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José Mariano Carneiro da Cunha

Político brasileiro

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José Mariano Carneiro da Cunha (Pernambuco, 8 de agosto de 1850 – Rio de Janeiro, 8 de junho de 1912) foi um político, abolicionista, jornalista, bacharel em direito, deputado federal e vereador da cidade do Recife.

José Mariano Carneiro da Cunha (1850-1912) nasceu em família da aristocracia canavieira, no Engenho Caxangá, no município de Gameleira, atual distrito de Ribeirão, em Pernambuco, no dia 8 de agosto de 1850. Com o objetivo de estudar, Mariano foi morar no Recife e ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde graduou-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1870.

Seu pai, Mariano Xavier Carneiro da Cunha, era tenente-coronel da Guarda Nacional e proprietário dos engenhos Caxangá e Mangueira, em Gameleira, e do engenho Jardim, em Sirinhaém. Sua mãe, Aurélia Honória Velloso da Silveira tinha entres seus antepassados importantes combatentes da Revolução de 1817 e da Revolução Praieira de 1848.

Enviado para estudar no Recife José Mariano ingressou, aos quinze anos de idade, em março de 1866, na Faculdade de Direito de Recife. Na época, a FDR foi um local de efervescência das ideias liberais fomentadas pela Revolução Francesa e pela Revolução Pernambucana de 1817. O ambiente acadêmico fomentou o seu engajamento na luta contra a escravidão e, nos pleitos pelos direitos e liberdades do povo. O bacharel estudou com figuras ilustres do cenário intelectual e político do Império como Rui Barbosa, Herculano Bandeira e Joaquim Nabuco, que posteriormente tornou-se seu companheiro nas campanhas abolicionistas e eleitorais no Recife da década de 1880.

Trajetória política e vida pública

Compreendendo a eficácia da imprensa para difundir projetos políticos, José Mariano fundou o jornal A Província, com filosofia abolicionista. O periódico foi o principal meio à qual seu fundador pretendia mover e alcançar seus objetivos em favor do partido liberal e no combate à escravidão. Seu primeiro número saiu em dezembro de 1872. A publicação começou fazendo oposição ao Bispo de Olinda, Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, no episódio denominado Questão Religiosa. No confronto das ideias de católicos e maçons, houve um decreto que proibia a presença dos últimos nas irmandades católicas, pois, para as autoridades religiosas os maçons exerciam poder na política e isso ameaçava o domínio da igreja. Com a efetuação do decreto elaborado pelo Papa Pio IX, decorreram retaliações e mobilizações de ambos os lados. As lutas cessaram com a condenação e prisão do Bispo de Olinda, em 2 de janeiro de 1874, e sua transferência para o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.

A partir de 1 de outubro de 1873, A Província se transforma em jornal diário, tendo como seu redator-chefe José Maria de Albuquerque Melo. Em 1876, nas eleições municipais do Recife José Mariano saiu candidato a vereador e ganhou por uma quantidade significativa de votos, pois ele contava com grande popularidade na cidade, sendo conhecido como tribuno do povo. Na Câmara de Vereadores, atuou em prol da população, tendo papel decisivo em questões de segurança, salubridade pública, urbanização, regulamentação de preços de alimentos e cobrança de impostos. Em sua estreia na sessão parlamentar de 8 de janeiro 1877, José Mariano apresentou seu primeiro projeto, que tinha como pauta o amparo financeiro daqueles que lutaram na Guerra do Paraguai.

José Mariano ingressou na carreira política no Partido Liberal, ao lado de Afonso Olindense, João Barbalho Uchoa Cavalcanti, João Francisco Teixeira, João Ramos, José Maria de Albuquerque Melo, Luís Ferreira Maciel Pinheiro e juntos traçaram as bases do que viria a ser o Movimento Abolicionista de Pernambuco.

