José Lezama Lima (Havana, 19 de Dezembro de 1910 – Havana, 8 de Agosto de 1976) foi um romancista, ensaísta e poeta cubano, é considerado uma das figuras mais influentes da literatura latino-americana.
Nascido no Quartel Militar de Columbia, perto de Havana, na cidade de Marianao, onde o seu pai era coronel, Lezama viveu os tempos mais turbulentos da história de Cuba, lutando contra a ditadura de Machado, e mais tarde, sofrendo discriminação durante o regime de Fidel Castro, devido a suas preferências homossexuais. A sua obra literária inclui o romance barroco, semiautobiográfico, Paradiso, de (1966), a história de um jovem e das suas lutas contra misteriosas doenças, contra a morte do seu pai, e as suas sensibilidades homossexuais e poéticas em desenvolvimento. Lezama Lima coligiu ainda várias antologias de poesia cubana e colaborou nas revistas Verbum e Orígenes, sendo considerado o patriarca das Letras Cubanas ma maior parte dos seus últimos anos.
Embora tenha deixado Cuba em pelo menos duas ocasiões (uma viagem à Jamaica e uma possível viagem ao México), a poesia de Lezama Lima, os seus ensaios e dois dos seus romances inspiraram-se em imagens e ideias de diversas culturas e períodos históricos. O estilo barroco que ele desenvolveu baseava-se em partes iguais na sua sintaxe influenciada por Góngora e por uma constelação assombrosa de imagens invulgares. O primeiro livro publicado de Lezama Lima, um longo poema intitulado "Muerte de Narciso", foi publicado quando ele tinha apenas vinte e sete anos, tornando-o instantaneamente famoso em Cuba e instituiu o estilo de Lezama e os seus temas clássicos.
Para além dos seus poemas e romances, Lezama Lima escreveu diversos ensaios sobre figuras da literatura mundial como Mallarmé, Paul Valéry, Góngora e Rimbaud, bem como sobre a estética barroca Latino-Americana. Muito notável são também os seus ensaios publicados como La –expresión americana, descrevendo a sua visão do barroco europeu, a sua relação com os clássicos, e com o barroco Americano.
José Lezama Lima morreu em 1976 e foi enterrado no Cemitério Colon, em Havana. Foi muito influente para os escritores cubanos e porto-riquenhos da sua geração, como Virgilio Piñera, Reinaldo Arenas, René Marqués e Giannina Braschi, que representaram a sua vida nas suas obras.
Apesar de José Lezama Lima ter se tornado célebre no mundo da poesia, foi com seu romance semi-autobiográfico Paradiso que o autor melhor expressou seu universo e suas experiências de linguagem. Escrito entre as décadas de 1940 e 1960, o texto, barroco, conta de forma pitoresca a história de José Cemí, abordando inicialmente a doença que lhe acomete na infância, a asma, e a descoberta de sua vocação como poeta, passando pela infância escolar e pelos ensinamentos de um mentor e guia.
De leitura densa, experimental e poética, Paradiso, editado em 2014 pela Martins Fontes, com tradução de Olga Savary, mistura diversas referências de todas as épocas, cores, sabores e lugares para apresentar ao leitor o rico universo de um homem só, que também pode ser de todos os homens.
Sendo um poeta hermético por instinto e por excesso expressivo, Lezama Lima procura a revelação do mistério da poesia. Foi um poeta religioso que, como São João da Cruz, faz prevalecer o sentir sobre o dizer. Lezama conseguiu devolver à poesia a sua essência, pois acabou por conseguir descer até à inutilidade da palavra usada e já desprovida de música. Estruturou um sistema poético do mundo sem se importar com a dificuldade que a sua leitura causava a todos os leitores: quis explicar o conhecimento do mundo desde a outra margem, do desconhecido, do outro, e nesse percurso lograr o desvendar de um novo ser nascido da obscuridade: a poesia. José Lezama Lima criou um sistema para explicar o mundo através da metáfora e especialmente da imagem, que fica bem resumido pela sua famosa frase “la imagen es la realidad del mundo invisible” ("a imagem é a realidade do mundo invisível").
Muerte de Narciso. (poesia) 1937
Coloquio con Juan Ramón Jiménez. 1938
Aventuras Sigilosas. (poema) 1945
Arístides Fernández. (ensaio) 1950
Analecta del Reloj. (ensaios) 1953
La expresión americana. (ensaio) 1969
Tratados en La Habana. (ensaio) 1958
Antología de la poesía cubana. 1965
Los grandes todos. (antología)
Posible imagen de Lezama Lima. 1969