João Manuel de Castela (em castelhano: Don Juan Manuel; Escalona, 5 de maio de 1282 — Córdova, 13 de junho de 1348) foi um príncipe, político e escritor de língua castelhana, um dos principais representantes da prosa medieval, graças à sua principal obra El conde Lucanor, um conjunto de exempla, contos moralistas.
Era filho do infante Manuel de Castela, senhor de Escalona e de Penafiel, e de Beatriz de Sabóia, e sobrinho do rei Afonso X de Castela e neto de Fernando III. De seu pai herdou o senhorio de Villena, Escalona e Peñafiel, e posteriormente em 1330 o título de príncipe de Villena de Afonso IV de Aragão.
Educado como um nobre perdeu os seus pais aos oito anos de idade pelo que desde muito cedo dispôs do património familiar, participando, com doze anos, na guerra contra os mouros do Reino de Granada e do Reino de Múrcia, converteu-se num dos homens mais ricos e poderosos da sua época.
As primeiras iniciativas políticas do jovem filho do infante Dom Manuel correspondem aos primeiros anos da menoridade de Fernando IV, quando, desprovido do apoio militar das tropas castelhanas diante de invasão aragonesa, toma a decisão de entregar o reino de Múrcia a Jaime II de Aragão, preservando, no entanto, o cargo de Adelantado maior de Múrcia, delegado agora pelo rei aragonês. Consciente da predominância política e militar de Aragão em relação aos outros reinos peninsulares neste período, Dom João contrai matrimônio com uma das filhas de Jaime II, conseguindo deste modo o principal aliado para os seus empreendimentos futuros.
Dom João Manuel teve confrontos constantes com os reis de Castela seus contemporâneos: Fernando IV e Afonso XI.
Chegando ao auge de seu poder como tutor régio durante a menoridade de Alfonso XI e depois como sogro do jovem rei, inesperadamente se encontra traído e humilhado pelo desprezo do rei, que tranca sua filha Constança Manuel no castelo de Toro e arranja um novo matrimônio com a infanta portuguesa. Um dos mais poderosos homens de Castela, reage rebelando-se contra seu rei, para defender a sua honra e manter a dignidade do seu estado de filho de um infante. Ele declara guerra a seu senhor natural, arrasa os territórios cristãos e faz um acordo com o rei mouro de Granada. Submetido e expulso do âmbito político, Dom João se dedica à produção letrada que acabou se tornando a maior representação nobiliária do século XIV.
Dada a necessidade de paz interna para fazer face às ameaças dos mouros de Marrocos, foram celebradas tréguas entre Afonso XI e João Manuel, por mediação de Joana Núñez (sogra do infante pelo seu terceiro matrimónio) conseguindo que o rei devolvesse os bens e honrarias anteriormente confiscados e a autorização real para o casamento português de D. Constança, permitindo a aliança castelhano-portuguesa que venceu os mouros na Batalha do Salado e posterior conquista de Algeciras.
Após estes acontecimentos, o infante João Manuel deixou a vida política e retirou-se para Castillo de Garcimuñoz, onde passou os últimos anos entregue à literatura.
De João Manuel de Castela conservaram-se oito obras:
Crónica abreviada (anterior a 1325).
Libro del cavallero et del escudero (1326/28).
El Libro del conde Lucanor (1335).
Tractado de la Asunción de la Virgen María (posterior a 1335).
Libro de las armas (posterior a 1337).
Libro de castigos et de consejos (1336/37).
Sabe-se ainda que foram perdidas cinco obras.
A produção de D. João Manuel classifica-se em três etapas:
Na primeira, a sua obra é claramente influenciada pelo trabalho conjunto com seu tio, o rei Afonso X de Castela, seguindo D. João Manuel nesta etapa os modelos genéricos afonsinos: historiografia, assuntos cinegéticos, disposições jurídicas sobre cavalaria, etc.