Joinville é um município localizado na região norte do estado de Santa Catarina. Sua população, conforme dados do Censo de 2022 do IBGE, era de 616 317 habitantes, sendo a maior cidade do estado, à frente da capital Florianópolis, e é a terceira mais populosa cidade da Região Sul do Brasil atrás apenas de Porto Alegre e Curitiba (da qual é distante apenas 130 km, sendo assim, mais próxima da capital paranaense do que a do próprio estado). Possui uma área de 1 127,946 km². Pertence à Microrregião de Joinville e à Mesorregião do Norte Catarinense e é sede da Região Metropolitana de Joinville, conforme a Lei Complementar 788 de 2021.
A cidade possui um elevado índice de desenvolvimento humano (0,809) entre os municípios brasileiros, ocupando a 21ª posição nacional. Um estudo apontou Joinville como a segunda melhor cidade para se viver no Brasil. Joinville ostenta os títulos de "Manchester Catarinense", "Cidade das Flores", "Cidade dos Príncipes", e "Cidade da Dança". É ainda conhecida por sediar o Festival de Dança de Joinville (considerado o maior festival de dança do mundo), a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (a única no mundo fora da Rússia) e o Joinville Esporte Clube.
O município ora em estudo tem um dos melhores IDHs de Santa Catarina. A cidade foi criada ao mesmo tempo que Blumenau (segunda metade do século XIX), com grupo étnico semelhante ao da sua cidade contemporânea. Conhecida como um núcleo de imigrantes alemães e pelas indústrias metal-mecânica, de tecidos, de alimentos, softwares, eletrodomésticos, computadores, máquinas, etc. Joinville tem o maior produto interno bruto do estado de Santa Catarina.
O primeiro nome de Joinville foi Colônia Dona Francisca, cuja história se iniciou quando a princesa Francisca de Bragança, irmã de D. Pedro II, se casou em 1843 com o príncipe francês Francisco Fernando de Orléans, recebendo este o título de príncipe de Joinville. O nome da cidade foi mudado para Joinville, para homenagear o príncipe, que recebeu aquelas terras como dote. Em 1848, o casal negociou as terras pelo menos em parte, com a Sociedade Colonizadora Hamburguesa, pois o pai de Francisco, o Rei da França Luís Felipe havia sido destronado e a família encontrava-se em dificuldades financeiras. O empreendedorismo dos imigrantes alemães, suíços e noruegueses construiu e deu continuidade ao seu crescimento, tornando Joinville uma das maiores potências regionais.
Os registros dos primeiros habitantes da região de Joinville datam de 4800 a.C. Os indícios de sua presença encontram-se nos mais de 40 sambaquis e sítios arqueológicos do município. O homem-do-sambaqui praticava a agricultura, mas tinha na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência.[carece de fontes?]
Índios tupis-guaranis (especificamente, carijós) ainda habitavam as cercanias quando chegaram os primeiros imigrantes europeus. No século XVIII, estabeleceram-se, na região, famílias de origem portuguesa, com seus escravos negros, vindos provavelmente da capitania de São Vicente (hoje estado de São Paulo) e da vizinha cidade de São Francisco do Sul. Adquiriram lotes de terra (sesmarias) nas regiões do Cubatão, Bucarein, Boa Vista, Itaum, Morro do Amaral e aí passaram a cultivar mandioca, cana-de-açúcar, arroz e milho, entre outros produtos.[carece de fontes?]
A história de Joinville tem ligação com a princesa do Brasil Francisca de Bragança, que se casou, em 1843, com o Francisco Fernando de Orléans, Príncipe de Joinville, terceiro filho do rei Luís Filipe I. Ela ganhou como prêmio de casamento 25 léguas quadradas em plena Mata Atlântica que se situavam na região do município que ganhou o nome de um dos descendentes do monarca francês.
