Neste Dia

Jorge Nuno Pinto da Costa

Dirigente esportivo português (1937–2025)

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Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa (Cedofeita, Porto, 28 de dezembro de 1937 – Campanhã, Porto, 15 de fevereiro de 2025) foi um dirigente desportivo. Foi o 31.º Presidente do Futebol Clube do Porto, cargo que ocupou durante 42 anos, entre 1982 e 2024. É o dirigente desportivo mais titulado do mundo.

Jorge Nuno faz a escola primária no Colégio Almeida Garrett, tendo simultaneamente aulas particulares de Inglês e Francês. Aos 10 anos vai estudar para o Instituto Nun'Álvares, mais conhecido por Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso, um colégio jesuíta. De regresso ao Porto, consegue o seu primeiro emprego aos 19 anos no Banco Português do Atlântico, onde foi colega de Artur Santos Silva. É mais ou menos por essa altura que inicia a sua ligação ao FC Porto como dirigente, mantendo contudo o seu emprego no banco e trabalhando mais tarde como vendedor de tintas e resinas, até passar a dedicar-se a tempo inteiro ao dirigismo. Publicou em 2005 a sua autobiografia, Largos Dias Têm Cem Anos, com prefácio de Lennart Johansson, presidente da UEFA entre 1990 e 2007. Dedicou-se a dirigir o Futebol Clube do Porto.

Ao regressar ao Porto após vários anos no Colégio das Caldinhas em Santo Tirso, Pinto da Costa reencontra a filha de um amigo da família com quem convivera na infância, Manuela Carmona Graça, nascida no Porto, Foz do Douro, a 15 de abril de 1941, filha de Alberto da Silva Graça (Porto, Foz do Douro, 18 de maio de 1915 – Porto, Paranhos, 2 de outubro de 1975) e de sua mulher (Porto, Cedofeita, 18 de maio de 1940) Noémia Armanda Branco Carmona (Chaves, 11 de março de 1914 – ?, filha dum filho natural dum tio paterno do Presidente António Óscar de Fragoso Carmona), e apaixona-se. Após vários anos de namoro, em que Manuela se licenciou em Coimbra, em Educação de Infância e em Ciências Históricas, e prosseguiu estudos na Universidade de Karlsruhe, Manuela é convidada para trabalhar na Alemanha, onde consegue também um emprego para o namorado. Pinto da Costa, não querendo afastar-se do FC Porto, recusa a proposta e pede a namorada em casamento. Casam no Porto, Paranhos, a 7 de abril de 1964 e o primeiro e único filho do casal, Alexandre Jorge Graça Pinto da Costa, nasce no Porto, Santo Ildefonso, a 26 de abril de 1967.

Em 1985, Pinto da Costa conhece e apaixona-se por Filomena Morais, e em 1987 nasce da união uma filha, Joana Morais Pinto da Costa. A 23 de dezembro de 1997, com trinta e três anos de casamento e netos nascidos, divorciou-se da mulher Manuela.

Em 1998, casa com Filomena, de quem se divorcia quatro anos depois. Então, já tinha assumido um romance com Carolina Salgado, que viria a terminar em 2005. Após uma separação conturbada de Carolina Salgado, em outubro de 2007, Pinto da Costa casa com Filomena pela segunda vez, divorciando-se de novo em 2012.

Em 28 de julho de 2012, casou-se no Brasil com Fernanda Miranda, 50 anos mais nova, oficializando a união de facto em que viviam há cerca de três anos. O casamento foi na cidade natal da noiva, Touros. Divorciaram-se em 20 de dezembro de 2016. Em setembro de 2017 reataram a relação que terminou novamente pouco depois.

De setembro de 2017 a agosto de 2023 viveu no Porto, em união de facto, com Cláudia Campo, que conheceu na agência do banco onde Cláudia trabalha. Em agosto de 2023 casou pela quinta vez com Cláudia Campo, com quem já namorava há seis anos. O casal tem 40 anos de diferença.

Em agosto de 2021 foi anunciado que estava a batalhar um cancro da próstata. Em entrevista à TVI a 27 de agosto contou detalhes sobre sua vida.

Em outubro de 2024 lança mais um livro intitulado "Azul até ao fim" onde fala com naturalidade da morte e do funeral:“Quero ver-vos vestidos de azul”À boleia do novo livro, o culto de Pinto da Costa encheu a Alfândega do Porto

O livro compila várias entradas de um diário esporádico de Pinto da Costa, escritas nos últimos três anos. Depois da conversa sobre o cancro, outro dos temas discutidos com naturalidade é o das cerimónias fúnebres. A capa do livro mostra uma fotografia de Pinto da Costa apoiado num caixão embrulhado com a bandeira do FC Porto. Na nota prévia que abre o livro, o ex-presidente deixa claro que a ideia da imagem de capa foi inteiramente dele — não fosse a editora receber comentários negativos. Não tem pressa que o momento da despedida chegue, mas clarificou algumas das coisas que deseja evitar. “Uma coisa que me irrita muito nos funerais é que, à parte das pessoas que estão junto do caixão, há sempre alguém a contar anedotas. Não queria que isso acontecesse no meu funeral. Não por mim, mas por respeito à minha família e amigos que naturalmente naquela hora vão sofrer por os ter deixado”, indica. "Também não quero ver lá ninguém de luto e vestida de preto. Quero ver-vos vestidos de azul. É a cor do céu, da manta da Nossa Senhora e a cor do FC Porto".

