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Joana de Acre

Joana de Acre (em inglês: Joan; Acre, abril de 1272 – Castelo de Clare, 23 de abril de 1307) foi uma princesa de Ingla

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Joana de Acre (em inglês: Joan; Acre, abril de 1272 – Castelo de Clare, 23 de abril de 1307) foi uma princesa de Inglaterra por nascimento. Ela foi condessa de Hertford e Gloucester pelo seu primeiro casamento com Gilberto de Clare, 7.° Conde de Gloucester. Após enviuvar, casou-se secretamente com o escudeiro Ralf de Monthermer.

Joana também é conhecida pelos supostos milagres que teriam ocorrido no local de seu enterro.

Joana foi a quinta filha e sétima criança nascida do rei Eduardo I de Inglaterra e de sua primeira esposa, Leonor de Castela.

Os seus avós paternos eram o rei Henrique III de Inglaterra e Leonor da Provença. Os seus avós maternos eram o rei Fernando III de Castela e Joana de Dammartin.

Por parte de pai e mãe teve quinze irmãos, entre eles: Afonso, Conde de Chester, Leonor, Condessa de Bar, Margarida, Duquesa de Brabante, Maria de Woodstock, Isabel de Rhuddlan, e o mais novo era o rei Eduardo II de Inglaterra.

Do segundo casamento do pai com Margarida de França, ela teve mais três meio-irmãos, Tomás de Brotherton, 1.º Conde de Norfolk, Edmundo de Woodstock, 1.º Conde de Kent e Leonor.

Joana nasceu na primavera de 1272 na cidade do Acre, à época parte do Reino de Jerusalém, um estado cruzado, enquanto os seus pais participavam da Nona Cruzada. É possível que ela tenha recebido o seu nome em homenagem à avó materna, no entanto, outra hipótese é de que a princesa tenha sido chamada assim para honrar a sua madrinha, Joana de Munchensi, Condessa de Pembroke, filha do famoso Guilherme Marshal, 1.º Conde de Pembroke.

Eduardo ainda não era rei nessa época, pois o seu pai, Henrique III, ainda estava vivo. O casal havia chegado à Palestina em maio de 1271, mesma data de nascimento da irmã de Joana, cujo nome não foi registrado, e que morreu pouco tempo após nascer. Devido a uma tentativa frustrada de assassinato contra Eduardo, contudo, eles permaneceram na região por mais alguns meses.

Eduardo e Leonor partiram da Palestina apenas em setembro, viajando para a Sicília e Espanha, antes de passar o natal no Itália. Foi lá que mensageiros chegaram com a notícia da morte do rei Henrique III em novembro, o que significava que Eduardo agora era o rei da Inglaterra. Contudo, ao invés de partir imediatamente para o seu país, Eduardo e Leonor continuaram sua viagem, finalmente chegando na França, onde deixaram a bebê com a mãe de Leonor, a rainha viúva Joana de Dammartin, Condessa de Ponthieu. Foi na França onde nasceu mais um filho, desta vez Afonso, Conde de Chester, em 1273. O casal real apenas voltou para a Inglaterra em 2 de agosto de 1274.

Joana viveu por vários anos em Ponthieu, sendo educada por um bispo, e mimada pela avó indulgente. Joana era livre para brincar pelas colinas cobertas de trepadeiras que cercavam a casa da avó, embora ela necessitasse de vigilância cuidadosa. Em junho ou julho de 1274, enquanto retornavam para a Inglaterra, o rei a rainha pararam em Ponthieu, onde Joana estava.

Mesmo com a filha longe, Eduardo já se preparava para arrumar um casamento que lhe fosse politicamente vantajoso. Quando ele achou o candidato perfeito, em 1276, Joana ainda tinha entre quatro e cinco anos de idade. Ele era Hartman, filho do rei Rodolfo I da Germânia e de sua primeira esposa, Gertrudes de Hohenberg. O seu pai, então, a trouxe para a Inglaterra pela primeira vez para conhecê-lo. Devido à ausência dos pais na infância, quando ela viu os pais novamente, ela ficou maravilhada, e teve um relacionamento bem distante com eles.

