John Wayne Gacy (17 de março de 1942 – 10 de maio de 1994) foi um assassino em série e estuprador estadunidense, conhecido como o Palhaço Assassino. Acusado de torturar, estuprar e matar ao menos 33 adolescentes entre 1972 e 1978 no condado de Cook, região metropolitana de Chicago, no estado de Illinois. Ele foi condenado a 21 prisões perpétuas e 12 penas de morte.
Todos os assassinatos conhecidos perpetrados por Gacy foram cometidos em sua casa no bairro de Norwood Park. Suas vítimas eram trazidas à sua casa por força ou por subterfúgios enganosos; todas, exceto a sua primeira vítima — a qual foi esfaqueada até a morte —, foram mortas por asfixia ou estrangulamento com um garrote improvisado. Gacy enterrou 26 de suas vítimas sob o assoalho de sua casa. Outras três vítimas foram enterradas em outras partes de sua residência enquanto os cadáveres das quatro últimas foram jogados no rio Des Plaines.
Condenado por 33 assassinatos, Gacy foi sentenciado à morte no dia 13 de março de 1980 por 12 desses crimes. Ele passou 14 anos no corredor da morte antes de ser executado via injeção letal no Centro Correcional de Stateville no dia 10 de maio de 1994.
Gacy ficou conhecido como o "Palhaço Assassino" por conta de seus trabalhos de caridade, eventos para obtenção de fundos e festas infantis nos quais ele se vestia como "Pogo, o Palhaço" ou "Patches, o Palhaço", personagens os quais ele criou.
Infância e adolescência (1942-1960)
John Wayne Gacy, nasceu em Chicago em 17 de março de 1942, sendo o segundo filho e único menino de três crianças, filhos de John Stanley (20 de junho de 1900 — 25 de dezembro de 1969), um mecânico de carros de passeio e veterano da Primeira Guerra Mundial, e sua esposa Marion Elaine Robinson (4 de maio de 1908 — 6 de dezembro de 1989), uma dona de casa. Gacy possuía ascendência polaca e dinamarquesa. Seus avós paternos (os quais grafavam o sobrenome como "Gatza" ou "Gaca") imigraram para os EUA da Polônia (de uma região então parte da Alemanha). Enquanto criança, Gacy era gordo e pouco atlético. Ele era muito próximo de suas irmãs e de sua mãe, mas tinha um relacionamento difícil com seu pai, um alcoólatra que agredia fisicamente sua esposa e filhos.
Ao longo de sua infância, Gacy esforçou-se para fazer seu severo pai orgulhoso dele, mas raramente conseguia sua aprovação. Esse atrito foi uma constante durante sua infância e adolescência. Uma das mais antigas memórias da infância de Gacy era a de seu pai a surrá-lo com um cinto de couro quando ele tinha quatro anos por ter desarrumado acidentalmente peças de um motor que seu pai havia montado. Em outra ocasião seu pai acertou sua cabeça com um cabo de vassoura, deixando-o inconsciente. Seu pai regularmente o depreciava e frequentemente o comparava desfavoravelmente com suas irmãs, acusando-o desdenhosamente de ser "idiota e estúpido". Gacy, enquanto comentava regularmente que ele "nunca foi bom o bastante" aos olhos do seu pai, sempre negou com veemência tê-lo odiado nos interrogatórios depois de sua prisão.
Quando ele tinha seis anos de idade, Gacy roubou um caminhão de brinquedo de uma loja da vizinhança. Sua mãe o fez voltar à loja, devolver o brinquedo e desculpar-se aos donos. Sua mãe fez seu pai saber e ele surrou Gacy com seu cinto como punição. Depois desse incidente, a mãe de Gacy tentava protegê-lo dos abusos físicos e verbais do pai, ainda que só conseguisse fazer com que Gacy fosse acusado de ser um maricas e um "filho da mamãe" que "provavelmente se tornaria uma bicha".
Em 1949, o pai de Gacy soube que seu filho e outro menino foram pegos tocando sexualmente uma menina mais jovem. Seu pai o chicoteou com um amolador de navalhas como punição. No mesmo ano, Gacy foi molestado sexualmente por um amigo de sua família, um empreiteiro que levava Gacy para passeios em sua caminhonete e, então, o tocava inapropriadamente. Gacy jamais disse nada acerca desses incidentes ao seu pai e tinha medo que ele o responsabilizasse por eles.