No dia 23 de novembro, Pinto da Costa, cuja saúde estava a deteriorar-se nos últimos tempos, foi operado ao fémur no Hospital CUF Porto, onde recebeu a visita do antigo presidente da República Ramalho Eanes.

Morreu a 15 de fevereiro de 2025, com 87 anos. Pinto da Costa lutava contra um câncer na próstata há três anos, mas a doença acabou se agravando. Foi cremado, seguindo o seu desejo expresso no livro Azul até ao fim (2024), publicado pouco antes da sua morte. As suas cinzas estão depositadas no cemitério de Agramonte no Porto, mas não puderam ser espalhadas na azinheira junto à Capelinha das Aparições em Fátima, por falta de autorização.

Jorge Nuno Pinto da Costa é o quarto filho e terceiro varão de José Alexandrino Teixeira da Costa (Porto, Foz do Douro, 9 de Junho de 1910 – Porto, Aldoar, 6 de Dezembro de 1977), Comerciante, e de sua mulher (Porto, Cedofeita, 15 de Novembro de 1932) Maria Elisa Bessa de Lima Amorim Pinto (Matosinhos, São Mamede de Infesta, 15 de Maio de 1913 – 14 de Novembro de 1997), tetraneta dum primo em 5.º grau do 1.º Barão de Leiria e 1.º Visconde de Leiria, que acabariam por divorciar-se poucos anos depois, dos quais nasceram outros cinco filhos: José Eduardo (Porto, Cedofeita, 3 de Abril de 1934 – 8 de Dezembro de 2021), Maria Alice (Porto, Cedofeita, 19 de Setembro de 1935 – 10 de Novembro de 2021) e António Manuel (Porto, Cedofeita, 11 de Fevereiro de 1936 – 29 de Setembro de 2004), mais velhos, Maria Eduarda (1939) e Eduardo Honório (5 de Setembro de 1941 – 26 de Fevereiro de 1999), mais novos.

É por influência do tio Armando Pinto, entusiasta de futebol que fora presidente do Famalicão, que Jorge Nuno Pinto da Costa começa a interessar-se por futebol. É o tio quem paga os ingressos do FC Porto x Sporting de Braga, o primeiro jogo a que Jorge Nuno, com oito anos, assiste no Campo da Constituição, na companhia do seu irmão José Eduardo. Desde então não mais se desligou do clube, nem mesmo quando se encontrava longe do Porto, procurando sempre que possível ouvir o relato das partidas. Quando completa 16 anos, em dezembro de 1953, a avó materna inscreve-o como sócio do FC Porto.

Após o regresso ao Porto, Jorge Nuno acompanha religiosamente os jogos do clube, sobretudo de futebol e de hóquei em patins. Com cerca de 20 anos, é convidado pelo responsável pela secção de hóquei em patins para ocupar o lugar de vogal, e aceita. Em 1962 passaria a chefe de secção, cargo que viria a acumular com o de chefe da secção de hóquei em campo. Em 1967 passa a ser também chefe da secção de boxe, onde conhece Reinaldo Teles, na altura atleta da modalidade.

Em 1969, é convidado por Afonso Pinto de Magalhães a integrar a sua lista para as eleições desse ano como director das modalidades amadoras. Assim, Pinto da Costa assume pela primeira vez um cargo eleito no FC Porto, de 1969 a 1971. No final desse período, apesar de ter sido convidado por Américo de Sá a candidatar-se com ele, recusou o convite por considerar que o novo candidato deveria apresentar-se às urnas com uma lista totalmente renovada. Durante alguns anos, esteve ligado como director no Futebol Clube de Infesta.

Em 1976, em conversa com um grupo de amigos e apesar de não se encontrar a desempenhar funções no FC Porto, alguns deles — boavisteiros — provocavam Pinto da Costa por o seu clube ter deixado que o futebolista Albertino, praticamente contratado, "fugisse" para o Boavista. Em resposta, Pinto da Costa disse apenas que "largos dias têm cem anos", decidindo nesse preciso momento — soube-se mais tarde, aquando da publicação da sua autobiografia — regressar ao dirigismo desportivo. Conversou com o presidente Américo de Sá e comprometeu-se a fazer parte da sua lista nas eleições seguintes como director do departamento de futebol.

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