Porém, depois que o rei Luís Filipe I foi destronado em 1848 e o Príncipe de Joinville se refugiou na Inglaterra, foi que apareceu a ideia de colonizar esse terreno. O Príncipe de Joinville e o senador Christian Mathias Schroeder (que ganhou sem custo algum oito léguas quadradas) aceitaram organizar a colônia, que seria habitada por europeus.
As pessoas que idealizaram foram, além dos já referidos, Léonce Aubé, Jerônimo Francisco Coelho, João Otto, Ottokar Doerffel, Frederico Brustlein e demais indivíduos. Porém, o imenso reconhecimento compete aos imigrantes (quase todos agricultores), que passaram a chegar desde 1851. A barca Colon transportou os imigrantes iniciais. Eram 191 no total, a maioria de suiços, além de alemães e noruegueses. De acordo com o historiador Apolinário Ternes, o projeto iniciou‐se um ano antes da chegada da barca Colon, que partiu de Hamburgo em 1851. Em 1850, veio o vice-cônsul Léonce Aubé, acompanhado de duas famílias de trabalhadores braçais, mais o engenheiro responsável das primeiras benfeitorias e demarcações do que viria a ser a nova colônia, e também do cozinheiro franco-suíço Louis Duvoisin. Louis Duvoisin veio ao Brasil anos antes com a expedição do 1842, o Benoît Jules Mure, na instalação fracassada do Falanstério do Saí. A barca Colon partiu de Hamburgo levando os primeiros imigrantes. No dia 9 de março do mesmo ano, a barca chegou ao local e foi fundada a Colônia Dona Francisca. A população foi reforçada com a chegada da barca Emma & Louise, com 114 pessoas. Em 1852, foi decidido que, em homenagem ao príncipe François, a cidade passaria a se chamar Joinville.
Uma residência foi construída para administrar os bens do Príncipe de Joinville, com um caminho de palmeiras em frente à casa. A casa que foi construída é atualmente o "Museu Nacional de Imigração e Colonização", e a via à sua frente tornou-se a Alameda Brüstlein, mais conhecida como Rua das Palmeiras, hoje atrativo turístico da cidade.
Imigração, formação administrativa e história contemporânea
A malária, doença desconhecida na Europa, foi causa de morte de muitos dos imigrantes. Porém, a imigração andou para frente de qualquer maneira com a chegada de novas levas de alemães e Joinville progrediu muito devido a isso e em 1858 se elevou à categoria de freguesia. Criou-se o município por meio da Lei nº 566, de 15 de março de 1866, com o nome de São Francisco Xavier de Joinville que, em seguida, se reduziu para Joinville. O novo município foi instalado em 7 de janeiro de 1869.
Em 3 de maio de 1877, Joinville foi elevada da categoria de vila à de cidade. Na época, villas já tinham municipalidade própria, mas cidades contavam com um número maior de vereadores (de sete para nove), entre outras mudanças.
Se a agricultura era a fonte de renda que predominava nos primórdios de Joinville, na atualidade mais de cem indústrias do município são a sua principal atividade econômica. Joinville é um município pertencente à Microrregião homônima.
Na II Guerra Mundial, Joinville abrigou um campo de concentração instalado em um hospital psiquiátrico desativado, o Hospital Oscar Schneider. Alemães e italianos ficaram reclusos naquele campo (ver: Campos de concentração no Brasil na Segunda Guerra Mundial).
A cidade é em geral plana, situando-se ao lado da baía da Babitonga - um dos naturais do município, ocorrendo algumas pequenas elevações conforme vai se afastando.
A altitude da sede é de 4,5 metros, embora, na parte central da cidade, a altitude chegue a apenas quatro metros, o que, em dias de maré muito alta, causa alagamentos. Há morros elevados em torno da cidade. O ponto culminante é o pico Serra Queimada, com 1 325 metros de altitude, na Serra Queimada.
A vegetação em torno da cidade e nos morros em sua área urbana é constituída por remanescentes da mata Atlântica. O rio Cachoeira passa pelo centro da cidade e desemboca na baía da Babitonga. Quase toda a área no entorno do rio é urbanizada, mantendo alguns manguezais preservados.