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John Tyler

Político estadunidense, 10° presidente dos Estados Unidos da América

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John Tyler (Condado de Charles City, 29 de março de 1790 – Richmond, 18 de janeiro de 1862) foi um advogado e político norte-americano que serviu como o 10º presidente dos Estados Unidos entre 1841 e 1845, tendo antes brevemente servido como o 10º vice-presidente do país. Eleito pelo Partido Whig na eleição de 1840, Tyler tornou-se presidente com a morte de William Henry Harrison apenas um mês depois de sua posse. Era conhecido até aquele ponto como um apoiador dos direitos dos estados, algo que o fazia popular com o povo da Virgínia, porém suas ações como presidente mostraram sua disposição para apoiar políticas nacionalistas contanto que estas não infringissem os poderes estaduais. Mesmo assim, as circunstâncias inesperadas de sua ascensão à presidência e a ameaça de políticos ambiciosos como Henry Clay afastaram-no de ambos os grandes partidos da época. Tyler firmemente acreditava no destino manifesto e procurou fortalecer e preservar a União através da expansão territorial, mais notavelmente anexando a República do Texas em seus últimos dias na presidência.

Tyler nasceu em uma eminente família do estado da Virgínia, chegando à proeminência nacional durante uma época de agitações políticas. O único partido do país na década de 1820, o Democrata-Republicano, havia se dividido em duas facções. Ele inicialmente ficou com os Democratas, porém sua oposição contra Andrew Jackson e Martin Van Buren finalmente o fez migrar para o Partido Whig. Tyler serviu como deputado estadual, governador da Virgínia, deputado federal e senador antes de ser eleito vice-presidente em 1840. Ele foi colocado na chapa com o objetivo de atrair sulistas apoiadores dos direitos estaduais para o que na época era uma coligação a fim de frustrar a reeleição de Van Buren.

A morte de Harrison fez de Tyler o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos a ascender à presidência sem ter sido eleito para a posição. Ele imediatamente fez o juramento do cargo, mudou-se para a Casa Branca e assumiu plenamente os poderes presidenciais com o objetivo de impedir quaisquer incertezas constitucionais, estabelecendo um precedente que seria usado por mais de um século até ser eventualmente codificado na Vigésima Quinta Emenda. Tyler achava que a maior parte da plataforma Whig era inconstitucional, vetando vários projetos de lei de seu partido. Ele acreditava que o presidente deveria estabelecer a política do país em vez de deferi-la ao Congresso, tentando evitar o establishment Whig, mais notavelmente o senador Clay. A maioria do gabinete de Tyler rapidamente renunciou, com os Whig expulsando-o do partido e apelidando-o de "Sua Acidência". Apesar de não ter sido o primeiro presidente a vetar projetos de lei, foi o primeiro a ter seu veto anulado pelo Congresso. Tyler conseguiu alcançar realizações internacionais apesar dos impasses na política nacional, como a assinatura do Tratado Webster-Ashburton com o Reino Unido e o Tratado de Wanghia com a Dinastia Qing.

Tyler dedicou os dois últimos anos de sua presidência à anexação do Texas. Ele inicialmente tentou ser reeleito presidente, porém retirou-se da disputa após não conseguir apoio. O Congresso acabou aprovando durante seus últimos dias no cargo uma resolução autorizando a anexação do Texas, algo que foi realizado por seu sucessor James K. Polk. Tyler ficou do lado dos Estados Confederados da América quando a Guerra de Secessão começou em 1861, sendo eleito para o congresso confederado pouco antes de morrer. Historiadores já elogiaram a determinação política de Tyler, porém sua presidência é geralmente tida em baixa estima. Atualmente ele é considerado um presidente obscuro com pouca presença na memória cultural dos Estados Unidos.

John Tyler nasceu em 29 de março de 1790 no Condado de Charles City, Virgínia, Estados Unidos. Sua família vinha de uma longa linhagem de políticos e traçava sua ascendência à Williamsburg do século XVII. Seu pai, John Tyler, Sr., também chamado de Juiz Tyler, foi amigo e colega de quarto de Thomas Jefferson e serviu como deputado estadual da Virgínia junto com Benjamin Harrison V, pai de William Henry Harrison. Tyler Sr. foi presidente da Câmara dos Delegados da Virgínia por quatro anos antes de tornar-se juiz estadual. Depois foi eleito governador e serviu como juiz na corte distrital de Richmond. Sua esposa Mary Marot Armistead era filha de Robert Booth Armistead, um proeminente fazendeiro. Ela morreu de um acidente vascular cerebral quando Tyler tinha sete anos de idade.

