Neste Dia

José Nasazzi

Futebolista uruguaio

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José Nasazzi Yarza (Montevidéu, 24 de março de 1901 - Montevidéu, 17 de junho de 1968) foi um futebolista e treinador considerado "o prócer do futebol uruguaio", sendo capitão em todos os jogos que realizou pela Seleção Uruguaia de Futebol, e em tempos nos quais o posto equivalia ao próprio cargo de treinador, sendo o responsável pelas escalações do ciclo áureo da Celeste Olímpica. Pelo Uruguai, foi bicampeão olímpico, e também capitão da primeira seleção vencedora da Copa do Mundo FIFA: o Uruguai de 1930. É um dos poucos futebolistas na história que são campeões das Olimpíadas e também da Copa do Mundo.

Na Copa de 1930, ele era jogador do pequeno Bella Vista, clube cujo estádio leva o nome de Nasazzi.[carece de fontes?] Nasazzi e Obdulio Varela, por sua vez o capitão da Celeste campeã de 1950, são, para além desses títulos, considerados os maiores capitães do futebol uruguaio. Nasazzi também foi um antecessor dos laterais. Na seleção, o volante central costumava retroceder para que o capitão avançasse por um dos lados, normalmente o direito, para perto do ataque. No início da carreira, ele inclusive chegou a ser centroavante.

Zagueiro central de grande força física, fora dos campos tinha um comportamento humilde e bem humorado, mas dentro exibia personalidade forte. Violento se necessário, se tornou um dos mais laureados atletas da história futebolística, sendo o único juntamente com Pedro Cea, Héctor Scarone e José Leandro Andrade a ser titular em todas as conquistas da Seleção Uruguaia nos anos 1920. O sindicato de jornalistas esportivos uruguaios elegeria Nasazzi o melhor esportista do país no século XX. Foi apelidado de El Mariscal ("O Marechal)", El Terrible ("O Terrível") e ainda El Único. Quando faleceu, foi descrito pelos rivais argentinos como alguém que "ficou na história do futebol uruguaio como o defensor de força e talento, de dentes apertados, que protegia seu gol como uma trincheira, até o último tiro".

Pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol, Nasazzi foi eleito, também para o século XX, o sétimo maior jogador uruguaio, à frente de Pedro Rocha (oitavo) e Alcides Ghiggia (décimo), e o 26º maior da América do Sul, à frente até de Romário, Paulo Roberto Falcão, Rivellino, Carlos Alberto Torres e Daniel Passarella, dentre outros. A revista britânica World Soccer incluiu o uruguaio entre os cem maiores jogadores do século XX, precisamente na 75ª posição, à frente de Alessandro Del Piero, Enzo Francescoli, novamente Falcão, Ryan Giggs, Sepp Maier, Zbigniew Boniek, Giacinto Facchetti e Raymond Kopa, dentre outros.[carece de fontes?]

Filho do italiano Giuseppe Nasazzi (falecido ainda na infância de José), nascido na Lombardia, e da uruguaia de pais bascos Jacinta Yarza, nasceu e residia no bairro de Villa Peñarol, no subúrbio de Montevidéu. Nasazzi e mãe passaram a residir no bairro montevideano de Bella Vista após a perda paterna. O clube de mesmo nome só viria a existir em 1920;[carece de fontes?] Nasazzi iniciou no futebol no campinho da capela salesiana da vizinhança, o qual futuramente daria lugar ao campo do Bella Vista, lugar cuja associação com os salesianos renderia ao clube o apelido de Los Papales. Já na infância dedicava-se ao futebol, tendo na Domingo Savio a sua primeira equipe séria.

Na época amadora do futebol uruguaio, Nasazzi tornou-se empregado de uma companhia de materiais de construção, onde trabalhava com mármore em paralelo a atividades esportivas no juvenis do Lito. Defendeu ainda o Roland Moor, aos 20 anos. Após a fundação do Bella Vista, solicitou transferência a este clube, negada. Precisou esperar um ano. Quando veio, o Bella Vista conseguiu o título da segunda divisão e consequente acesso à elite do campeonato uruguaio, na qual estreou em 1923. E foi de Nasazzi, na época ainda centroavante, o primeiro gol papal na primeira divisão.

Ainda em 1923, foi improvisado na zaga em função da lesão de um colega, firmando-se na nova posição a ponto de ainda em 1923 ser convocado à Copa América daquele ano. Foi o ano de sua estreia na seleção uruguaia e ele, além de titular na competição, também foi eleito o melhor jogador.[carece de fontes?]

