travessa Langen.

Um dos seus irmãos que mais se destacou, foi Johann Peter von Ludewig. Como todos os seus irmãos, Johann frequentou o liceu de Schwäbisch Hall, tendo-se matriculado a 6 de Junho de 1682. No ano de 1687, contando apenas 14 anos de idade, perdeu o pai; foi após tal desenlace que o seu tio e padrinho, Johann Wilhelm Engelhardt, entusiasta construtor e homem de apurado sentido estético, se ocupou da educação do jovem sobrinho, familiarizando-o com a arquitectura.

É possível que a centelha artística, que existia em Johann, fosse congénita da parte de sua mãe, do ramo dos Engelhardt.

Em 1689, Johann iniciou os seus estudos de ourivesaria com o Mestre Ourives N. A. Kienle de Jugeren, em Ulm, por um período de 4 anos, entre 1689 e 1693.

Nesse ano assentou praça com 19 anos de idade, tomando parte na Guerra do Eleitorado do Palatinato, que rebentara em 1688, contra a França, tendo Johann feito campanha até ao fim da guerra, (1697), como oficial de Engenharia, após o que seguiu para Itália.

Como militar, orientou trabalhos de engenharia em Ratisbona, assim como outros que realizou durante a guerra, talvez até relacionados com a fundição de metais, ligados à arma de artilharia, adquirindo assim vastos conhecimentos e experiência neste campo.

Ao deixar o Exército em 1697, partiu para Itália, na companhia do Ourives Johann Adolf Gaap, (da família de mestres ourives), tendo-se domiciliado em Roma, onde veio a desenvolver os seus conhecimentos artísticos, designadamente escultura e arquitetura, alterando o seu apelido para Ludovici.

Em virtude da sua vasta erudição em diversas ciências, granjeou simpatia entre os Jesuítas, que, descobrindo o seu invulgar talento, tentaram com que ele ingressasse na Ordem.

Lograram apenas a sua conversão ao Catolicismo, facto relacionado, sem dúvida, com o seu casamento em 1700, em Nápoles, no Reino de Nápoles, com a Católica Chiara Agnese Morelli, dona de rara formosura e dotes morais, filha do industrial de Calçado Francesco Morelli, e de sua mulher Anna.

Em Itália, Johann, é convidado pelos Jesuítas para trabalhar na igreja de Gesú, na fundição e cinzelagem da imagem do Santo Inácio de Loyola, da autoria de los Groos, bem como noutras alfaias.

Em Roma, nos Estados Pontifícios, o seu trabalho foi enaltecido pelos jesuítas, destacando-se de tantos outros artífices e colaboradores Romanos e Franceses, pelo género e qualidade de trabalho da sua especialidade.

Depois de ter contraído núpcias com Chiara Agnese, Johann, faz uma visita à sua terra natal, Schwäbisch Hall, para ver seus familiares e apresentar sua esposa.

Nessa altura questões familiares insuficientemente esclarecidas, motivaram o rompimento de relações com sua mãe e irmãs, que compartilhavam os mesmo sentimentos. Atribuem à independência assumida por Johann, em relação ao facto da sua família de S. Hall, ser Luterana e como tal, não aceitar o seu casamento Católico, enquanto outros conjeturam que tão desagradável incidente tenha sido ocasionado por questões de partilhas de herança paterna. Pois todas as propriedades e bens advinham do primeiro casamento de seu pai. E a sua segunda mulher, mãe do Johann apoderara-se de todos os bens deixando os herdeiros do primeiro casamento praticamente na miséria. Pois tanto Johann como seus irmãos filhos do segundo casamento praticamente não tinham direito a nada e Johann teria ficado indignado com a atitude de sua mãe, tanto assim que mais tarde ignora a parte que lhe coube em testamento.

O que se sabe, porém, é que Johann diz à família que vai para a América e depois desta data nunca mais dá notícias suas, ou da sua família direta, aos seus familiares.

É ainda no final de 1700, que Johann chega com sua esposa a Lisboa, fixando residência na Rua dos Canos, junto ao colégio de Santo Antão. Ele tem um contrato para trabalhar com os Jesuítas, durante sete anos, no Sacrário de Santo Antão, bem como noutras alfaias de igrejas da mesma Ordem.

Neste contrato, Johann é obrigado a trabalhar em exclusividade para os Jesuítas.

A um de Janeiro de 1701, nasceu em Lisboa o seu primeiro filho, João Pedro Ludovice, filho de Chiara Agnese Morelli.

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João Frederico Ludovice | World in Stories