O Jornal do Commercio foi um importante jornal brasileiro, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Fundado em 1827, circulou por 188 anos, 7 meses e 29 dias, até encerrar suas atividades em 2016, devido aos efeitos da crise econômica brasileira de 2014. Era o jornal mais antigo em circulação na América Latina sob a mesma denominação (isto é, sem mudar de nome).
Teve origem no Diário Mercantil criado em 1824 por Francisco Manuel Ferreira & Cia. e focado em noticias econômicas. Adquirido por Pierre Plancher por 1:000$000 (um conto de réis), teve o seu nome mudado para "Jornal do Commercio" em 1 de outubro de 1827.
O objetivo do jornal era fornecer informações para os comerciantes do Rio de Janeiro. Contava com uma seção de movimentação do porto da cidade, além de anúncios de embarcações à venda. Posteriormente, passou a publicar notícias extraídas e traduzidas de jornais estrangeiros e comentários sobre a vida política.Destacava-se entre as demais publicações da época por seguir o padrão de jornais britânicos e tratar de política sem ser um panfleto.
Em 1830, Plancher vendeu o jornais para Junius Villeneuve e Réol Antoine de Mougenot e retornou para a França em 1834. Pouco tempo depois da venda, os sócios tiveram um desentendimento e Mougenot vendeu sua parte. Ao se tornar o único proprietário do jornal, Villeneuve conseguiu aumentar sua circulação, estabelecendo-o como um dos principais periódicos da Corte, deixando de ser um jornal exclusivamente comercial. A família Villeneuve controlou o impresso por mais de meio século, concedendo-lhe continuidade e estabilidade.
O Jornal do Commercio também foi pioneiro na publicação de romances de folhetim, se tornando o primeiro jornal a publicá-los nesse formato. Inicialmente foram veiculados em agosto de 1828, mas o jornal deu pouca continuidade a eles. As publicações foram retomadas em 1836, mas sua popularização se deu apenas em 1836. Publicado no rodapé do jornal e sempre na primeira página, era um espaço reservado ao entretenimento.
O romance-folhetim atendia um grande público de consumidores e foi utilizado pelo jornal para atrair leitores e aumentar a circulação. Obras como Os miseráveis, O conde de Monte Cristo e Os três mosqueteiros são exemplos de obras internacionais que foram publicadas no Jornal do Commercio, além de publicar obras nacionais, como A moreninha e O moço loiro.
Durante a monarquia, dom Pedro II tinha uma coluna no jornal e, no período de 1890 a 1915, sob a direção de José Carlos Rodrigues, o jornal contou com a colaboração de nomes como Rui Barbosa, Visconde de Taunay, Alcindo Guanabara, Araripe Júnior, Afonso Celso, Lima Barreto, entre outros. Era, então, editorialista, o jornalista José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.
Em 1959, foi adquirido por Assis Chateaubriand e passou a fazer parte dos Diários Associados. Em 2005, expandiu-se, inaugurando sucursais em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, onde passou a ser comercializado em bancas, concorrendo diretamente com outros importantes jornais econômicos brasileiros como Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Com a era digital, criou um portal de notícias na rede mundial.
No dia 29 de abril de 2016, circulou a sua última edição, encerrando suas atividades tanto como jornal impresso quanto como portal na internet. A causa foi a crise econômica brasileira de 2014.