Johan Jordi Cruijff (Amsterdã, 9 de fevereiro de 1974) é um treinador e ex-futebolista neerlandês que atuava como meio-campista.
Conhecido como o filho do lendário Johan Cruijff, era considerado um meio-campista promissor, mesmo que de qualidade não comparável à do pai. Em 1996, foi capaz de rumar do Barcelona ao Manchester United, após ter sido cogitado pelo PSV Eindhoven como moeda de troca da ida de Ronaldo do clube neerlandês para o Barça; e também foi disputado pela seleções da Espanha e dos Países Baixos (com a qual jogou a Eurocopa daquele ano).
Jordi acabou prejudicado por sequência de lesões que fizeram se submeter a doze cirurgias, deixando melhores recordações em clubes menores como o Alavés finalista da finalista da Liga Europa de 2000–01 (sendo dele o gol que, aos 43 minutos do segundo tempo, forçou prorrogação na movimentada decisão finalizada em 5 a 4 para o Liverpool) e o Espanyol - cujo dicionário oficial de jogadores que defenderam-no em La Liga, publicado em 2018, descreveu-o como "um meia-ponta de qualidade, com visão de jogo, excelente orientação no controle de bola e entrega sobre o terreno de jogo".
Filho do lendário Johan Cruijff, que o batizou com um nome catalão para homenagear a Catalunha, pátria do time em que jogava, o Barcelona, cujo nacionalismo era oprimido no governo do General Francisco Franco (que morreria no ano seguinte). Jordi, "Jorge" em catalão, é o nome do santo padroeiro da Catalunha, e Jordi Cruijff só pôde ser batizado assim em sua terra natal, os Países Baixos, já que manifestações culturais de etnias não-espanholas (como também a basca) eram proibidas pela Espanha Franquista. Em 2017, assim detalhou à revista argentina El Gráfico sobre a questão do nome e o contexto de rebeldia na escolha feita pelos pais:
Oito dias após Jordi ter nascido, Johan inspirou memorável goleada de 5 a 0 do Barcelona em El Clásico contra o Real Madrid por La Liga de 1973–74 - a primeira que o Barça venceu após quatorze anos de jejum. Tal jogo inclusive teria pesado para a cesariana, que foi antecipada diante do prognóstico médico de que Jordi poderia, sob parto natural, nascer no próprio dia da partida.
O fato de ser filho de Johan Cruijff lhe permitiu ingressar nas categorias juvenis do Ajax e do Barcelona, ex-clubes do pai, embora tal conexão também tivesse facetas negativas: segundo Jordi, mais voltadas às inevitáveis comparações do que por algum favorecimento paterno (seu pai era o treinador barcelonista quando Jordi foi promovido ao futebol adulto do clube, em 1994), pois o que lhe ocorreria era justamente um nível de exigência maior, mesmo tendo méritos próprios para chegar à equipe principal.
Após ficar de 1981 a 1988 na base do Ajax, inclusive no período em que o pai defendeu o rival Feyenoord, Jordi galgou pelo Barcelona na equipe sub-16 (1988-90), sub-19 (1990-92) e pelo time B entre 1992 e 1994. Ainda como membro da equipe B, foi usado na temporada 1992-93 em jogos oficialmente creditados à equipe principal na Copa da Catalunha, contra Lleida e Sabadell. Na temporada 1993-94, embora atuasse em amistosos do time principal contra clubes como Bayern Munique, Borussia Dortmund e Athletic Bilbao, sua única partida considerada oficial pela equipe adulta também foi pelo torneio catalão, contra o Sant Andreu.
Na temporada 1994-95 é que Jordi começou a ser efetivamente usado pela equipe principal. Na temporada principal, esteve em 37 jogos e marcou nove gols, além de onze gols em quinze amistosos. Na Liga dos Campeões da UEFA de 1994–95, foi coadjuvante de destaque em famosa goleada de 4 a 0 aplicada pelo Barcelona sobre o Manchester United - o placar foi aberto por Hristo Stoichkov ao aproveitar rebote de jogada que Jordi construiu junto de Romário.