Por causa de um problema cardíaco, Gacy foi obrigado a evitar a prática esportiva durante seus anos escolares. Um estudante médio com poucos amigos, ele era um objeto ocasional de bullying por parte das crianças das vizinhanças e de seus colegas de escola. Ele era conhecido por ajudar o inspetor escolar e se voluntariar para levar recados para professores e vizinhos. Durante a quarta série, Gacy começou a ter desmaios. Ele era ocasionalmente hospitalizado por conta deles e em 1957 foi internado por conta de uma apendicite. Gacy estimou, depois, que entre os seus 14 e 18 anos ele deve ter passado cerca de um ano no hospital por conta de tais problemas; ele também atribuiu a queda de suas notas escolares por faltar à escola. Seu pai suspeitava que os seus problemas de saúde eram uma tentativa de ganhar simpatia e atenção e abertamente o acusava de fingir enquanto ele estava prostrado no leito do hospital. Embora sua mãe, irmãs e os seus poucos amigos jamais duvidassem de sua doença, o problema médico de Gacy jamais foi conclusivamente diagnosticado.
Um dos amigos de Gacy no ensino secundário recordou das várias vezes que o seu pai o ridicularizava ou o espancava seu filho sem qualquer provocação. Em uma ocasião, em 1957, o mesmo amigo presenciou um incidente na casa dele em que seu pai, sem qualquer razão, começou a gritar com ele e, depois, espancá-lo. Sua mãe tentou intervir. O amigo de Gacy rememorou que ele simplesmente "levantou as mãos para defender-se", completando que ele nunca bateu de volta em seu pai durante essas agressões.
Em 1960, aos 18 anos, Gacy passou a envolver-se na política trabalhando como assistente de fiscal eleitoral para um candidato do Partido Democrata de sua vizinhança. Tal decisão fez com que ele ganhasse mais críticas de seu pai, o qual passou a chamá-lo de "ingênuo". Gacy posteriormente especulou que tal decisão pode ter sido uma tentativa de conseguir uma aceitação que ele nunca obteve de seu pai.
No mesmo ano em que Gacy se tornou um candidato pelo Partido Democrata, seu pai comprou um carro para ele, não obstante o registro do automóvel ficasse com seu pai até que Gacy completasse os pagamentos mensais. Tais pagas levaram vários anos para serem completadas e seu pai confiscaria as chaves do carro se ele não lhe obedecesse. Em uma ocasião, em 1962, Gacy fez cópias das chaves depois que seu pai confiscou as originais. Como resposta, seu pai retirou a capa do distribuidor do carro, retendo-a consigo por três dias. Gacy recordava que, como resultado desse incidente, ele se sentiu "completamente doente; exaurido". Quando seu pai recolocou a capa do distribuidor, Gacy deixou a casa de seus pais e dirigiu até Las Vegas no estado de Nevada onde ele conseguiu emprego no serviço de ambulâncias antes de ser transferido para trabalhar como atendente no Necrotério de Palm. Ele trabalhou nessa função por três meses antes de retornar à Chicago.
Como atendente do necrotério, Gacy dormia em uma cama atrás da sala de embalsamamento. Nesta função, ele observava os agentes funerários embalsamando cadáveres e, depois, confessou que, em uma noite quando sozinho, entrou no caixão de um falecido adolescente masculino, acariciando e abraçando o cadáver antes de sentir uma sensação de choque. Gacy mais tarde afirmaria ter se envolvido em atos de necrofilia em aproximadamente duas vezes enquanto trabalhava no Necrotério de Palm. Ele se justificaria dizendo que os cadáveres que ele profanou eram "apenas coisas mortas" que "não diriam nada a ninguém".
O senso de choque fez que Gacy ligasse à sua mãe no dia seguinte e perguntasse se seu pai permitiria que ele retornasse à casa dele. Seu pai concordou e no mesmo dia Gacy voltou a morar com sua família em Chicago. Depois do seu retorno, apesar do fato dele não ter concluído o ensino secundário, Gacy foi admitido com sucesso no Northwestern Business College onde ele se graduou em 1963. Depois Gacy conseguiu um cargo como estagiário de gerência na empresa de calçados Nunn-Bush Shoe Company.
Em 1964, a firma o transferiu para Springifield para trabalhar como vendedor. Ele foi promovido a gerente do seu departamento. Em março do mesmo ano, ele ficou noivo de Marlynn Myers, uma colega de trabalho no departamento o qual ele geria. Depois de um namoro de nove meses, eles se casaram em setembro de 1964. Logo após, seu sogro comprou três restaurantes Kentucky Fried Chicken em Waterloo, no estado do Iowa, e Gacy e sua esposa mudaram-se para Waterloo de modo que ele pudesse administrar os restaurantes, ficando acordado que eles se mudariam para casa dos pais de Marlynn (a qual foi desocupada para o casal).