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José Miguel Ramón Ydígoras Fuentes

Político, Guatemala

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José Miguel Ramón Ydígoras Fuentes (Retalhuleu, 17 de outubro de 1895 — Cidade da Guatemala, 6 de outubro de 1982) foi um político e militar guatemalteco que atuou como Presidente da Guatemala de 2 de março de 1958 a 31 de março de 1963.

Ydígoras Fuentes esteve no exílio após a derrubada de Federico Ponce Vaides e depois tentou afanosamente conseguir patrocínio para derrubar o governo de Jacobo Árbenz Guzmán Após o triunfo do Movimento de Libertação Nacional em 1954, fundou o Partido Redención e foi presidente da Guatemala de 2 de março de 1958 a 31 de março de 1963, quando foi derrubado por um Golpe de Estado dirigido por seu ministro da Defesa, Enrique Peralta Azurdia. Seu regime ditatorial foi apoiado pelos Estados Unidos.

Durante sua ditadura foram suspensas as relações da Guatemala com Cuba, devido em parte à chegada de Fidel Castro ao poder. Ydígoras autorizou o treinamento na Guatemala de 5 000 tropas anticubanas; também disponibilizou pistas de pouso na área de Petén para facilitar a invasão norte-americana de 1961 à Baía dos Porcos, em Cuba. Assim mesmo, gerou-se um conflito diplomático com o México após ordenar um ataque aéreo a embarcações pesqueiras mexicanas que costumeiramente violavam águas guatemaltecas. Durante seu governo ocorreu o levante militar fracassado que marcou o início da guerra civil da Guatemala, a qual se prolongou por um período de 36 anos e causou 200.000 mortes.

Ydígoras-Fuentes nasceu em uma plantação de café em uma aldeia em Suchitepéquez, em 17 de outubro de 1895. Não perdeu seu gosto pelo café como adulto, afirmando que bebia até dez xícaras por dia, descrevendo-o como um «vício patriótico». Seu pai se chamava Miguel Ydígoras y Herreros, e sua mãe, Atala Fuentes y Ugarte. Teve um irmão, chamado Álvaro.

Formou-se como abanderado de sua turma da Escola Politécnica ― a academia militar da Guatemala ― e em 1919 representou a Guatemala na Conferência de Paz em Paris após o final da Primeira Guerra Mundial. Em 1937 foi promovido a general. Durante os anos 1920, o campo de aviação e a Escola de Aviação Militar ficavam no Campo de Marte, e o primeiro hangar era um barracão de madeira. Ydígoras-Fuentes esteve entre os primeiros alunos aspirantes a pilotos aviadores militares, junto com Oscar Morales López, Heriberto Taracena, Federico Flores Chavarría, Oscar Rodríguez e Carlos Gálvez.

Durante o governo do general Jorge Ubico, Ydígoras-Fuentes foi chefe político de dois departamentos e, em 1939, foi nomeado diretor da Direção-Geral de Estradas, cargo que ocupou até a queda do regime ubiquista em 1 de julho de 1944. Ydígoras deixou o país e foi para Washington (Estados Unidos) como adido militar e posteriormente como embaixador em Londres (Reino Unido).

Eleições presidenciais de 1950

«Os camponeses não apoiam a oposição. Eles apoiam o governo, pois foram seduzidos pela reforma agrária e por outras promessas. Certo, há camponeses inteligentes que compreendem que as promessas do governo são apenas ofertas vãs. Mas são só alguns. Nas presentes circunstâncias, são os ricos ― os latifundiários ― que devem lutar nas ruas, e eles nunca o farão. Os membros da AGA são bons atiradores, mas apenas sabem atirar em patos e outras aves indefesas; jamais atirariam em um homem armado. Somoza lhes disse: “Vou dar as armas, as munições e o dinheiro; vocês encontrem os homens dispostos”. Mas nem Ydígoras Fuentes, nem Castillo Armas, Córdova Cerna ou Coronado Lira foram capazes de encontrar homens dispostos a lutar».