O Barça, que vinha recentemente de um tetracampeonato seguido em La Liga, terminou sem vencê-la nas edições de 1994–95 e 1995–96. O pai terminou deixando o cargo antes do fim dessa temporada, sob bastante turbulência com os diretores: quando soube que seria substituído, Johan teria uma cadeira na porta do escritório do cúpula barcelonista e vociferado que "Deus o punirá por esta ação, da mesma forma que o puniu antes!", em referência a um neto recém-falecido do presidente. Nesse contexto, a permanência de Jordi no Camp Nou terminou pouco sustentável perante a diretoria, embora a torcida apoiasse os Cruijff, chegando a render aplausos de pé a Jordi para homenagear indiretamente Johan. Ao longo da temporada 1995-96, o filho havia somado três gols (um deles, sobre o Atlético de Madrid) em vinte jogos competitivos, crescendo em amistosos: neles, foram onze gols em treze partidas, incluindo três em vitória de 4 a 1 precisamente sobre o Ajax e outros dois em 5 a 1 (pelo Troféu Joan Gamper) sobre o San Lorenzo.
Naquele momento, Jordi chegou a ser disputado por duas seleções. Possuindo cidadania espanhola após anos de residência em Barcelona, foi desejado pela Espanha para o Olimpíadas de Atlanta ao mesmo tempo em que os Países Baixos se interessaram em tê-lo para a Eurocopa daquele ano. Embora se considere culturalmente mais espanhol do que neerlandês, a saída do Barcelona preponderou para que ele acabasse optando pela terra natal - chegando inclusive a marcar um gol na Euro (abrindo vitória de 2 a 0 sobre a Suíça), momento descrito na autobiografia do próprio pai como um dos momentos "sublimes" que vivenciara.
Após a Euro, Jordi chegou a interessar ao PSV Eindhoven, que em julho negociou Ronaldo com o Barcelona e aceitava-o como parte do pagamento pelo brasileiro. Jordi, que na infância já havia sofrido com a "traição" da ida do pai do Ajax rumo ao Feyenoord, não fechou com o outro rival da equipe de Amsterdã e sim com o Manchester United, que o contratou sob a impressão de trazer promessa capaz de atuar sem a sombra do pai.
No United, Jordi veio a conquistar uma sequência de títulos na Premier League, mas com uma sequência de lesões privando-lhe de protagonismo. Em 1999, chegou a ser emprestado ao Celta de Vigo, e a insistência demorada de Alex Ferguson na recuperação de Jordi, algo já criticado em outubro daquele ano, foi com o tempo vista como um dos raros defeitos do tino do treinador escocês para com jogadores dos Red Devils; em interpretações mais favoráveis, Jordi terminou visto como um jovem que mesmo talentoso calhou de não vingar individualmente em Old Trafford, a exemplo de Diego Forlán. Em 2017, foi indagado se teria mesmo capacidade para ir além na carreira, e assim respondeu:
Jordi encerrou em 2000 seu vínculo com a equipe inglesa. Seu clube seguinte foi o Alavés, justamente onde Jordi viveria seu auge. O pequeno clube do País Basco pôde chegar à Liga Europa de 2000–01, considerada uma das mais memoráveis decisões do torneio. O favorito Liverpool começou vencendo por 2 a 0 e foi ao intervalo ganhando por 3 a 1. O Alavés pôde empatar com dois gols antes dos cinco minutos do segundo tempo, mas já perdia por 4 a 3 quando Jordi empatou aos 43 minutos do segundo tempo. Na prorrogação, cada time teve um gol anulado; a quatro minutos do fim do segundo tempo extra, com um jogador a mais, o Liverpool sagrou-se campeão por um gol contra, sob a regra então vigente do gol de ouro.
Na temporada espanhola de 2002-03, Jordi era visto como o principal jogador do Alavés. Na temporada seguinte, reforçou o Espanyol, pensado como um substituto para Iván de la Peña para a eventualidade desse ídolo espanyolista não renovar contrato. Com discrepâncias com o treinador Luis Fernández, perdeu a titularidade para Mustapha Hadji e acabou não permanecendo no clube, que precisou lutar contra o rebaixamento. A despeito da turbulência, o desempenho de Jordi foi visto como de grata recordação pela torcida blanquiazul; ele chegou a marcar (de cabeça) sobre o Barcelona ao abrir o placar em dérbi catalão em dezembro de 2003 (com gol de Ronaldinho Gaúcho e dois de Patrick Kluivert, o rival terminou vencendo por 3 a 1, em clássico marcado por três expulsões a cada time) e a defender como titular a seleção catalã junto a Víctor Valdés, Pep Guardiola e Andrés Iniesta em amistoso contra o Brasil (vencedor por 5 a 2, no Camp Nou) em 25 de maio de 2004.