John Kenneth Galbraith (Iona Station, Ontário, 15 de outubro de 1908 – Cambridge, 29 de abril de 2006) foi um consagrado economista, filósofo, cientista político e escritor norte-americano. Politicamente alinhado ao liberalismo americano (ou seja, a esquerda daquele país), e crítico do pensamento econômico conservador, Galbraith foi autor de alguns dos best-sellers de economia e sociologia mais vendidos e lidos da era moderna, tais como o seu O Grande Crash de 1929, A Sociedade Afluente, O Novo Estado Industrial, Capitalismo Americano: O Conceito do Poder Compensatório, A Anatomia do Poder e Economia, Paz e Humor, nos quais direciona críticas intensas a seus pares economistas pelo excesso de matematização e a desconexão da realidade, oferece uma análise crítica da economia de mercado sem regulação estatal.
Galbraith foi um Democrata bastante ativo, participando, como conselheiro, dos governos de John Kennedy, Lyndon Johnson e Bill Clinton e como vice-presidente da Comissão de Preços do governo de Franklin Delano Roosevelt.
As escolas keynesiana e institucionalista foram as duas tradições econômicas que mais influência exerceram sobre Galbraith, muito embora ele costumasse conceder importância a conservadores como Adam Smith e a comunistas como Karl Marx, pela sua relevância histórica. Galbraith também foi presidente da American Economic Association, a principal agremiação de economistas nos EUA.
O economista e cientista político morreu aos 97 anos, em 2006, mesmo ano em que faleceu Milton Friedman, um de seus mais conhecidos adversários.
Galbraith foi cético perante as extravagâncias da "teoria econômica quando não justificadas pelos dados empíricos". Por exemplo, no seu livro intitulado "In The New Industrial State" (1967), afirma que muito poucas indústrias nos Estados Unidos enquadram-se no modelo da concorrência perfeita.
Pensador de rara compreensão, foi assessor econômico do presidente John Kennedy e publicou diversos livros, entre os quais The Affluent Society (A sociedade opulenta), no ano de 1958, em que critica a política econômica dos Estados Unidos. Aposentado como professor universitário em 1957, publicou em 1981 a autobiografia A Life in Our Times: Memoirs (Uma vida em nosso tempo).
Galbraith era filho de canadenses de ascendência escocesa, William Archibald Galbraith e Sarah Catherine Kendall. Nasceu em Iona Station, Ontário, e cresceu em Dutton, Ontário. Seu pai era fazendeiro e professor de escola, e sua mãe era ativista política.
Galbraith licenciou-se pelo Colégio de Agricultura do Ontário, hoje Universidade de Guelph, tendo depois feito o mestrado e doutoramento na Universidade da Califórnia em Berkeley.
Em 1937 se tornou cidadão dos Estados Unidos (nessa época os Estados Unidos e o Canadá não aceitavam a dupla nacionalidade), mas foi homenageado pelo seu país nativo até o fim de sua vida, e suas origens canadenses foram frequentemente citadas.
Durante a Segunda Guerra Mundial Galbraith pertenceu à administração pública, no cargo de vice-diretor do gabinete da administração de preços (deputy head of the Office of Price Administration). No final da guerra foi-lhe pedido que executasse um inquérito sobre o bombardeamento estratégico aliado, que concluiu que ele não teve efeitos e não encurtou a guerra. Após a guerra tornou-se conselheiro da administração do pós-guerra na Alemanha e Japão.
Em 1949 Galbraith foi nomeado professor de economia na Universidade de Harvard. Foi então também editor da revista Fortune.
Foi amigo do presidente John F. Kennedy, por quem foi nomeado embaixador na Índia entre 1961 e 1963, onde teve um papel no apoio econômico ao governo indiano e ao desenvolvimento do país. No país asiático, ajudou a estabelecer uma das primeiras faculdades de ciências de computação no Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur, Uttar Pradesh.
Galbraith morreu aos 97 anos de causas naturais no Hospital Mount Auburn em Cambridge, Massachusetts, depois de duas semanas internado.
Antes mesmo de se tornar presidente da Associação Econômica Americana, Galbraith já era considerado por muitos economistas como um iconoclasta. Isso se deve em parte ao fato de ele ter rejeitado a análise técnica e a modelagem matemática da economia neoclássica por considerá-las divorciadas da realidade. Seguindo Thorstein Veblen, ele acreditava que a atividade econômica não poderia ser destilada em leis invioláveis, mas era, em vez disso, um produto complexo do ambiente cultural e político no qual ocorre. Em particular, ele postulou que fatores importantes, como a separação entre propriedade corporativa e gestão, oligopólio e a influência dos gastos do governo e militares, foram amplamente negligenciados pela maioria dos economistas porque não são passíveis de descrições axiomáticas. Nesse sentido, ele trabalhou tanto na economia política quanto na economia clássica.
Seu trabalho incluiu vários livros best-seller durante as décadas de 1950 e 1960. Sua principal contribuição para o campo da economia é a chamada trilogia do capitalismo americano: The Affluent Society (1958), The New Industrial State (1967) e Economics and the Public Purpose (1973). Escritos em um estilo claro e conciso, eles eram compreensíveis para leigos, não apenas para economistas.
Após se aposentar de Harvard como Professor Emérito Paul M. Warburg de Economia, ele permaneceu no centro das atenções do público continuando a escrever 21 novos livros, além de completar um roteiro em 1977 para uma importante série sobre economia para a televisão da PBS e BBC — The Age of Uncertainty, transmitida em 38 países.
Além de seus livros, ele escreveu centenas de ensaios e vários romances. Entre seus romances, A Tenured Professor alcançou particular aclamação crítica. Galbraith escreveu resenhas de livros, por exemplo, de The Report from Iron Mountain on the Possibility and Desirability of Peace, uma sátira política de 1967, sob o pseudônimo de Herschel McLandress, um nome de um mentor escocês fictício apresentado em Tenured Professor. Ele também usou o pseudônimo Mark Épernay quando publicou The McLandress Dimension em 1963.
Galbraith foi uma figura importante na economia institucional do século XX e forneceu uma perspectiva institucionalista exemplar sobre o poder econômico. Entre seus numerosos escritos, Galbraith apreciava The New Industrial State e The Affluent Society como seus dois melhores. Quanto aos trabalhos posteriores, o economista e amigo de Galbraith, Mike Sharpe, o visitou em 2004, ocasião em que Galbraith deu a Sharpe uma cópia do que seria seu último livro, The Economics of Innocent Fraud. Galbraith confessou a Sharpe que "este é meu melhor livro", uma afirmação que Galbraith fez "um pouco maliciosamente".