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Joris-Karl Huysmans

Os primeiros trabalhos de Huysmans foram influenciados por romancistas naturalistas contemporâneos, como seu grande amig

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Os primeiros trabalhos de Huysmans foram influenciados por romancistas naturalistas contemporâneos, como seu grande amigo Émile Zola. No entanto, logo tornou-se o principal representante do Decadentismo com a publicação de Às Avessas em 1884. Sua obra se volta a um profundo pessimismo fin de siècle (fim do século), inspirado pela filosofia de Arthur Schopenhauer. Integra o movimento simbolista e se interessa pelo sobrenatural, pendendo ao Satanismo no romance Là-bas (1981), antes de se converter ao Catolicismo. Em seus últimos anos, seus romances refletiram amplo estudo sobre a religião católica e a conversão religiosa, como observado nos romances En route (1895), La Cathédrale (1898) e L'Oblat (1903). Nesses trabalhos, vemos a expressão de sua intensa busca espiritual, sua nostalgia pela Idade Média e um grande conhecimento pela arte medieval.

Sua obra é atravessada por um grande pessimismo e uma aversão pela realidade e por sua época, que Huysmans procura compensar com a paixão pela Arte e, mais tarde, pela fé. Com o mesmo personagem desiludido, entendiado e angustiado, em busca de remediar suas crises melancólicas e atormentado por sonhos estranhos, traz um estilo original e característico, com palavras incomuns, sintaxe deturpada e expressões excêntricas.

Paralelamente, foi crítico de arte, defensor da pintura impressionista, simbolista, depreciador da pintura acadêmica, mas ainda admirador da pintura flamenga e da arte gótica.

Joris-Karl Huysmans nasceu Charles Marie Georges Huysmans em Paris, em 1848. Seu pai era de ascendência holandesa; sua mãe, Elisabeth-Malvina Badin, francesa. Depois que o pai de Huysmans faleceu, Elisabeth-Malvina casou-se com Jules Og, um negociante protestante. A perda prematura de seu pai permaneceu como uma experiência traumática da infância para Huysmans. Ele manteve fielmente algo da pintura de seu pai, que foi um artista popular.

Huysmans estudou no Lycée Saint-Louis, recebendo em 1866 seu bacharelado. Com vinte anos, obteve um cargo no Ministério do Interior, lá permanecendo por 32 anos - combinando o ato de escrever com o trabalho. O primeiro livro de Huysmans, "Le drageoir aux èpices" (1874) era uma coletânea de poemas em prosa, à maneira de Charles Baudelaire. Quando foi rejeitado por diversos editores, imprimiu-o, finalmente, por sua própria conta, sob o nome Joris-Karl Huysmans. Mais tarde, inventou as famosas iniciais, J.-K.. O livro recebeu a atenção de escritores importantes, como Émile Zola, e foi seguido por alguns romances naturalistas, como "Marthe" (1876), "Les soeurs Vatard" (1879) e "En mènage" (1881). Durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870, Huysmans serviu no exército. O conto "Sac au dos" (1880), baseado em suas experiências deste período, foi publicado no Les soirées de Médan - junto com outras histórias da guerra, escritas por membros do grupo de Médan, de Zola.

Huysmans começou a publicar críticas de arte nos anos 1870, sob o pseudônimo de A. Meunier, e a defender pintores do simbolismo como Odilon Redon e Gustave Moreau. Sobre a pintura "O pobre pescador", de Puvis de Chavannes, cuja tonalidade era uniformemente cinza, escreveu: "É seco, duro e, como de hábito, possui uma rigidez ingênua afetada. Eu fico indiferente frente a esta tela, aborrecido por esta imitação burlesca da grandeza bíblica, conseguida com o sacrifício da cor ao traço. Mas, apesar desta aversão que jorra em mim quando estou diante desta pintura, não posso julgá-la, pois sinto-me ausente dela." Para Moreau e Huysmans, a Salomé sensual e inocente transformou-se na personificação do excêntrico feminino. Salomé era o assunto obsessivo principal das pinturas de Moreau, e Huysmans usou-a em uma cena de "À rebours", publicado em 1884. Esse é considerado um dos principais romances do autor e marca o início de sua fase decadente.

