John Milton Hay (Salem, 8 de outubro de 1838 – Newbury, 1 de julho de 1905) foi um escritor, diplomata e político estadunidense que serviu como o 37º Secretário de Estado dos Estados Unidos de 1898 até sua morte, durante as presidências de William McKinley e seu sucessor Theodore Roosevelt. Anteriormente tinha atuado como embaixador norte-americano no Reino Unido entre 1897 e 1898. Hay também escreveu vários livros durante sua vida, incluindo biografias, poesias e outros tipos de obras.
Hay nasceu em Indiana dentro da uma família abolicionista, mudando-se para Warsaw em Illinois enquanto ainda era pequeno. Ele demonstrou grande potencial nos estudos e assim sua família o matriculou na Universidade Brown. Se formou em 1858 e foi estudar direito no escritório de seu tio em Springfield, que ficava ao lado daquele de Abraham Lincoln. Hay trabalhou para Lincoln durante sua campanha presidencial em 1860 e se tornou um de seus secretários particulares na Casa Branca. Hay ficou próximo de Lincoln durante a Guerra de Secessão e esteve ao lado de seu leito de morte depois do presidente ter sido baleado em 1865. Ele posteriormente trabalhou com o autor John George Nicolay para escrever uma enorme biografia de Lincoln.
Hay passou vários anos em cargos diplomáticos pela Europa imediatamente após o assassinato de Lincoln. Em seguida trabalhou para o jornal New-York Tribune com os editores Horace Greeley e Whitelaw Reid. Ele permaneceu ativo politicamente e entre 1879 e 1881 trabalhou como Secretário de Estado Assistente nas presidências de Rutherford B. Hayes e James A. Garfield. Hay retornou para a iniciativa privada depois disso até ser nomeado em 1897 como embaixador no Reino Unido pelo presidente William McKinley, quem ele tinha apoiado na eleição de 1896. No ano seguinte foi nomeado para ser o Secretário de Estado.
Atuou por quase sete anos como o Secretário de Estado, primeiro sob McKinley e em seguida, após o assassinato deste, sob seu sucessor Theodore Roosevelt. Hay foi o responsável por negociar a Política de Portas Abertas, que manteve a China aberta para comércio com qualquer país igualitariamente. Além disso, negociou o Tratado Hay-Pauncefote com o Reino Unido, o não-ratificado Tratado Hay-Herran com a Colômbia e o Tratado Hay-Bunau-Varilla com o recém-independente Panamá que permitiu a construção do Canal do Panamá pelos Estados Unidos. Hay morreu no cargo em julho de 1905 aos 66 anos de idade.
John Milton Hay nasceu na cidade de Salem, estado de Indiana, Estados Unidos, no dia 8 de outubro de 1838. Era o terceiro filho do doutor Charles Hay com sua esposa Helen Leonard. Charles Hay tinha nascido em Lexington, no Kentucky, porém odiava a escravidão e assim se mudou para o norte no início da década de 1830, estabelecendo-se como médico em Salem. David Leonard, pai de Helen, queria se mudar com sua família em 1818 do oeste para Assonet, em Massachusetts, porém morreu no caminho enquanto estava em Vincennes, Indiana, com Helen se mudando para Salem em 1830 para trabalhar como professora. Charles e Helen se casaram em 1831. Charles não foi bem-sucedido em Salem e mudou-se em 1841 com sua esposa e filhos para Warsaw, em Illinois.
John Hay estudou em várias escolas locais e em 1849 seu tio Milton Hay o convidou para morar em sua casa Pittsfield, podendo estudar na Academia John D. Thomson, uma escola conceituada. Milton era amigo de Abraham Lincoln, um advogado de Springfield, tendo inclusive estudado direito junto com Lincoln. Hay conheceu John George Nicolay em Pittsfield, que na época era um jornaleiro com vinte anos de idade. Hay completou seus estudos quando tinha treze anos de idade e então foi enviado para morar com seu avô em Springfield e estudar lá. Depois disso seus pais e Milton o enviaram para estudar na Universidade Brown em Providence, Rhode Island, alma mater de seu avô materno.
Estudante e apoiador de Lincoln
Hay se matriculou na Brown em 1855. Ele gostava da vida na faculdade, mas ela não era fácil: suas roupas e sotaque do oeste o destacavam, ele não estava bem preparado academicamente e ficava doente com frequência. Hay mesmo assim ganhou a reputação de excelente estudante e tornou-se membro do círculo literário de Providence, que incluía Sarah Helen Whitman e Nora Perry. Ele escreveu poesias e experimentou haxixe. Se formou em 1858 com um mestrado em artes e foi, assim como seu avô, o Poeta da Classe. Hay voltou para Illinois. Milton tinha mudado seu escritório para Springfield, assim Hay tornou-se seu escriturário e também começou a estudar direito com o tio.