Desde 1922, o futebol uruguaio passava por um cisma, a durar até 1925, separando os dois principais clubes do país:[carece de fontes?] o Nacional permanecia na liga reconhecida pela FIFA e o Peñarol, em outra, privando os jogadores aurinegros de integrarem a seleção uruguaia. Sem o Peñarol, o Bella Vista de Nasazzi e José Leandro Andrade, que chegou ao clube exatamente por convite de Nasazzi, tornou-se o principal concorrente do Nacional no campeonato de 1924, bem como foi o segundo clube mais representado entre os uruguaios titulares na final da Copa do Mundo FIFA de 1930.

Em 1924, Nasazzi e Andrade também integraram como titulares a seleção campeã olímpica de 1924.[carece de fontes?] Foi após essas Olimpíadas que Nasazzi deixou de vez o trabalho com mármore. Nasazzi seguiria no Bella Vista até o início da década de 1930 e como jogador do clube liderou a seleção uruguaia nas grandes conquistas dela na década de 1920, culminando na Copa do Mundo FIFA de 1930. O estádio do clube acabaria nomeado José Nasazzi.[carece de fontes?]

Ainda como jogador do Bella Vista, Nasazzi foi emprestado ao Club Nacional de Football em 1925. Não houve campeonato uruguaio naquele ano[carece de fontes?] e o clube tricolor aproveitou para realizar uma vitoriosa excursão à Europa. No ano seguinte ao primeiro ouro olímpico do futebol uruguaio e sul-americano, a viagem confirmou o valor do futebol uruguaio. 700 mil pessoas viram a equipe ao longo de 38 partidas. Nasazzi também participou, emprestado. Foram 130 gols marcados, somente 30 sofridos, com 26 vitórias e somente cinco derrotas.

Nasazzi, ex-centroavante convertido em zagueiro, demonstrou olfato de gol, marcando nove vezes, incluindo quatro em uma só partida no 6-0 em combinado do Tirol austríaco em Innsbruck. Outros dois vieram em 5-1 na Suíça na Basileia e mais três em Viena, com um na vitória por 2-1 sobre o Rapid e os dois da vitória por 2-0 sobre a própria seleção austríaca. Seu outro gol veio no 7-2 no Porto contra o combinado local.

Nasazzi voltou a defender o clube em 1933, agora devidamente contratado, com a oficialização do profissionalismo no futebol uruguaio tendo ocorrido em 1932. Os tricolores não eram campeões uruguaios desde 1924 e encerram o jejum no torneio de 1933,[carece de fontes?] com uma equipe apelidada de La Máquina, que possuía uma dupla de zaga brilhante formada por Nasazzi e o brasileiro Domingos da Guia, a ficar no campeonato um turno e meio sem sofrer gols. O campeonato só foi concluído já no mês de novembro de 1934. Nacional e Peñarol haviam terminado o ano de 1933 empatados ao fim da temporada regular, forçando jogos-extras a partir de maio. Foram três encontros seguidamente empatados a cada dois meses aproximadamente, fazendo do campeonato de 1933 o mais longo da história, enquanto o campeonato próprio pelo ano de 1934 já estava em andamento desde julho.

O primeiro desses clássicos decisivos terminou sob muita polêmica. O jogo terminou em 0-0, mas ficou conhecido pelo "gol da mala", pois um arremate do adversário brasileiro João de Almeida "Bahia" foi para fora. A bola voltou a campo após rebater na mala de um membro da comissão técnica do Nacional, e assim o aurinegro Braulio Castro chutou para as redes. O árbitro não era famoso e seus gestos confundiram os jogadores do Nacional, que acreditaram que ele estava validando o lance, gerando um tumulto que suspendeu a partida no minuto 70.

Nasazzi (já sem a companhia de Domingos, transferido ao Boca Juniors em 1934) e Juan Labraga foram expulsos por agressões ao juiz. O capitão acabou suspenso por um ano, desfalcando o clube na campanha campeã no campeonato propriamente válido para o ano de 1934. Parou de jogar em 1937, com os campeonatos seguintes (1935, 1936 e 1937) sendo vencidos pelo rival.[carece de fontes?]

Estreou pela Seleção Uruguaia de Futebol em 1923 e parou em 1936, totalizando 41 jogos oficias, sem gols.[carece de fontes?] Ainda jogava no Bella Vista, que estreava na primeira divisão. A estreia foi em 4 de novembro,[carece de fontes?] em vitória por 2-0 na estreia da Copa América daquele ano. Nasazzi foi eleito o melhor jogador dessa edição.[carece de fontes?]

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