John "Jack" Silas Reed (Portland, 22 de outubro de 1887 — Moscou, 19 de outubro de 1920) foi um jornalista, poeta e ativista norte-americano, famoso pelo seu livro Dez dias que abalaram o Mundo, em que relata em primeira-mão os acontecimentos que constituíram a Revolução de Outubro em que os bolcheviques tomaram o poder na Rússia. Foi marido da escritora e feminista Louise Bryant.
John Reed nasceu em 1887 em Portland no Oregon. Por não ser um apreciador da cidade onde nasceu, partiu assim que pôde para a Universidade de Harvard em 1910.
Após a conclusão dos seus estudos embarcou num navio de carga rumo à Europa, tendo passado por Londres, Paris e Madrid. Mais tarde, regressou ao seu país, onde trabalhou como editor numa revista sobre política.
Reed ficou conhecido como jornalista pela sua cobertura das greves de trabalhadores e da Revolução Mexicana. Enquanto cobria a Primeira Guerra Mundial, na Europa, interessou-se pela Revolução Bolchevique e partiu para a Rússia. Conheceu Lenin e, das suas conversas com ele, fez um livro.
Em Lawrence, Massachusetts, durante uma manifestação dos operários de uma fiação apoiada pelo Partido Socialista, conheceu Bill Haywood. Haywood revelou-lhe que 25 mil operários de uma fábrica na outra margem do rio Hudson, que manifestavam exigindo oito horas de trabalho diário, estavam sendo maltratados pela polícia. Reed juntou-se aos manifestantes, sendo preso durante quatro dias, tendo escrito mais tarde no jornal "The Masses" sobre estes eventos.
No México, em 1914, Pancho Villa liderava uma rebelião de camponeses quando Reed foi enviado como correspondente. Em pouco tempo, tornou-se próximo do líder revolucionário. Os relatos apaixonados de Reed não eram aquilo a que se chama jornalismo objetivo e imparcial, mas ajudaram a espalhar a notícia da revolução.
Reed tinha acabado de regressar aos Estados Unidos, reconhecido como um grande jornalista, quando no Colorado se deu o Massacre de Ludlow, onde mineiros em greve foram abatidos pela Guarda Nacional a mando da família Rockefeller. Esses acontecimentos foram registados no livro "A Guerra do Colorado".
No verão de 1914, quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu na Europa, John Reed escreveu:
"And here are the nations, flying at each other's throats like dogs… and art, industry, commerce, individual liberty, life itself taxed to maintain monstrous machines of death." "(Aqui estão as nações, a se lançar aos pescoços umas das outras como cães… e a arte, a indústria, o comércio, a liberdade individual, a própria vida são taxadas para sustentar monstruosas máquinas de morte.)"
Reed voltou para casa em Portland para ver sua mãe, a qual nunca aprovou suas ideias radicais. Lá, no salão da IWW local, ele escutou um discurso de Emma Goldman. Foi uma experiência. Ela era uma fonte de inspiração daquela geração do feminismo e anarquismo.
Os grandes periódicos de Nova Iorque pressionaram-no para que ele cobrisse a guerra na Europa e Reed concordou em ir à revista The Metropolitan. Ao mesmo tempo ele escreveu um artigo para a revista The Masses. Foi uma guerra de lucros, ele falou. A caminho da Europa, ele estava consciente do luxo do convés da primeira classe e dos três mil italianos no porão. Ele chegou logo na Inglaterra, nos Países Baixos e Alemanha e, então, na França, andando pelos campos de batalha: chuva, lama, cadáveres. O que mais o deprimiu foi o patriotismo exacerbado de ambos os lados, até em alguns socialistas, como H.G. Wells na Inglaterra.
Quando retornou aos EUA após quatro meses, encontrou os radicais Upton Sinclair, John Dewey e Walter Lippmann. Lippmann, novo editor da New Republic, escreveu, em dezembro de 1914, um ensaio: "O Legendário John Reed". Ele definiu a distância entre ele próprio e Reed. "Por temperamento, ele não é um escritor profissional ou repórter. Ele é uma pessoa que gosta de si mesmo". E então Lippmann desferiu o último golpe: "Reed não é imparcial e tem orgulho disso".
Reed voltou para a guerra em 1915, dessa vez para a Rússia, para as vilas queimadas e saqueadas, para o massacre dos judeus pelos soldados do tsar, para Bucareste, Constantinopla, Sofia, depois Sérvia e Grécia. De volta aos EUA, escutou os incessantes discursos sobre os preparativos militares contra "o inimigo," e escreveu para o The Masses que o inimigo para o trabalhador estadunidense eram os 2% da população que recebiam 60% da riqueza nacional. "Nós defendemos que o trabalhador prepare-se para se defender do inimigo. Esse é o nosso preparativo".
Mais tarde, em 1916, John Reed conheceu Louise Bryant em Portland e apaixonaram-se imediatamente. Ela se separou de seu marido e foi morar com Reed em Nova Iorque. Ela era escritora e uma anarquista inconseqüente. Naquele verão, Reed pediu respeito aos sons da guerra nas calmas praias de Provincetown, com Bryant. Há uma fotografia dela deitada na areia, nua e reservada.
Em abril de 1917, Woodrow Wilson pediu que o Congresso declarasse guerra à Alemanha. E John Reed escreveu no The Masses: "A guerra significa histeria coletiva, crucificando os defensores da verdade, sufocando os artistas… Esta não é nossa guerra." Ele testemunhou contra o recrutamento perante o Congresso: "Eu não acredito nesta guerra… Eu não serviria nela."
Quando Emma Goldman e Alexander Berkman foram capturados pelo Draft Act por "conspiração e indução de pessoas a não se registrarem" Reed foi uma testemunha de defesa. Eles foram condenados e presos. Isso aconteceu a milhares de outros estadunidenses que se opuseram à guerra. Os jornais radicais foram banidos, entre eles o The Masses.
Reed afligiu-se pelo modo através do qual as classes trabalhadoras na Europa e EUA estavam sustentando a guerra. Ele continuou a esperar: "Eu não posso desistir da ideia de que fora da democracia nascerá o rico do novo mundo, o desbravador, o libertador, mais bonito".
John Reed era uma figura importante no Partido Socialista nos EUA, sendo determinante para a fundação do Partido Comunista dos Trabalhadores. Esse partido era ilegal e era apenas um de dos partidos que disputavam o apoio do recentemente fundado Communist International (Comintern).