José Mário dos Santos Mourinho Félix GOIH (Setúbal, 26 de janeiro de 1963) é um treinador e ex-futebolista português que jogava como médio. Comanda o Real Madrid.
No Reino Unido, popularizou-se o apelido de The Special One depois de se intitular "O Special One" na sua primeira entrevista como treinador do Chelsea. Veio mais tarde clarificar em entrevista à Sky Sports que apenas tinha dito que era especial, como outros, mas não o único. Na Itália ficou conhecido como Lo Speciale; na Espanha, como El Especial. Mourinho ganhou 26 títulos, fazendo dele um dos técnicos mais bem sucedidos de todos os tempos. Foi nomeado o Treinador Português do Século XXI pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em 2015, e detém a distinção de ser o primeiro treinador a ter gasto mais de mil milhões de euros em transferências. Em 2021, foi nomeado o Treinador do Século XXI (2001–2020) pela IFFHS.
Devido ao seu conhecimento tático e à sua personalidade controversa, ele tem atraído comparações, tanto pelos admiradores como pelos críticos, com o falecido técnico argentino Helenio Herrera. Ele também é amplamente considerado por muitos no desporto como um dos maiores treinadores de todos os tempos. Após a magnífica temporada de 2010 com a Internazionale, em janeiro de 2011 foi eleito o melhor treinador do mundo pela FIFA. Em 2022, tornou-se o primeiro treinador a conquistar as três principais competições de clubes da UEFA.
Na década de 90, Mourinho trabalhou no Estrela da Amadora (como preparador físico e depois, como auxiliar técnico) e no Vitória de Setúbal. Em meados da década, foi contratado para trabalhar no Sporting com o técnico inglês Bobby Robson. Mourinho ganhou a alcunha de Tradutor, passando rapidamente de tradutor a auxiliar técnico de Bobby Robson. Manteve-se como braço direito do treinador inglês até quando ele se mudou para Porto e, mais tarde, para Barcelona.
Torna-se um conhecedor do futebol espanhol e, quando Robson saiu para o PSV, Mourinho permaneceu na Catalunha com o neerlandês Louis van Gaal. A confiança e o profissionalismo de Mourinho aumentaram o seu leque de funções. Passou a ter um papel bastante ativo como auxiliar-técnico de Van Gaal nos treinos e na preparação dos jogos.
Em 2000 surgiu a oportunidade de treinar um time português. Foi escolhido pelo Benfica para substituir Jupp Heynckes após a 4ª rodada da Primeira Liga . O primeiro jogo foi no dia 23 de setembro de 2000, no Estádio do Bessa, contra o Boavista, tendo o Benfica perdido por 1–0.
Quando começou a conquistar os torcedores benfiquistas (especialmente depois da vitória contra o rival Sporting por 3–0), houve eleições no clube. Com a mudança na presidência, de João Vale e Azevedo para Manuel Vilarinho, Mourinho saiu do Benfica após 11 jogos, uma vez que o novo presidente tinha um treinador, o também português Toni, e Mourinho sabia que estava a "prazo" no Benfica.
Ainda durante essa temporada foi contratado para o União de Leiria, no qual viria a assumir funções na temporada 2001–02 e onde se manteve até janeiro de 2002.
Em janeiro de 2002 foi escolhido para substituir Octávio Machado no comando do Porto. Terminou a temporada em terceiro lugar, conseguindo um total de 11 vitórias, dois empates e duas derrotas, tendo sido contratado com ele, do União de Leiria, o avançado brasileiro Derlei.
Mourinho prometeu com invulgar certeza o título na temporada seguinte pelo Porto: "na próxima temporada seremos campeões".
Mourinho rapidamente identifica os jogadores-chave: Vítor Baía, Ricardo Carvalho, Jorge Costa, Costinha, Deco, Dmitriy Alenichev e Hélder Postiga. A esta espinha dorsal juntaram-se, entre outros, Maniche e Edgaras Jankauskas (Benfica), Paulo Ferreira (Vitória de Setúbal), Nuno Valente e Derlei (ambos da União de Leiria). Com o rigor tático e a determinação sui generis de Mourinho, o Porto cresce em Portugal assim como na Europa. Em dois anos venceram duas competições europeias e as duas Superligas.
Em 2003, Mourinho ganhou o primeiro campeonato português com 27 vitórias, cinco empates e duas derrotas, venceu a Taça de Portugal (contra o seu anterior clube, União Leiria) e conquistou a Copa da UEFA contra o Celtic.
No ano seguinte conquistou mais uma vez a Primeira Liga, agora com oito pontos de vantagem. Em 16 de maio perdeu na final da Taça de Portugal contra o rival Benfica, 10 dias antes de triunfar na mais alta prova da UEFA, a Liga dos Campeões, derrotando o Monaco por 3–0. Em toda a competição, o Porto de Mourinho só perdeu para o Real Madrid na fase de grupos e depois eliminou Manchester United, Lyon e o Deportivo La Coruña. Na entrevista rápida da final da Liga dos Campeões, José Mourinho afirmou que seu desejo era de almejar novos ares, e que iria procurar o melhor para ele e para o clube.
Com tal percurso não foi surpresa a cobiça de diversos clubes, entre eles o Chelsea do bilionário russo Roman Abramovich. Em Portugal, alguns duvidaram que o sucesso de Mourinho se mantivesse além das fronteiras. Em junho de 2004 tornou-se um dos treinadores mais bem pagos do mundo, ganhando cerca de 5 milhões de libras por ano.
Tal como fez no Porto, Mourinho não foi só. Levou consigo os seus auxiliares Baltemar Brito e André Villas-Boas, o preparador físico Rui Faria e o treinador de guarda-redes Silvino. A fortuna do russo Roman Abramovich ajudou Mourinho na contratação de grandes jogadores: Tiago (Benfica), Didier Drogba (Olympique de Marselha), Arjen Robben e Mateja Kežman (PSV), além de Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira (Porto).
Em dezembro de 2004, já era líder da Premier League. No dia 27 de fevereiro de 2005, venceu o Liverpool por 3–2 na Copa da Liga Inglesa e conquistou o seu primeiro troféu como treinador fora de Portugal. Dois meses mais tarde, no dia 30 de abril de 2005, Mourinho sagrou-se campeão inglês após ter vencido o Bolton por 2–0. O Chelsea não ganhava o campeonato havia 50 anos.
Ficou uma pedra no sapato de Mourinho: no dia 3 de maio de 2005, foi eliminado da Liga dos Campeões pelo Liverpool, na semifinal, depois de eliminar nas quartas de final o Barcelona. Entretanto, renovou seu contrato com os Blues. No dia 9 de junho de 2005, foi lhe atribuído o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Na temporada seguinte, 2005–06, Mourinho e o Chelsea voltam a conquistar a Premier League.