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João do Reino Unido

Príncipe do Reino Unido (1905–1919)

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João do Reino Unido (nome pessoal em inglês: John Charles Francis) (Sandringham, 12 de julho de 1905 - 18 de janeiro de 1919) foi o mais novo dos seis filhos do rei Jorge V do Reino Unido e de sua esposa, a rainha Maria de Teck. À época do seu nascimento, seu pai era o Príncipe de Gales e herdeiro do rei Eduardo VII. Com a ascensão de Jorge V, em 1910, João passou a ocupar o quinto lugar na linha de sucessão ao trono britânico.

Em 1909, João foi diagnosticado com epilepsia e acreditava-se também que sofresse de algum tipo de deficiência intelectual, possivelmente autismo. À medida que sua condição se deteriorava, ele foi enviado para a Sandringham House, sendo mantido longe dos olhos do público. Lá, ele era cuidado por sua governanta, "Lala" Bill, e fez amizade com as crianças locais, selecionadas por sua mãe para servir-lhe de companhia. Foi também nessa residência que o príncipe morreu, em 1919, após uma grave crise convulsiva, sendo sepultado na vizinha igreja de Santa Maria Madalena. O público em geral só tomou conhecimento de sua doença após sua morte.

A reclusão à qual João foi submetido foi posteriormente usada como evidência da desumanidade da família real. No entanto, os registros mostram que, de certa forma, o príncipe recebia dos pais mais atenção que os irmãos e que sua mãe era particularmente amorosa e atenciosa com ele.

João nasceu na York Cottage (na propriedade de Sandringham), em 12 de julho de 1905. Era o sexto filho (quinto varão) de Jorge Frederico, Príncipe de Gales e de Maria de Teck. Chamado informalmente de "Johnny", seu nome estava associado a eventos infelizes para a família real. Como neto do monarca britânico pela linha masculina e filho do príncipe de Gales, ele recebeu desde o nascimento o tratamento formal de "Sua Alteza Real o Príncipe João de Gales".

João foi batizado em 3 de agosto na Igreja de Santa Maria Madalena, em Sandringham, tendo como oficiante o reverendo John Neale Dalton. Seus padrinhos foram o rei Carlos I de Portugal (seu primo em terceiro grau, representado pelo Príncipe de Gales), o Duque de Esparta (seu primo em primeiro grau), o príncipe Carlos da Dinamarca (seu primo em primeiro grau e tio pelo casamento, representado pelo Príncipe de Gales), o príncipe João de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg (seu tio-bisavô, representado pelo Príncipe de Gales), Alexandre Duff, 1° Duque de Fife (seu tio pelo casamento, representado pelo Príncipe de Gales), a Duquesa de Esparta (sua prima em primeiro grau, representada por sua tia, a princesa Vitória) e a princesa Alice, Condessa de Athlone (sua prima em primeiro grau, representada pela princesa Vitória).

João passou muitos dos seus primeiros anos em Sandringham com seus irmãos - príncipe Eduardo (chamado familiarmente de David), príncipe Alberto, princesa Maria, príncipe Henrique e príncipe Jorge -, sob os cuidados de sua babá Charlotte "Lala" Bill. Apesar de ser um severo disciplinador, o Príncipe de Gales foi, todavia, afetuoso com seus filhos. A princesa Maria também era muito próxima dos pequenos príncipes e os encorajava a confiar nela. Em 1909, a tia-avó de João, a czarina-viúva da Rússia escreveu ao seu filho, o czar Nicolau II, dizendo que "as crianças de Jorge são muito agradáveis​​... Os menores, Jorge e Johnny, são encantadores e muito divertidos..." A condessa de Athlone descreveu João como "muito singular e uma noite, quando tio Jorge retornou da caça e inclinou-se sobre tia May e beijou-a, ouviram Johnny falar consigo mesmo: 'Ela beijou Papá, velho feio!'" Jorge disse certa vez ao presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que "todos os [seus] filhos [eram] obedientes, exceto João." - aparentemente porque somente João, entre os filhos de Jorge, escapava da punição paterna.