Candidato do Partido Liberal pelo 2° distrito nas eleições para deputados gerais de 1878, concorrendo ao lado de Joaquim Nabuco (ambos do Partido Liberal), acabou sendo o deputado mais bem votado do Recife desta eleição. José Mariano desempenhou, durante o império, o mandato de deputado geral por duas vezes, de deputado provincial por duas e um de vereador. Com a proclamação da república exerceu três mandatos como deputado federal.

Com o advento da República em 1889 o abolicionista fundou no Recife a Sociedade Protetora da Infância Desvalida. A Sociedade, de caráter filantrópico, buscava arrecadar recursos para alforriar filhos de escravizados e promover a instrução destes, pois o Estado não assumia esse dever.

De acordo com Gilberto Freyre, ao longo da década de 1880, José Mariano se confraternizou com o povo de forma simples e pitoresca. Comendo sarapatel e bebendo vinho ordinário pelos quiosques, como qualquer tipógrafo ou revisor de jornal.

José Mariano permaneceu nas atividades partidárias com a instauração da República, ele era contrário ao regime do segundo presidente republicano, o Marechal Floriano Peixoto. No dia 5 de novembro de 1893 publica na edição do jornal "A Província" um manifesto apoiando a Revolta da Armada, que ocorria no Rio de Janeiro, onde pedia: "É preciso que a nação inteira se levante e faça uma última intimação ao Marechal Floriano Peixoto para que deixe o poder, pelo bem da paz e salvação da República".

No dia 14 de novembro de 1893, José Mariano foi preso, por ordem do governador Barbosa Lima, e em seguida levado para o Forte do Brum, no centro do Recife, transferido depois para a Fortaleza da Laje, no Rio de Janeiro. Apesar de preso, foi candidato às eleições para deputado federal em 1º de março de 1894, sendo eleito junto com seus companheiros de chapa do 1º Distrito Eleitoral de Pernambuco.

O periódico "A Província", fundado por Mariano, anunciou em sua primeira página, em 19 de setembro de 1894, a soltura de seu fundador no Rio de Janeiro. Em 13 de outubro 1894, José Mariano chega ao Recife. Nessa ocasião foram programados eventos para festejar seu retorno. Entretanto, o governador Barbosa Lima, alegando "prevenir possíveis desordens", enviou policiais as principais ruas da cidade. Apesar dos confrontos policiais e dos incidentes, as comemorações duraram cerca de três dias.

Em 1897, Mariano é preso novamente devido ao estado de sítio que havia sido declarado pelo então presidente Prudente de Moraes, após ter sofrido um atentado causando a morte do ministro da Guerra. Entretanto, o periódico "A Província" emitiu uma nota em 18 de novembro de 1897 declarando a inocência do deputado José Mariano. Após ter provado sua isenção a respeito do atentado ao presidente Prudente de Moraes, Mariano foi liberado pelos militares.

Com a morte de sua esposa, no dia 24 de abril de 1898, José Mariano se afasta da vida pública. Em 1899, com a perda da sua fortuna e em más condições financeiras por conta da política militante, a sua retirada da política partidária se amplia. A melhoria econômica vem em 1903 quando é nomeado Oficial do Registro de Títulos, pelo Presidente Rodrigues Alves, recebendo um Cartório de Títulos e Documentos localizado na Rua do Rosário, no Rio de Janeiro e se recolhe aos afazeres notariais.

Como ainda era popular no Recife, em 1912 foi eleito com quase 10 mil votos deputado federal da bancada de Pernambuco pelo Partido Republicano Conservador. Poucos meses após assumir o mandato, veio a falecer no Rio de Janeiro.

De acordo com Carneiro Vilela, em 8 de outubro de 1884, a partir de uma reunião marcada por João Ramos, junto a outros abolicionistas pernambucanos, surgiu o Club Relâmpago depois transformado em Club do Cupim. Essa associação abolicionista intensificou a campanha contra a escravidão em Pernambuco utilizando de instrumentos fora da legalidade, organizando fugas e levando cativos para fora da província.

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José Mariano Carneiro da Cunha | World in Stories