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José Rafael Botelho

Arquiteto português

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José Rafael Santos Nunes Botelho (São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 13 de Março de 1923) é um arquiteto e urbanista português.

Pertence à 3.ª geração de arquitetos modernistas portugueses, a par de Manuel Tainha, Fernando Távora ou Nuno Teotónio Pereira.

Arquiteto pela Escola de Belas Artes de Lisboa e com sólida formação internacional em urbanismo, Botelho tem realizado uma obra multifacetada que abarca ambas as áreas. Entre as décadas de 1950 e 1970 teve ação particularmente marcante na área do planeamento, sendo responsável por trabalhos de referência como o Plano de Olivais Sul (1961), o Plano Diretor do Parque Nacional da Península de Setúbal (1963) ou o Plano Diretor da cidade do Funchal (1969).

Nasceu na freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa. É filho do pintor Carlos Botelho e da professora primária Beatriz dos Santos Botelho, natural de Lisboa (freguesia de São Sebastião da Pedreira).

A 20 de dezembro de 1947, casou civilmente em Lisboa com Maria Leonor Tasso de Figueiredo Faro Viana (Portimão, Portimão, c. 1926 – Lisboa, 17 de junho de 2011), filha do empregado bancário Adriano de Faro Viana, natural do Porto (freguesia de Santo Ildefonso), e de Maria Helena Tasso de Figueredo Faro Viana, doméstica, natural de Lisboa (freguesia de São José).

Licenciou-se em arquitetura na Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1952.

Entre 1952 e 1954 frequentou o curso de urbanismo no Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris (concluído em 1961 com defesa da tese).

Iniciou atividade profissional no ateliê de Keil do Amaral e colaborou no ateliê de Raul Chorão Ramalho.

Venceu o 1.º Prémio do Concurso Lusalite, 1951.

Estagia em Inglaterra como bolseiro do British Council (1956-57), contactando com o planeamento britânico do pós-guerra; visita parques nacionais e cidades novas. Em 1964 faz permanências na Holanda e Inglaterra como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, centrando-se uma vez mais nas questões do planeamento, com particular atenção aos problemas do recreio de massa e do turismo.

Entre 1955 e 1961 dirige o Gabinete de Urbanização da Câmara Municipal de Almada; elabora uma Proposta de Criação de um Parque Nacional da Península de Setúbal (colaboração de António Pinto Freitas e Celestino de Castro, entre outros).

Em 1959 ingressa no Gabinete Técnico da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa (até 1962); lidera a elaboração do Plano de Olivais Sul, Lisboa (colaboração de Carlos Duarte, António Pinto Freitas, Celestino de Castro e Mário Bruxelas). Este plano assinala um deliberado distanciamento dos princípios da Carta de Atenas. Referenciando-se à sua própria experiência profissional e a novos modelos de planeamento, Botelho optou por um modelo celular, capaz de viabilizar uma maior participação dos autores dos projetos no desenho urbano e encorajando a mistura de tipos e formas de agrupamento ("a diversidade impondo-se à unidade").

Também no GTH, elabora o Plano Base de Chelas, Lisboa (com Francisco Silva Dias, que seria depois coordenador do plano definitivo, e J. Reis Machado).

Em 1961 publica na revista Binário (nº31) um texto intitulado Problemas de recreio e cultura no planeamento, referindo a necessidade de promulgação de uma lei visando a criação de Parques e Reservas Naturais, acautelando a salvaguarda e valorização, a nível nacional, da "conservação da natureza e dos problemas científicos, culturais e recreativos a ela ligados".

À frente de uma equipa multidisciplinar que integrava profissionais da área da arquitetura — António Pinto Freitas e Francisco Silva Dias —, arquitetura paisagista, geologia, silvicultura, climatologia, etc., elabora o Plano Diretor do Parque Nacional da Península de Setúbal (1964) e o Plano de Conservação e Valorização da Zona da Arrábida (1965), dando sequência à anterior Proposta de Criação de um Parque Nacional da Península de Setúbal (nenhum destes planos seria implementado).

Entre 1965 e 1970 realiza o Plano de Urbanização da cidade do Funchal, Madeira (tendo como colaboradores Pitum Keil do Amaral e José Luís Zuquete, entre outros); segundo Victor Mestre, esse plano é considerado uma "referência nacional". Paralelamente, promove e participa ativamente no Colóquio de Urbanismo (Funchal, 1969), onde foram abordadas questões abrangentes de planeamento e aberta a discussão pública em torno do caso concreto do Funchal, "desencadeando um maior interesse e participação coletiva, de técnicos e população em geral".

Entre 1972 e 1974 lidera o Gabinete de Planeamento Territorial do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, elaborando a Proposta-base do Plano de Ordenamento Territorial do Distrito Autónomo de Ponta Delgada (colaboração de Pitum Keil do Amaral, Luís Moreira e João Maia Macedo, entre outros). Com o objetivo de criar condições favoráveis a uma "participação pública tão efetiva e operante quanto possível" na elaboração do futuro plano, foi realizada a exposição Bases Preliminares para uma Participação no Planeamento Territorial do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, Ponta Delgada, Dezembro de 1973. O processo de planeamento seria interrompido em 1974.

Na segunda metade da década de 1970 José Rafael Botelho colabora nos serviços do SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local) e no Ministério da Agricultura; lidera ainda um gabinete de planeamento na Câmara Municipal de Lisboa (1978-80).

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José Rafael Botelho | World in Stories