João Luiz Pozzobon (Cachoeira do Sul, 12 de dezembro de 1904 — Km 3, Santa Maria, 27 de junho de 1985), foi um diácono permanente e missionário brasileiro.
É considerado Servo de Deus pela Igreja Católica desde o ano de 1994, quando foram iniciados os trabalhos por sua beatificação. Em 2025, ele foi declarado Venerável pelo Papa Leão XIV.
Nasceu em uma família de imigrantes italianos na vila de Ribeirão, hoje pertencente ao município de São João do Polêsine, no estado do Rio Grande do Sul. Ele foi filho de Ferdinando Pozzobon e Augusta Bortolini Pivetta Pozzobon.
Sendo sua família profundamente religiosa, desde jovem João teve uma educação católica permanente. Aos doze anos deixou os estudos para ajudar seus pais na lavoura de arroz. Teve problemas permanentes de visão, não podendo ingressar no serviço militar.
Anos mais tarde, João vai dizer sobre sua saúde: "Deus, em sua infinita bondade, não me considerou incapaz. Ele me empregou tal como sou e me confiou à sua Mãe para a Campanha do Santo Rosário. Ninguém é incapaz de servir a Deus."
Casou-se com Teresa Turcato em 1928, tendo dois filhos com a mesma: Eli e Ari. Vindo a ficar viúvo, casou-se em segundas núpcias com Vitória Maria Filippeto, em 1933, tendo mais cinco filhos: Nair, Otilia, Pedrolina, Humberto e Vilma.
Ele deixou sua profissão de agricultor para abrir uma pequeno empório na parte da frente de sua casa. Tornou-se muito respeitado pelo povo de sua cidade, especialmente graças à sua honestidade. Ele dizia: "Eu poderia ser um homem rico, mas eu aplicava apenas a margem de lucro legítimo. Você não pode obter o que pertence aos outros." Esta prática era muito diferente da de outros comerciantes da época, que vendiam mercadorias pelo dobro do preço que haviam comprado.
Primeiros contatos com Movimento de Schoenstatt
É em 1947 que sua vida cruza o caminho do Movimento de Schoenstatt. Ele começou sua jornada de formação espiritual com as Irmãs de Maria de Schoenstatt e o Pe. Celestino Trevisan. Ele estaria presente na bênção da pedra fundamental do Santuário de Schoenstatt de Santa Maria (RS). Nessa cerimônia estava presente o Padre José Kentenich, fundador de Schoenstatt. Este fato iria marcá-lo para sempre: "Eu me sentia como um aluninho do Padre Kentenich", diria Pozzobon mais tarde. "Desde quando eu tinha doze anos eu sentia um vazio, uma falta de algo que eu não entendia. Mas a partir desse momento, eu descobri que era a falta de Deus e de Sua Mãe." João selaria sua Aliança de Amor com Maria no dia 11 de abril de 1948, dia da bênção e inauguração do Santuário de Santa Maria.
Início da Campanha da Mãe Peregrina
Em 1950, o Papa Pio XII havia convocado um Ano Santo para a Igreja. No dia 1° de Novembro do mesmo ano seria proclamado o dogma da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Em setembro, João tinha participado, com uma centena de homens, de uma série de exercícios espirituais que o Pe. Celestino Trevisan dera com a irmã Teresinha Gobbo. Eles discutiram a importância de rezar o Santo Rosário e de como estimular uma cruzada de oração nas famílias.
No dia 10 de setembro de 1950 ele recebeu das mãos da Irmã Teresinha Gobbo a imagem da Mãe e Rainha de Schoenstatt, para ir rezar o Rosário nas casas das famílias. "Naquele momento, entendi que a bondade e a misericórdia de Deus e da Mãe e Rainha tinham me dado uma grande missão evangelizadora: a Campanha do Santo Rosário". Ele estava convencido de que "quando algo vem de Deus, um homem pode mover o mundo".
Eu disse à Mãezinha: "Tenho sete filhos e uma esposa, e eu sou responsável perante Deus por meus filhos e minha esposa, mas se é da vontade de Deus e Sua, um homem pode mover montanhas." E tudo correu bem. Nos primeiros anos, eu dedicava à Mãe e Rainha duas horas por dia do meu tempo. Quando as crianças estavam mais crescidas e podiam trabalhar na loja, passei a me dedicar totalmente à campanha. Se Deus quer que alguém execute uma tarefa, ele também concede o tempo para se dedicar à sua família.
Os pedidos para receber a visita da imagem da Mãe Três Vezes Admirável foram aumentando. João permanecia em sua loja na parte da manhã e, depois de entregar todas as encomendas, deixava o balcão para sua esposa e filhos para passar a tarde visitando as famílias para rezar o Rosário. Ele começou a visitar as escolas, hospitais e até prisões na região. E sempre a pé, carregando a imagem de costas, pesando mais de 11 kg.
Ele também organizava "missões" nos vilarejos: ele levava a imagem e as famílias se reuniam para rezar o Rosário. Em seguida, pregava o Evangelho, falava sobre a necessidade de conversão e perguntava sobre a situação material e espiritual das famílias. Assim, ele deixava o povoado e retornava alguns dias mais tarde, trazendo ajuda material e também um Padre para celebrar a Missa, confessar e casar casais e para batizar as crianças.
Então os frutos começaram a aparecer. Muitas famílias voltaram para a Igreja; peregrinações ao Santuário de Schoenstatt foram organizadas; a adoração eucarística foi estabelecida em várias paróquias; fazendeiros construíram capelas nos povoados.
Com o tempo, "seu João" não consegue mais fazer todas as visitas sozinho com a imagem peregrina. As Irmãs de Maria de Schoenstatt fazem cópias da imagem, mas em um tamanho menor, para tornar mais fácil o seu transporte por outros voluntários, que visitam trinta famílias cada.
Em 30 de dezembro de 1972, ele é ordenado diácono permanente por Dom Érico Ferrari, bispo de Santa Maria. O Diácono João Pozzobon passará, desde então, por novas provações. No início, seu trabalho não é compreendido e muitas vezes é criticado. Mas ele permanece em obediência ao seu bispo e ao seu pároco.