João Henrique Pereira Villaret OSE (São Paulo, Lisboa, 10 de maio de 1913 — Santos-o-Velho, Lisboa, 21 de janeiro de 1961) foi um actor, encenador e declamador português.
João Villaret nasceu no segundo andar esquerdo do n.º 69 da Rua da Boavista, freguesia de São Paulo, em Lisboa, a 10 de maio de 1913. Era filho do médico Frederico Augusto Villaret (Cano, Sousel, c. 1876) e de Josefina Gouveia da Silva Pereira Villaret (Santa Isabel, Lisboa, c. 1882).
Frequentou o colégio inglês na Calçada Marquês de Abrantes e depois o Liceu Passos Manuel, onde foi bom aluno. Desde cedo revelou interesse pelas artes. Aos 15 anos ingressou no Conservatório Nacional de Lisboa. Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro tiveram um papel preponderante na sua iniciação teatral. Em 1930 concluiu o curso e a 16 de outubro de 1931 estreava-se interpretando um papel na peça Leonor Teles, de Marcelino Mesquita.
Trabalhou no teatro, cinema e foi um grande declamador de poesia, a sua maior paixão. Era um actor ecléctico, pois além do teatro clássico também se dedicou ao teatro de revista. Fez várias digressões a África e ao Brasil, onde esteve sete vezes. Nos últimos anos, aos domingos, tinha um programa na RTP, onde declamava poesia e contava histórias curiosas do mundo cultural. Num desses episódios referiu que o seu amigo António Botto o apresentou a Fernando Pessoa, encontro que muito o impressionou.
Villaret era diabético, mas era avesso a tratamentos e dietas. Em 1958, quando esteve em Nova Lisboa, consultou um calista que, ao extrair-lhe uma calosidade, lhe provocou uma ferida num pé, o que viria a ter consequências funestas.
Morreu a 21 de janeiro de 1961, aos 47 anos, no Hospital da CUF, sito na Travessa do Castro, n.º 3, freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, vítima de nefrite crónica (insuficiência renal).
Depois de frequentar o Conservatório Nacional de Teatro, começou por integrar o elenco da companhia de teatro lisboeta Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro.
Mais tarde, fez parte da companhia teatral Os Comediantes de Lisboa, fundada em 1944 por António Lopes Ribeiro e o seu irmão Francisco Ribeiro, mais conhecido por Ribeirinho.
Teve uma interpretação considerada antológica na peça Esta Noite Choveu Prata, de Pedro Bloch, em 1954, no extinto Teatro Avenida, em Lisboa.
O Pai Tirano, de António Lopes Ribeiro (1941), numa breve aparição, como pedinte mudo e cego;
Inês de Castro, de Leitão de Barros (1945), onde representa Martin, o bobo;
Camões, de Leitão de Barros (1946);
Três Espelhos, de Ladislao Vadja (1947), onde representa o inspector;
Frei Luís de Sousa, de António Lopes Ribeiro (1950), no papel de criado;
O Primo Basílio, de António Lopes Ribeiro (1959).
Nos anos 1950, com o aparecimento da televisão, transpõe para este meio de comunicação a experiência que adquirira no palco e em cinema, assim como em programas radiofónicos. Aos domingos, pelas 20 horas, declamava na RTP, com muita graça e paixão, poemas dos maiores e mais diversificados autores nacionais.
Ficaram célebres, entre outras, as suas interpretações de:
Procissão, de António Lopes Ribeiro (1955);