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Jorge Rafael Videla

Ditador argentino entre 1976 e 1981

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Jorge Rafael Videla Redondo (Mercedes, 2 de agosto de 1925 — Buenos Aires, 17 de maio de 2013) foi um general argentino e ditador de seu país entre 1976 e 1981. Chegou ao poder em um golpe de estado que depôs a presidente María Estela Martínez de Perón em 24 de março de 1976, iniciando uma ditadura na Argentina. Seu período no poder esteve marcado por repressão política, violações aos direitos humanos, perseguição a opositores, censura, torturas e mortes. Estima-se que mais de 30.000 pessoas foram mortas ou desapareceram durante o seu regime militar na Argentina, que durou até 1983.

Em 22 de novembro de 2010, Jorge Rafael Videla foi julgado por crimes contra a humanidade, condenado a prisão perpétua e destituído da patente militar pela morte de 31 prisioneiros que ocorreram após o seu golpe de estado.

Videla entrou para o Colégio Militar Nacional em 3 de março de 1942 e graduou-se em 21 de dezembro de 1944 com a patente de segundo-tenente. Após a promoção estável para o cargo de oficial subalterno de infantaria, ele frequentou a Escola Superior de Guerra entre 1952 e 1954 e se formou como oficial do Estado Maior qualificado. Videla atuou no Ministério da Defesa de 1958 a 1960 e posteriormente dirigiu a Academia Militar até 1962.

Em 1971, ele foi promovido a general de brigada e nomeado por Alejandro Agustín Lanusse como diretor do Colégio Militar Nacional. No fim de 1973, o chefe do Exército, Leandro Anaya, designou Videla como o Chefe do Estado Maior do Exército. Entre julho e agosto de 1975, Videla foi o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina. Em agosto de 1975, a então presidente, Isabelita Perón, designou Videla para a posição sênior do Exército, a de general-comandante do Exército.

O então tenente-general Videla foi nomeado comandante em chefe do exército pela presidente María Estela Martínez de Perón, Isabelita, em 1974. Videla encabeçou o golpe de estado de 24 de março de 1976 que sustituiu Isabelita por uma junta militar, formada por ele próprio, representando o Exército, o almirante Emilio Eduardo Massera pela Marinha e o brigadeiro general Orlando Ramón Agosti pela Força Aérea, dando início ao autodenominado Proceso de Reorganización Nacional.

Em 29 de março assumiu a Presidência da Nação, que ocuparia até ser substituído pelo general Viola em 1981, pelo forte desgaste público de sua imagem e desavenças no seio da cúpula militar.

Na década de 1970, a Argentina passava por uma fase de crescente exacerbação do conflito social. No início de 1974, o governo argentino começou a usar o exército para tarefas de segurança anti-subversiva. Em 1975, devido às atividades do grupo guerrilheiro comunista Exército Revolucionário do Povo na província argentina de Tucumán, a então Presidente Isabel Perón assinou o Decreto nº 261/75 que ordenava ao exército "realizar operações militares necessárias para os fins de neutralizar e / ou aniquilar as ações dos elementos subversivos na província de Tucumán". Com a consolidação da ditadura após o golpe contra Isabel Perón, os decretos do governo anterior são modificados, eliminando qualquer referência à "neutralização":Aplique poder de combate com violência máxima para aniquilar criminosos subversivos onde eles estão. A ação militar é sempre violenta e sangrenta. O criminoso subversivo que empunha armas deve ser aniquilado sem aceitar a rendição.As violações aos direitos humanos durante a ditadura foram frequentes e graves; o plano de repressão sistemática da oposição política e ideológica, combatida como subversão foi um dos elementos-chave na imposição e desenvolvimento do Proceso de Reorganización. No curso deste, a supressão do direito à ampla defesa, os encarceramentos ilegais, as torturas e os assassinatos de opositores foram moeda corrente, sobretudo nos núcleos urbanos de maior presença estudantil.

Durante o governo de Raúl Alfonsín foi instituída a Comissão Nacional de Pessoas Desaparecidas (CONADEP) para investigar e documentar o sucedido. Com base nos achados da mesma, Videla e outros membros do governo militar foram condenados pela justiça.

Durante o governo militar, o conflito limítrofe entre Argentina e Chile acerca da soberania sobre três ilhas no Canal de Beagle (Ilhas Picton, Lennox e Nueva) estava pendente de resolução e submetido ao laudo da Coroa Britânica.

Em 1977 foi ditada uma resolução desfavorável à Argentina, o que provocou uma reação imediata do governo militar. A guerra pareceu iminente no ano de 1978, e a tensão não diminuiu até a intervenção da Santa Sé. O Papa João Paulo II abriu um novo processo de mediação, nomeando como representante pessoal o cardeal Antonio Samoré, o que permitiu a desmobilização das tropas.

O conflito não se resolveria até a assinatura do Tratado de Paz e Amizade de 1984. A soberania chilena sobre as ilhas é hoje indiscutível.

José Alfredo Martínez de Hoz conduziu a economia durante toda a presidência de Videla. Suas medidas econômicas, baseadas na abertura dos mercados e no desmantelamento da legislação trabalhista vigente, contribuíram para o desmantelamento dos sindicatos e a polarização das diferenças de classe. Mesmo Martínez de Hoz tendo posteriormente negado sua implicação com as atividades repressivas do Proceso, argumenta-se que as mesmas foram necessárias para conter o descontentamento popular com os resultados econômicos. Devido à eliminação das barreiras tarifárias, a queda da produção industrial e o saldo negativo da situação exterior de Argentina durante o Proceso, o valor nominal da dívida externa se multiplicou por quatro.

O Processo enfrentou um desafio maior ao tratar de recompor sua imagem pública no exterior. Diversos grupos de opositores exilados e alguns governos denunciaram reiteradamente a situação dos direitos humanos na Argentina. O governo contraatacou com o slogan Los argentinos somos derechos y humanos (Os argentinos somos direitos e humanos) e atribuiu as críticas a uma campanha antiargentina.

Em 19 de maio de 1976 Videla protagonizou um discutível almoço com um grupo de intelectuais argentinos, Ernesto Sábato, Jorge Luis Borges, Horacio Esteban Ratti (presidente da Sociedade Argentina de Escritores) e o padre Leonardo Castellani, onde alguns dos presentes expressaram sua preocupação sobre escritores detidos ou desaparecidos.

A Copa do Mundo de 1978 foi o cenário ideal para que a ditadura tentasse ganhar o respaldo popular. O triunfo da Seleção permitiu a Videla, receber a aclamação da multidão congregada no Monumental de Núñez, estádio do River Plate, ao entregar a Copa à equipe argentina.

Entre os dias 6 e 20 de setembro de 1979, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos visitou o país, e recebeu denúncias dos afetados pelos desaparecimentos e outros abusos e se encontrou com membros do governo e da oposição.

Em 1980, o dirigente da organização Servicio Paz y Justicia (SERPAJ), Adolfo Pérez Esquivel recebeu o Prêmio Nobel da Paz, expondo ainda mais ao mundo as violações aos direitos humanos na Argentina.

Como resultado das tensões entre as três forças armadas pela repartição do poder, Videla foi afastado do cargo. Foi substituído na presidência pelo Chefe do Estado Maior do Exército, Roberto Viola.

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