Tyler tinha dois irmãos e cinco irmãs e cresceu na Greenway Plantation, uma propriedade de 1 200 acres com uma casa de seis quartos construída por seu pai. Os quarenta escravos da família cultivavam várias culturas, incluindo trigo, milho e tabaco. Tyler Sr. estava disposto a pagar alto para tutores que desafiariam seus filhos academicamente. Tyler foi uma criança enferma, magra e propensa a sofrer de diarreia; tais problemas lhe afetariam pelo restante da vida. Ele entrou aos doze anos em um ramo preparatório da Faculdade de Guilherme e Maria. Tyler terminou o ramo escolar da faculdade em 1807 aos dezessete anos. Dentre os livros que formaram sua visão econômica estava A Riqueza das Nações de Adam Smith, com Tyler também desenvolvendo uma paixão pelas obras de William Shakespeare. Suas opiniões políticas foram moldadas pelo bispo James Madison, presidente da faculdade e primo do futuro presidente de mesmo nome; Madison serviu como um segundo pai para Tyler.

Tyler, depois de se formar, estudou direito com seu pai, na época um juiz estadual, e mais tarde também com Edmund Randolph, ex-Procurador-Geral e Secretário de Estado dos Estados Unidos. Ele foi aceito na associação de advogados com apenas dezenove anos, algo que no período era contra as regras: o juiz que o examinou não lhe perguntou sua idade. Nessa época, Tyler Sr. estava servindo como Governador da Virgínia, com seu filho começando a trabalhar em advocacia em Richmond, a capital estadual. Tyler comprou em 1813 uma plantation em Woodburn, morando no local até 1821.

Tyler foi eleito em 1811 pelos residentes do Condado de Charles City para a Câmara dos Delegados da Virgínia. Ele serviu cinco mandatos consecutivos de um ano, atuando no comitê de Tribunal e Justiça. Suas principais posições políticas foram demonstradas ao final de seu mandato em 1816: um grande apoio aos direitos estaduais e oposição a um banco nacional. Ele juntou-se ao colega deputado Benjamin W. Leigh para censurar os senadores William Branch Giles e Richard Brent, que tinham votado por novo alvará para Primeiro Banco dos Estados Unidos contra as instruções da legislatura estadual; na época, as legislaturas elegiam os senadores e os instruíam em certas questões.

Ao mesmo tempo os Estados Unidos estavam enfrentando hostilidades com o Reino Unido na Guerra de 1812. Tyler, assim como a maioria dos norte-americanos da época, era antibritânico e pediu por ações militares no começo do confronto com um discurso na Câmara dos Delegados. Ele avidamente organizou uma companhia miliciana para defender Richmond depois de os britânicos terem em 1813 capturado a cidade de Hampton, assumindo o comando com a patente de capitão. Nenhum ataque ocorreu e a companhia foi dissolvida dois meses depois. Tyler recebeu uma concessão de terras perto da futura Sioux City, Iowa, por seus serviços militares.

Seu pai morreu em 1813 e Tyler herdou dezesseis escravos mais a fazenda plantantion. Ele renunciou do cargo de deputado em 1816 a fim de servir no Conselho Estadual do Governador, um grupo de oito conselheiros eleitos pela Assembleia Geral da Virgínia.

A morte do deputado federal John Clopton em 1816 abriu uma vacância na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 23º distrito da Virgínia. Tyler procurou a vaga assim como seu amigo e aliado político Andrew Stevenson. A eleição foi uma disputa de popularidade já que os dois homens tinham as mesmas visões políticas. As conexões políticas e habilidades de campanha de Tyler lhe fizeram ganhar a eleição por uma pequena margem. Ele tomou posse no Décimo Quarto Congresso em 17 de dezembro como membro do Partido Democrata-Republicano, então o maior partido político dos Estados Unidos.

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