Ydígoras-Fuentes retornou à Guatemala para participar como candidato opositor contra o coronel Jacobo Árbenz Guzmán nas eleições de novembro de 1950, mas foi derrotado. A oposição alegou que houve consideráveis manipulações de eleitores por parte do governo de Juan José Arévalo, que colocou à disposição do candidato oficial consideráveis recursos, mas não conseguiu reverter o resultado. Ydígoras, insatisfeito com a derrota, partiu para a embaixada dos Estados Unidos em El Salvador em 10 de janeiro de 1951 e apresentou-se ao secretário de assuntos daquela embaixada, William Wieland. Ydígoras perguntou a Wieland se ele tinha tempo para ouvir uma história sobre Arévalo e, sem esperar resposta, começou a relatar um suposto incidente no qual, durante uma reunião em Londres, na Inglaterra, havia encontrado um professor chileno cujo nome não recordava; supostamente, o professor confundiu Ydígoras com um comunista e contou que tanto ele quanto Arévalo eram agentes soviéticos e que Arévalo havia sido enviado à Guatemala para tomar o governo «em nome do Kremlin». Ydígoras então passou a relatar que estava disposto e ansioso por defender sua pátria, mas que precisava de ajuda econômica para fazê-lo. Wieland o interrompeu naquele momento e encerrou a reunião dizendo-lhe: «Obrigado, general, por esta agradável e informativa visita». Não seria a última vez que Ydígoras causaria uma péssima impressão aos oficiais estadunidenses.

Algumas semanas depois, alguns colaboradores de Ydígoras visitaram Anastasio Somoza García, presidente da Nicarágua, a quem disseram que já tinham os militares e as armas necessárias para derrubar Arévalo em 28 de fevereiro de 1951, mas que precisavam de dinheiro. Somoza disse que cumprimentassem Ydígoras em seu nome, mas não lhes deu nada, pois não acreditava que, naquele momento, o exército guatemalteco estivesse disposto a apoiar um golpe de Estado.

Ydígoras não foi o único que solicitou ajuda aos estadunidenses: o coronel reformado Roberto Barrios Peña e Guillermo Putzeiys também o fizeram, mas receberam a mesma resposta diante de suas propostas frágeis: os Estados Unidos viam com preocupação a proliferação do comunismo na Guatemala, mas não estavam em posição de apoiar um golpe de Estado naquele momento.

De El Salvador, Ydígoras-Fuentes colaborou com o coronel Castillo Armas nas primeiras etapas da invasão que a CIA organizou para derrubar o regime esquerdista de Arbenz. Mas, quando Castillo Armas já havia triunfado, enviou Ydígoras-Fuentes como embaixador à Colômbia para afastá-lo do cenário nacional.

Ydígoras-Fuentes retornou à Guatemala em 1957, após o assassinato de Castillo Armas, para participar das disputas eleitorais, nas quais saiu vencedor. Seu vice-presidente foi o poderoso pecuarista Manuel Ralda Ochoa, enquanto seu ministro das Relações Exteriores foi o bacharel Jesús Unda Murillo. Durante seu governo foram suspensas as relações da Guatemala com Cuba, devido em parte à chegada de Fidel Castro ao poder.

Conflito diplomático com o México

A partir de novembro de 1956, a Guatemala notificou várias vezes o governo mexicano sobre desmatamento ilegal de árvores em Petén e pesca ilegal de camarão em águas guatemaltecas do Oceano Pacífico desde 1954. O governo guatemalteco indicou também que tais embarcações não exibiam matrícula de identificação nem bandeira nacional e que a Guatemala se reservava o direito de atacar tais "piratas". Em 8 de novembro de 1957, o ministro guatemalteco das Relações Exteriores, Adolfo Molina Orantes, enviou uma carta diplomática, a primeira de várias queixas formais ao governo mexicano, explicando que o desmatamento ilegal de árvores e a pesca furtiva em águas territoriais da Guatemala haviam se tornado uma prática sistemática, e solicitou ao governo mexicano que, para evitar fatos que pudessem prejudicar as excelentes relações diplomáticas, o México tomasse as medidas necessárias.

Em 12 de novembro de 1958, a Direção-Geral da Marinha Mercante no México emitiu a última das exortações ao gerente dos Portos Livres Mexicanos, a qual foi ignorada mais uma vez pelas embarcações mexicanas. Isso gerou tensões adicionais entre as duas nações, ao ponto de o presidente Ydígoras-Fuentes advertir o México sobre o uso da força para preservar a integridade da fronteira e as riquezas naturais da Guatemala.

Em 28 de dezembro, uma aeronave C-47 da Força Aérea Guatemalteca realizou uma missão de reconhecimento a fim de corroborar relatos de pequenas embarcações mexicanas em águas da Guatemala. Na manhã de 29 de dezembro, Jesús Unda Murillo, ministro das Relações Exteriores da Guatemala, contatou o governo mexicano mais uma vez para que fossem tomadas medidas oportunas para evitar que embarcações mexicanas exercessem a pesca em águas territoriais guatemaltecas ou repetissem um desembarque nas costas guatemaltecas como o da semana anterior. Em 30 de dezembro, a imprensa mexicana publicou uma carta aberta escrita pelo presidente Ydígoras-Fuentes, na qual ele ameaçou "bombardear e metralhar até afundar todo barco pirata de dia e de noite, até acabar com esses bandidos, piratas e filibusteiros".

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