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José Eduardo (político)

Político brasileiro

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José Eduardo de Andrade Vieira GOMM (Tomazina, 30 de dezembro de 1938 – Londrina, 1 de fevereiro de 2015) foi um pecuarista, banqueiro e político brasileiro filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro. Foi Senador da República e Ministro.

José Eduardo de Andrade Vieira (GOMM), nascido em Tomazina (PR) em 30 de dezembro de 1938, foi uma das figuras empresariais e políticas mais influentes e controversas do Paraná e do Brasil na segunda metade do século XX. Sua vida pública abrangeu o comando de um dos maiores bancos do país, posições de ministro e um assento no Senado, mas foi também marcada por uma dramática disputa que culminou na perda de seu império financeiro.

Conhecido popularmente como "Zé do Chapéu", uma marca registrada que refletia sua grande paixão pela pecuária e pela vida no campo, ele era filho de Avelino Antônio Vieira, fundador do Banco Bamerindus.

O Banqueiro e o Gigante Bamerindus

José Eduardo foi o último presidente do Banco Bamerindus. Sob seu comando, o Bamerindus deixou de ser um banco regional para se tornar o terceiro maior banco privado do país.

No seu auge, o Bamerindus era um colosso: possuía cerca de 1.240 agências espalhadas pelo Brasil, atendia mais de 3,6 milhões de clientes e empregava dezenas de milhares de funcionários. A marca se tornou onipresente na década de 1990, imortalizada pelo icônico jingle: "O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa...".

O Político: Senador e Ministro

Paralelamente à sua carreira de banqueiro, Vieira construiu uma robusta trajetória política. Filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do qual chegou a ser presidente nacional, elegeu-se Senador pelo Paraná em 1990.

Sua influência o levou a posições de alto escalão no governo federal:

Governo Itamar Franco: Foi Ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo (1992-1993) e, cumulativamente, Ministro da Agricultura (setembro a outubro de 1993).

Governo Fernando Henrique Cardoso:Voltou como Ministro da Agricultura (1995-1996). Em março de 1995, foi admitido por FHC à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.

A Queda do Banco e os Projetos Paralelos

O capítulo mais dramático de sua vida ocorreu em 1997. Em meio à crise bancária que se seguiu ao Plano Real, o Bamerindus sofreu uma intervenção do Banco Central.

Após a intervenção, a "parte boa" do banco (incluindo agências, clientes e depósitos) foi vendida ao grupo britânico HSBC por R$ 1 bilhão, em um leilão que contou apenas com o proponente vencedor, além da assunção de R$ 10,8 bilhões em ativos e passivos. A "parte podre" (créditos de difícil recuperação) ficou sob administração do Banco Central.

Vieira jamais aceitou a intervenção. Ele alegava ter sido vítima de uma "traição" política do governo FHC. A família Andrade Vieira sempre defendeu que o banco era solvente e que seu patrimônio líquido real era vastamente superior ao avaliado pelo BC, estimando-o em cerca de R$ 3,5 bilhões na época, tornando a venda desnecessária e ruinosa.

Além do banco, Vieira foi um industrial ousado. Fundou em Arapoti (PR) a Inpacel Indústria Ltda, um gigantesco complexo de papel e celulose. Este investimento, de altíssimo custo (estimado em US$ 1,2 bilhão na época), foi apontado por analistas como um dos fatores que teria contribuído para a pressão financeira sobre o banco.

Fortuna, Paixões e Últimos Anos

Determinar a fortuna exata de José Eduardo de Andrade Vieira é complexo, especialmente após a perda do banco. No entanto, no auge do Bamerindus, ele era inquestionavelmente um dos homens mais ricos e poderosos do Brasil, controlando um império que ia do sistema financeiro ao agronegócio e à indústria.

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