Em 1889, Remy de Gourmont apresenta a Huysmans sua amante, Berthe Courrière. Ela o inicia nas artes do ocultismo, tornando-se em seguida uma das inspirações para a personagem de Madame Chantelouve, em "Là-bas". Sua outra inspiração teria sido Henriette Maillat, cuja atividade favorita seria relacionar-se com personalidades do mundo literário (entre eles, Sar Péladan e Léon Bloy). Seu primeiro contato tendo sido em 1887 por uma carta anônima leva a uma breve relação no ano de 1888. Após a separação, o autor devolve a ela todas as cartas que trocaram, sem deixar de copiá-las integralmente. Buscará vingar-se ridicularizando-a com a personagem em Là-bas: Madame Chantelouve tenta seduzir Durtal com cartas cheias de elogios, quase idênticas às que Henriette enviara a Huysmans. Em setembro de 1889, mergulha em pesquisas para escrever Là-bas. Ele visita o castelo de Tifauges, onde Gilles de Rais teria massacrado inúmeros adolescentes e crianças. Là-bas é publicado em 1891, com temas controversos e, ainda assim, foi uma obra-prima que evocou a atmosfera pessimista de fim do século XIX. Todos os seus atributos fizeram dele um grande sucesso comercial.

No início de 1890, Huysmans passou por uma crise que o conduziu à sua conversão, sendo readmitido na Igreja Católica em 1892. Em 1895, foi ao monastério trapista de Issigny para passar lá uma semana. "En route" ("A caminho", 1895) expressou o desejo do autor pela vida monástica. Em "La cathédrale" (1898), Huysmans saiu das dúvidas para a aceitação completa do Catolicismo Romano. A obra foi uma prestação de contas de sua conversão e um exame detalhado da arte medieval.

Após ter renunciado ao seu cargo no Ministério, Huysmans retirou-se para Ligugé, em Poitou, onde viveu dois anos como um oblato beneditino. Quando os monges foram expulsos, retornou a Paris. Huysmans foi um dos fundadores da Academia Goncourt, e em 1900 foi eleito seu presidente. Huysmans faleceu de câncer de boca, em 12 de maio de 1907. Havia se queixado de dores de dente por vários anos, e quando diagnosticou-se o câncer, este já era incurável. Huysmans foi um hipocondríaco na maior parte de sua vida. E alguns dizem que o sofrimento final levou Huysmans à resignação cristã. Durante os últimos dias de sua vida, teve uma moléstia nos olhos, tornando-se necessário deixar suas pálpebras permanentemente fechadas. Em sua devoção, acreditou que aqueles olhos, com os quais tinha visto tantas belezas e recebido tanto prazer, tinham-lhe sido retirados para reforçar sua penitência.

Sua obra mais conhecida, À Rebours (Às Avessas), gira em torno do personagem Des Esseintes, “um exemplo ímpar de esteta e de dândi. A vida trabalhada como arte está presente nele em todos os sentidos, desde suas coleções de arte até a disposição de seus quadros e dos cômodos de sua moradia. Entretanto, diferente dos dândis públicos que teríamos conhecimento, como Oscar Wilde, na Inglaterra, e Jean Lorrain, na França, a personagem não vive uma vida pública, mas reclusa. […] Mesmo se distanciando da vida pública, Des Esseintes é um perfeito exemplo do dândi cultuando a própria vida como exemplo de Belo, se distanciando do tédio que o tomava e das crises de nevrose que sofria.”

Com "À rebours", Huysmans voltou-se contra o naturalismo, flertando com a mentalidade "decadente". Era o livro amarelo, "venenoso", a que se refere Oscar Wilde, em O retrato de Dorian Gray, cujo protagonista Dorian imita. Na história, de humor ácido, um esteta rico, Duc Jean des Esseintes, experimenta prazeres exóticos, por vezes eróticos. Vive em sua casa como em um monastério, e sonha com o progresso dos males através das eras. Des Esseintes fecha-se hermeticamente, fora do mundo, pois não ousa nem mesmo sair em viagem. Tem medo de decepcionar-se com a realidade. Cerca-se de obras de arte "que o transportariam a algum mundo estranho, apontariam o caminho de possibilidades novas e agitariam seu sistema nervoso por meio de fantasias eruditas, pesadelos complicados e suaves visões sinistras."

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