Apesar de ser um "grande e bonito" bebê, por volta de seu quarto aniversário João tornou-se "cativante" e "aflitivamente lento". Nesse mesmo ano, ele sofreu sua primeira crise epilética e mostrou sinais de dificuldades de aprendizado, possivelmente por autismo. Com a morte de seu avô, em 1910, e a ascensão de seu pai ao trono britânico, o menino passou a ser formalmente chamado de "Sua Alteza Real o Príncipe João". Ele não compareceu à cerimônia de coroação de seus pais, em 22 de junho de 1911, pois considerou-se que seria muito arriscado para a saúde. Entretanto, os críticos afirmaram que a família real temia que sua reputação pudesse ser prejudicada por algum incidente envolvendo o príncipe. Embora João não fosse considerado "apresentável para o mundo exterior", Jorge V demonstrava interesse por ele, cercando-o de "carinho e atenção".

Durante sua permanência em Sandringham, João exibia um comportamento repetitivo, o que seria um dos sinais do autismo. É possível que seja esta a razão para seu constante mau comportamento: "ele simplesmente não entendia que precisava [se comportar]". No entanto, sempre se esperou que seus ataques pudessem diminuir com tempo - seu tio-avô, o príncipe Leopoldo, Duque de Albany, viveu até a idade adulta com epilepsia. Contrariando a crença de que ele era mantido afastado dos olhos do público desde a tenra idade, João era visto com frequência até depois do seu aniversário de onze anos, demonstrando que foi, durante a maior parte de sua vida, um "membro pleno da família".

Em 1912, o príncipe Jorge, que tinha idade mais próxima de João, iniciou seus estudos na escola preparatória St Peter's Court, em Broadstairs. No verão seguinte, o jornal The Times informou que João não seguiria para Broadstairs para o período letivo e que seus pais não haviam decidido se enviariam o príncipe à escola. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, João raramente via seus pais - sempre ausentes em funções oficiais - ou seus irmãos - que estavam no colégio interno ou servindo as forças armadas. Assim, o menino foi paulatinamente desaparecendo dos olhos do público e não há retratos oficiais dele após 1913.

Em 1916, quando suas crises tornaram-se mais frequentes e graves, João foi enviado para viver na Wood Farm, com sua governanta. Apesar de manter algum interesse no mundo ao seu redor e ser capaz de expressar um pensamento coerente, sua falta de progresso intelectual levou à demissão do último de seus tutores e ao término de sua educação formal. Os médicos alertaram que ele provavelmente não chegaria à idade adulta.

Na Wood Farm, João tornou-se "um satélite com sua própria e pequena família numa afastada fazenda na propriedade de Sandringham (...) Os hóspedes de Balmoral lembram-se dele durante a Grande Guerra como alto e forte, mas sempre uma figura distante, vislumbrado ao longe na floresta, escoltado por seus próprios serviçais." Sua avó, a rainha Alexandra, mantinha um jardim na Sandringham House especialmente para ele e este tornou-se "um dos grandes prazeres de sua vida [de João]."

Após o verão de 1916, João raramente foi visto fora da propriedade de Sandringham e passou aos cuidados exclusivos de sua governanta. Depois que a rainha Alexandra escreveu que "[João] tem muito orgulho de sua casa, mas sente falta de um companheiro", a rainha Maria rompeu com a prática real de trazer crianças das redondezas para brincar com João. Uma delas foi Winifred Thomas, uma jovem de Halifax que havia sido enviada para morar com os tios (que trabalhavam nos estábulos reais de Sandringham), na esperança de melhorar da asma. João e Winifred haviam se conhecido antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial e nessa época eles se reaproximaram, fazendo caminhadas juntos e trabalhando no jardim da rainha Alexandra. João também brincava com seus irmãos mais velhos quando estes o visitavam. Certa vez, numa dessas visitas, o príncipe Eduardo "levou-o para uma corrida em uma espécie de carrinho de mão e ambos sumiram de vista."

Como as crises de João se intensificaram (conforme relato posterior de sua governanta) "nós não [ousamos] deixá-lo com seus irmãos e irmã porque os angustiava demais, com as crises ficando piores e tão frequentes." O biógrafo Denis Judd acredita que "a reclusão [de João] e a 'anormalidade' devem ter sido perturbadores para seus irmãos e irmã", pois ele havia sido "um garotinho simpático, extrovertido, muito amado por seus irmãos e irmã, uma espécie de mascote para a família." Ele passava o dia de Natal com sua família, na Sandringham House, mas era levado de volta para Wood Farm à noite.

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