Contudo, antes que pudesse casar-se com Hartman, o seu noivo morreu. Um relato diz que ele tinha caído através de um pedaço de gelo enquanto se divertia patinando. Porém, uma carta enviada ao rei declara que o príncipe tinha partido num barco para visitar o seu pai em meio a uma terrível neblina, e o barco bateu contra uma rocha, afogando o jovem. Outra fonte diz que ele pode ter se afogado num naufrágio, em dezembro de 1281, no rio Reno, indo ao encontro da noiva.

No final da década de 1270, foi permitido à Joana, sua irmã mais velha, Leonor, e seu irmão mais novo, Afonso, acompanhar a corte real itinerante, pelo menos durante algumas partes do ano. Eles poderiam participar das celebrações de Páscoa e Natal, enquanto que os seus irmãos mais novos permaneciam no berçário real.

Joana tinha uma personalidade independente e obstinada, algo compartilhado com suas irmãs. Durante a ausência dos pais na Gasconha, quando Joana era uma adolescente, ele se envolveu numa disputa com o tesoureiro da sua casa, e se recusou a aceitar dinheiro dele. Por isso, Eduardo I teve de pagar as dívidas da filha quando voltou para a Inglaterra.

Não demorou muito para Eduardo encontrar o próximo noivo, que acabou por ser Gilberto de Clare, filho de Ricardo de Clare, 6.° Conde de Gloucester e de Matilde de Lacy. Ele foi a sua primeira escolha. Gilberto, que era quase 30 anos mais velho do que Joana, e cujo primeiro casamento foi anulado em 1285. Sua primeira esposa era Alice de Lusinhão, uma neta de Isabel de Angolema, mãe de Henrique III pelo seu primeiro casamento com João de Inglaterra, sendo portanto a avó de Eduardo I, e Alice a sua prima. Gilberto era conhecido como o Vermelho, devido à seu temperamento irascível além da cor de seu cabelo.

Para que o casamento seguisse em frente, contudo, o conde teve de desistir de suas terras, com a concordância do rei de que Gilberto as teria de volta quando ele se casasse com a filha, que também passaria a ser dona das terras, além do futuros filhos do casal as herdaram (de tal maneira excluindo os filho do primeiro casamento do conde), assim como teve de pagar um dote de 2.000 marcos de prata. Quando as negociações foram concluídas, Joana apenas tinha 12 anos.

O conde ficou apaixonado por Joana, e mesmo que ela fosse obrigada a se casar, independentemente do que sentisse em relação a isso, ele tentou conquistá-la, tendo lhe presenteado com roupas e presentes caros. Uma dispensa papal foi concedida em 16 de novembro de 1289, e o casamento aconteceu em 30 de abril de 1290, na Abadia de Westminster, em Londres. A noiva tinha apenas 18 anos, e o noivo, 46. Apenas compareceram na cerimônia o rei e a rainha, sua irmã mais velha, Leonor, as irmãs mais novas Margarida e Isabel, e o seu irmão mais novo, o futuro Eduardo II. Os vestidos usados pela noiva e as irmãs não eram novos, porém, um alfaiate trabalhou nove dias neles; para completar foram encomendados para noiva, em Paris, uma grinalda feita de rubis e esmeraldas, e um cinto de ouro também com rubis e esmeraldas. A princesa doou 3 xelins como oferenda na missa no dia do casamento, e as outras três princesas, cada uma, deu um xelim para viúvas em forma de esmolas. Em seguida, a festa de casamento foi feita num salão temporário construído na Abadia de Westminster para a ocasião. Um dos convidados se divertiu tanto que, de algum modo, ele foi capaz de quebrar várias mesas no banquete.

Logo após o casamento, Joana e Gilberto deixaram a corte sem permissão do rei, e foram para o castelo do conde, em Tonbridge, em Kent. Como retribuição pelo comportamento que desaprovavam, Eduardo e Leonor confiscaram sete robes que foram feitos para Joana, e os deram para a outra filha Margarida, que, dali a pouco tempo, se casaria com o duque João II de Brabante.

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