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John Hinckley Jr.

Tentativa de assassinato de Ronald Reagan (nascido em 1955)

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John Warnock Hinckley Jr. (Ardmore, 29 de maio de 1955) é um cidadão norte-americano que tentou assassinar o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, em 30 de março de 1981, em Washington, D.C. Hinckley realizou o atentado com o objetivo de impressionar a atriz Jodie Foster, pela qual tinha grande obsessão. Ele alegou inocência por razões psicológicas foi mantido sob vigilância médica em um hospital psiquiátrico até 2016, quando foi solto para ser cuidado por sua mãe em casa, já que o tratamento surtiu efeito após 35 anos.

A reação indignada da opinião pública com a decisão da Justiça de inocentá-lo por questões de sanidade, mantendo-o em instituições psiquiátricas ao invés de julgá-lo e enviá-lo para a cadeia, motivou à criação do Insanity Defense Reform Act, uma reforma na lei penal federal com relação à alegada insanidade de acusados de crimes.

John Hinckley Jr nasceu na pequena cidade de Ardmore, no estado americano de Oklahoma e mudou-se com a família para Dallas, no Texas, aos quatro anos de idade. Seu pai, John Warnock Hinckley Sr., um empresário do ramo do petróleo, foi presidente da World Vision nos Estados Unidos e presidente e CEO da Vanderbilt Energy Corporation. Sua mãe era Jo Ann Moore Hinckley. Tem dois irmãos, Diane e Scott, que depois tornou-se vice-presidente da empresa de petróleo do pai.

Após concluir o curso secundário no Texas, Hinckley e sua família se mudaram para Evergreen, no Colorado, onde a nova sede dos negócios petrolíferos do pai foi instalada. Entre 1974 e 1980 ele foi um inconstante aluno da Texas Tech University. Em 1975 foi para Los Angeles na esperança de se tornar um compositor, mas como não teve sucesso, escreveu para seus pais da Califórnia falando de seu infortúnio e pedindo dinheiro. Em setembro de 1976 voltou de vez para a casa dos pais em Evergreen.

Desta época até o início dos anos 80, ele começou a comprar armas e praticar com elas. Também começou a tomar tranquilizantes e antidepressivos.

A motivação de Hinckley por trás do atentado a Reagan foi causada, devido à erotomania, por sua obsessão amorosa pela atriz Jodie Foster, então transformada em estrela mundial pelo filme Taxi Driver, de Martin Scorsese. Quando vivia em Hollywood, no fim dos anos 70, ele assistiu a este filme 15 vezes, aparentemente se identificando fortemente com "Travis Bickle", o personagem principal vivido por Robert De Niro. O enredo do filme mostra as tentativas de "Bickle" de proteger uma prostituta de 12 anos, "Iris", vivida por Foster. Na parte final do filme, "Bickle" tenta assassinar o senador candidato à presidência dos Estados Unidos durante um discurso público.

Nos anos seguintes, Hinckley seguiu Foster por todo o país, chegando ao ponto de se matricular num curso na Universidade de Yale em 1980, após ler um artigo na revista People de que Foster estava estudando lá. Ele escreveu diversas cartas e bilhetes para a atriz, chegando a telefonar-lhes duas vezes e se recusando a desistir quando ela deixou claro que não estava interessada nele.

Convencido de que caso se tornasse uma figura nacional seria considerado por Foster como um igual, ele começou a emular "Bickle" e a perseguir o presidente Jimmy Carter. Hinckley ficou surpreso de como era fácil se aproximar de Carter, chegando a ficar a menos de um metro dele em certa ocasião, mas foi preso em outubro de 1980 no Aeroporto Internacional de Nashville por possessão ilegal de arma da fogo. Apesar de Carter ter feito uma parada na cidade durante a campanha de reeleição, o FBI não ligou esta prisão ao presidente e não avisou ao Serviço Secreto sobre Hinckley.

Depois de um breve período de consultas com um psicanalista por ordem de sua família, Hinckley passou a voltar sua atenção para o recém-eleito presidente Ronald Reagan, cuja eleição, segundo disse aos seus pais, seria boa para o país. Em março de 1981, poucos dias antes do atentado, ele escreveu mais três bilhetes para Foster em Yale, que os entregou ao reitor; os bilhetes foram repassados à polícia da Universidade, mas ela não conseguiu localizá-lo.

Um dos bilhetes enviados à Foster, poucos dias antes do atentado, dizia:

Nos últimos sete meses eu tenho lhe enviado dúzias de poemas, cartas e mensagens de amor na tênue esperança de que você pudesse se interessar por mim. Apesar de ter falado com você no telefone por duas vezes, nunca tive a coragem de me aproximar e me apresentar. Eu estou indo em frente com isto agora porque eu não posso mais esperar para impressioná-la.

Em 30 de março de 1981, hora local 14h25, Hinckley atirou seis vezes contra o presidente Reagan na saída do Hotel Hilton em Washington D.C., onde o presidente acabava de realizar uma palestra para a AFL-CIO. Hinckley usou um revólver Röhm RG-14 calibre 22 para cometer o atentado. Além de ferir Reagan no peito, ele feriu mais três pessoas, um policial, o agente do Serviço Secreto Tim McCarthy e o secretário de imprensa da Casa Branca James Brady, atingido seriamente na cabeça.

Hinckley não conseguiu atingir Reagan diretamente, mas um dos tiros disparados ricocheteou na lataria blindada do carro presidencial e atingiu o presidente no peito. Ele não tentou fugir e foi preso no ato. Todas as vítimas do atentado sobreviveram, mas Brady ficou paralítico do lado esquerdo do corpo.

Julgado em 1982 por treze acusações incluindo tentativa de homicídio, Hinckley foi considerado inocente por razões de insanidade mental em 21 de junho. Psiquiatras da defesa alegaram ser o réu mentalmente incapacitado enquanto os da acusação o consideravam são. O júri decidiu pela primeira argumentação. Ele foi então confinado no St. Elizabeths Hospital, um hospital psiquiátrico da capital norte-americana.

O veredito do júri causou uma revolta generalizada na opinião pública americana. Como resultado, o Congresso dos Estados Unidos e vários estados da Federação reescreveram as leis relativas à defesa legal de insanidade mental. Os estados de Idaho, Montana e Utah aboliram este tipo de defesa de seu aparato legal. Nos Estados Unidos, antes do caso de Hinckley, menos de 2% dos casos de felonia tiveram essa alegação e 75% deles foram mal sucedidos como defesa dos réus. Os pais de Hinckley escreveram um livro, Breaking Points, sobre a condição mental do filho.

Como outra consequência do resultado do julgamento, uma grande mudança feita na legislação federal e de vários estados, é a de que não mais a acusação precisa provar a incapacidade do réu, mas a defesa, e através de métodos científicos e não apenas do testemunho de psiquiatras. Vincent Fuller, o advogado de defesa de Hinckley, alegou que seu paciente era esquizofrênico. Ele havia sido diagnosticado com desordens de personalidade narcisista e esquizóide e portador de disritmia, assim como viver permanentemente numa fronteira psicológica entre a agressividade e a passividade.

Um ano depois do atentado, Hinckley escreveu que ele foi "a maior oferta de amor da história do mundo. Todos hoje sabem sobre John e Jodie. Eu sou Napoleão e ela Josephine. Eu sou Romeu e ela Julieta" e ficou decepcionado porque Foster não foi recíproca em seu amor por ela.

Tratamento no St. Elizabeths Hospital

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