Neste Dia

John Donne

Poeta

Anúncio

John Mayra Donne (1572 – 31 de março de 1631) foi um poeta jacobita inglês, pregador e o maior representante dos poetas metafísicos da época. Sua obra é notável por seu estilo sensual e realista, incluindo-se sonetos, poesia amorosa, poemas religiosos, traduções do latim, epigramas, elegias, canções, sátiras e sermões. Sua poesia é célebre por sua linguagem vibrante e metáfora engenhosa, especialmente quando comparada à poesia de seus contemporâneos.

Apesar de sua boa educação e seu talento para a poesia, viveu na pobreza por muitos anos, contando demasiadamente com amigos mais ricos. Em 1615, tornou-se um pastor anglicano e, em 1621, foi nomeado deão da Catedral de São Paulo, em Londres. Alguns estudiosos acreditam que as obras literárias de Donne refletem as seguintes tendências: poesia amorosa e sátiras quando era mais jovem e sermões religiosos em sua velhice. Outros estudiosos, tais como Helen Gardner, questiona a validade desta periodização, pois muitos de seus poemas foram publicados postumamente (1633). Exceção feita a Anniversaries, que foi publicado em 1612 e Devotions upon Emergent Occasions, publicado em 1623. Seus sermãos também são datados, algumas vezes de forma específica, informando dia, mês e ano.

John Donne nasceu em Londres, Inglaterra, em 1571 ou 1572; o biógrafo John Stubbs salienta que, embora se saiba que Donne nasceu entre janeiro e junho, o ano é incerto devido à confusão entre os dados do estilo antigo e do estilo novo. Foi o terceiro de uma família de seis filhos. Seu pai, de ascendência galesa e também chamado John Donne, era administrador da Ironmongers Company na cidade de Londres e um respeitável católico, o qual evitava a atenção indesejável do governo, evitando ser perseguido por seu catolicismo.. O pai de John Donne morreu em 1576, deixando para sua esposa, Elizabeth Heywood, a responsabilidade de criar seus filhos.

Elizabeth, também proveniente de uma célebre família católica, era a filha de John Heywood, o dramaturgo, e irmã de Jasper Heywood, o tradutor e jesuíta. Ela era sobrinha-neta do mártir católico Thomas More. Essa tradição de martírio continuaria entre os parentes mais próximos de John Donne, sendo muitos deles executados ou exilados por razões religiosas. Apesar dos perigos óbvios, a família de Donne arranjou para que recebesse educação religiosa, a qual lhe conferiu um conhecimento profundo de sua religião, que o equipou para os conflitos ideológico-religiosos de sua época. Elizabeth Donne casou-se, poucos meses depois da morte de seu marido, com o Dr. John Syminges, um viúvo rico com três filhos. No ano de 1577, Elizabeth, irmã de John Donne, morreu, assim como mais outras duas, Mary e Katherine, em 1581.

Donne foi um estudante na Hart Hall, agora conhecida como Hertford College, Oxford, a partir dos 11 anos. Três anos depois, foi admitido na Universidade de Cambridge, onde estudou por mais três anos. Ele foi incapaz de obter o diploma em ambas as universidades, porque recusou-se a fazer o Juramento de Supremacia exigido dos formandos. Em 1591, Donne foi aceito como estudante na escola legal de Thavies Inn, uma das Inns of Chancery em Londres. Em 1592, foi admitido na Lincoln’s Inn, uma das Inns of Court. Seu irmão Henry era, também, um aluno antes de sua prisão em 1593 por abrigar um padre católico. Henry morreu na prisão de peste bubônica, fazendo com que John Donne começasse a questionar sua fé no catolicismo.

Durante e depois de seus estudos, Donne gastou uma boa parte de sua herança com mulheres, literatura, hobbies e viagens. Embora não haja qualquer registro informando precisamente para onde viajou, sabe-se que visitou o continente europeu e, mais tarde, lutou junto com o Conde de Essex e Sir Walter Raleigh contra os espanhóis em Cádiz (1596) e em Açores (1597), testemunhando a derrota da nau almirante espanhola São Felipe e sua tripulação. De acordo com Izaak Walton, quem escreveu a biografia de Donne em 1640:

Aos 25 anos, encontrava-se bem preparado para a carreira diplomática, a qual parecia almejar. Foi nomeado secretário de Sir Thomas Egerton, 1º Visconde de Brackley e Lorde Guardião do Grande Selo, estabelecendo-se na casa de Egerton em Londres, York House, Strand, próxima ao Palácio de Whitehall, o maior centro social e inflente da Inglaterra naquela época. Durante os quatro anos seguintes, Donne apaixonou-se pela sobrinha de Egerton, Anne More, uma menina de 17 anos (alguns dizem que tinha 16 ou 14 anos), casando-se secretamente em 1601 contra o desejo tanto de Egerton quanto de seu pai, George More, Tenente da Torre. Este passo arruinou sua carreira, custando-lhe um pequeno período na Prisão de Fleet junto com o padre que os casou e o homem que servira como testemunha no casamento. Donne foi solto quando o casamento foi provado válido, assegurando a soltura dos outros dois também. Walton nos diz que, quando escreveu a sua esposa a fim de dizer-lhe sobre a perda de seu posto, ele escreveu após seu nome: John Donne, Anne Donne, Un-done. Donne conseguiu reconciliar-se com seu sogro no ano de 1609, recebendo o dote de sua esposa.

Após sua soltura, Donne teve de aceitar uma vida calma e interiorana em Pyrford, Surrey. Nos anos seguintes, viveu com dificuldades exercendo o ofício de advogado, dependendo do primo de sua esposa, Sir Francis Wolly, que albergava a ele, sua esposa e filhos. Como Anne Donne tinha um filho praticamente a cada ano, foi um gesto generoso da parte de seu primo.

Embora exercesse a advocacia e trabalhasse como panfletário assistente do bispo Thomas Morton, estava em um estado de constante insegurança financeira, tendo que cuidar de uma família sempre em crescimento. Antes de sua morte, Anne deu-lhe onze filhos (incluindo-se os que nasceram mortos). Os nove que viveram receberam os seguintes nomes: Constance, John, George, Francis, Lucy (em homenagem a protetora de Donne, Lucy, Condessa de Bedford, sua madrinha), Bridget, Mary, Nicholas e Margaret. Francis e Mary morreram antes de completarem dez anos de idade. Em desespero, John percebeu que a morte de uma criança significaria uma boca a menos para alimentar, mas não tinha como pagar as custas do enterro. Durante esse período, Donne escreveu, mas não publicou, Biathanatos, sua ousada defesa do suicídio.

Os primeiros poemas de Donne mostravam um brilhante conhecimento da sociedade inglesa, em conjunto com uma crítica sutil de seus problemas. Suas sátiras baseavam-se em tópicos elisabetanos, tais como corrupção no sistema legal, poetas medíocres, e pomposos homens da corte, sobressaindo devido a sua sofisticação intelectual e extraordinária figura de retórica. Suas imagens de doença, vômito, estrume e peste o ajudaram na criação de um forte mundo satírico, povoado por todos os idiotas e velhacos da Inglaterra. Sua terceira sátira, entretanto, fala sobre a problemática da verdadeira religião, um assunto de grande importância para Donne. Ele argumenta que seria melhor examinar cuidadosamente a convicção religiosa de alguém, do que seguir cegamente qualquer tradição estabelecida, pois ninguém seria salvo no Juízo Final apenas por dizer que "um tal Harry ou Martin me ensinou isso".

O início da carreira de Donne também foi notável no que se refere a sua poesia erótica, especialmente suas elegias, nas quais empregou metáforas não convencionais, tal como "uma pulga mordendo dois amantes" relacionando com "sexo". Em sua Elegia XIX, To His Mistress Going to Bed, ele praticamente despe sua amante e comparou as carícias à exploração da América. Na Elegia XVIII, ele compara a lacuna entre os seios de sua amante com o Helesponto. Donne não publicou esses poemas, embora permitisse que os mesmos circulassem largamente na forma de manuscrito. Um desses manuscritos, até então desconhecido, que se acredita ser uma das maiores coleções contemporâneas da obra de Donne (entre outras), foi encontrado em Melford Hall em novembro de 2018.

Como a poesia amorosa estava na moda àquela época, há diferentes opiniões sobre se os poemas de amor que Donne escreveu eram endereçados a sua esposa Anne, mas é provável que sim. Ela passou a maior parte de seu casamento ou grávida ou cuidando das crianças, o que se supõe tivessem uma grande atração física. Em 15 de agosto de 1617, sua esposa morre cinco dias depois de dar à luz um bebê morto em seu ventre; seu décimo segundo filho em um casamento de dezesseis anos. Donne sofreu muito com sua morte e escreveu a obra Holy Sonnets. Ele nunca se casou novamente, o que era bastante incomum para a época, especialmente porque tinha uma grande família para cuidar.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
John Donne | World in Stories