O escritório de advocacia de Milton Hay era um dos mais prestigiados de Illinois. Lincoln tinha seu escritório de advocacia bem ao lado e era uma das estrelas em ascensão do recém-criado Partido Republicano. Hay, anos depois, lembrou-se de um dos seus primeiros encontros com Lincoln:
Hay só passou a apoiar Lincoln para presidente depois deste ter sido indicado pelo Partido Republicano para concorrer na eleição de 1860. Hay então fez discursos e escreveu artigos em jornais promovendo a candidatura de Lincoln. Nicolay, que tinha se tornado secretário particular da Lincoln na campanha, em determinado momento achou que precisava de ajuda com as enormes quantidades de correspondência, assim Hay passou a trabalhar em tempo integral para Lincoln por seis meses.
Nicolay continuou trabalhando como o secretário particular de Lincoln depois deste ter sido eleito, mas recomendou que Hay fosse contratado também para ajudá-lo na Casa Branca. Lincoln supostamente disse que "Nós não podemos levar toda Illinois conosco para Washington", mas então falou "Bem, deixem Hay vir". Os historiadores Howard I. Kushner e Anne Hummel Sherrill duvidam dessa "história da nomeação improvisada de Hay por Lincoln" pois se encaixa muito bem com a autoimagem que Hay cultivava de nunca ter ido atrás de cargos públicos, mas se encaixa "muito mal nas realidades políticas de Springfield na década de 1860"; a verdade é que Hay possivelmente tinha expectativa de alguma recompensa por ter lidado com as correspondências de Lincoln por meses. O biógrafo John Taliaferro sugeriu que Lincoln preferia manter Nicolay e Hay para ajudá-lo em vez de contratar alguém mais experiente por "lealdade e certamente pela competência e compatibilidade que seus dois jovens ajudantes tinham demonstrado". Já o historiador Joshua Zeitz sugere que Lincoln foi persuadido a contratar Hay quando Milton concordou em pagar o salário do sobrinho por seis meses.
Milton Hay queria que seu sobrinho fosse para Washington como advogado qualificado, com Hay sendo aceito na ordem dos advogados de Illinois em 4 de fevereiro de 1861. Ele partiu com Lincoln no dia 11 de fevereiro para uma tortuosa jornada até Washington. Vários estados sulistas nessa altura já tinham declarado sua secessão dos Estados Unidos para formar os Estados Confederados da América em reação à eleição de Lincoln, que era como um grande oponente da escravidão. Lincoln tomou posse em 4 de março, com Hay e Nicolay mudando-se para a Casa Branca e compartilhando um quarto maltrapilho. Como só havia autoridade para o pagamento de um único secretário presidencial, Nicolay, Hay foi indicado para um posto no Departamento do Interior com salário anual de 1,6 mil dólares, destacado para trabalhar na Casa Branca. Os dois ficavam disponíveis a Lincoln por 24 horas ao dia. Lincoln nunca tirou férias como presidente e tralhava sete dias por semana, frequentemente até as onze da noite ou até mesmo mais tarde durante batalhas cruciais, assim o trabalho sobre seus secretários era enorme.
Hay e Nicolay dividiam responsabilidades, com Nicolay ajudando Lincoln em seu escritório e em reuniões, enquanto Hay lidava com a correspondência, que era volumosa. Ambos tentavam proteger o presidente de pessoas atrás de cargos públicos e outros que queriam se encontrar pessoalmente com ele. Diferentemente de Nicolay, que era severo, Hay usava seu charme e assim escapou de boa parte de ressentimentos daqueles que tiveram seu acesso a Lincoln barrado pelos secretários. O abolicionista Thomas Wentworth Higginson descreveu Hay como "um jovem simpático, que infelizmente parece ter dezessete e é oprimido pela necessidade de se comportar como se tivesse setenta". Hay continuou a escrever para jornais, mas anonimamente, enviando colunas calculadas para fazer Lincoln parecer um homem tomado pela tristeza, religioso e competente, que estava sacrificando sua vida e saúde com o objetivo de preservar a União. Taliaferro afirmou que Hay serviu de "propagandista da Casa Branca", explicando e diminuindo derrotas em suas colunas como aquela da Primeira Batalha de Bull Run em julho de 1861.