José António Afonso Rodrigues dos Santos (Beira, Província Ultramarina de Moçambique, 1 de abril de 1964) é um jornalista, correspondente de guerra, professor universitário e escritor português nascido na antiga província ultramarina portuguesa de Moçambique. Desde 1991 que apresenta o Telejornal, o principal noticiário da RTP1. Em 2016, foi eleito o melhor escritor português, por 28 000 portugueses.
Casou, em 1988, com Florbela Cardoso. Tem duas filhas, Catarina Cardoso Rodrigues dos Santos (1991) e Inês Cardoso Rodrigues dos Santos (1998).
Natural da cidade da Beira, na província de Sofala, antiga província ultramarina de Moçambique do Império Português, filho de José da Paz Brandão Rodrigues dos Santos (Penafiel, 13 de outubro de 1930 - janeiro de 1986), médico, e de sua mulher Maria Manuela de Campos Afonso Matos, mudou-se ainda bebé, aos 15 meses, para a cidade de Tete, onde permaneceu até aos oito anos, convivendo com a Guerra Colonial.
Alguns dos seus antepassados estiveram envolvidos na Primeira Guerra Mundial, nas Flandres e na Guerra Colonial em África, sendo que o seu segundo romance, intitulado A Filha do Capitão, é dedicado ao seu avô paterno e ao seu bisavô materno.
Percurso durante a adolescência e juventude
Após a separação dos seus pais, vai para Lisboa onde vive com a mãe. No entanto, as dificuldades económicas da mãe levam-no a mudar-se para a residência do pai, em Penafiel, no Norte de Portugal. A difícil adaptação do pai a terras lusas motivou a partida para Macau. Já no Oriente, participa na elaboração de um jornal escolar, que desperta o interesse dos responsáveis da rádio local e leva o jovem estudante a ser entrevistado por uma jornalista que acabara de chegar a Macau, Judite de Sousa, hoje outra bem conhecida jornalista portuguesa, com quem viria a trabalhar na RTP. Em 1981, aos 17 anos, o jovem José Rodrigues dos Santos inicia-se verdadeiramente no jornalismo, ao serviço da Rádio Macau.[carece de fontes?]
Em 1983, regressa a Portugal para frequentar o curso de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa. Terminado o curso, candidata-se a um estágio na BBC (British Broadcasting Corporation), a bem conhecida emissora britânica de televisão. A resposta é positiva, mas não lhe é concedido qualquer financiamento. Aplica então a herança do pai, entretanto falecido, em três meses de experiência profissional em Inglaterra.[carece de fontes?]
Regressa a Portugal, onde obtém duas distinções: o Prémio Ensaio do Clube Português de Imprensa, em 1986 e o Prémio de Mérito Académico do American Club of Lisbon, em 1987. Devido a essas credenciais, é convidado pela BBC World Service para trabalhar em Londres, onde fica durante três anos, até 1990.
Da BBC, seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o noticiário do fim da noite, o 24 Horas. Em 16 de janeiro de 1991, as forças coligadas de 28 países liderados pelos Estados Unidos dão início ao bombardeio aéreo de Bagdá, no Iraque, dando início à Primeira Guerra do Golfo. José Rodrigues dos Santos protagoniza então uma maratona televisiva de cerca de 10 horas, sobre o ataque americano ao Iraque.
Em 1991, passou para a apresentação do diário Telejornal, o espaço informativo mais visto da RTP, no ar já há sessenta e cinco anos, e tornou-se colaborador permanente da CNN (Cable News Network), a cadeia norte-americana de informação em contínuo, de 1993 a 2002. Hoje, continua a apresentar o Telejornal.
Doutorado em Ciências da Comunicação, com uma tese sobre reportagem de guerra, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Diretor de Informação da televisão pública portuguesa.
Foi galardoado, além dos prémios já referidos, com o Grande Prémio de Jornalismo, em 1994, atribuído pelo Clube Português de Imprensa. Internacionalmente, venceu três prémios da CNN: o Best News Breaking Story of the Year, em 1994, pela história "Huambo Battle", relacionada com a Guerra de Angola; o Best News Story of the Year for the Sunday, em 1998, pela reportagem "Albania Bunkers"; e o Contributor Achievement Award - que é considerado o Pullitzer do jornalismo televisivo -, em 2000, pelo conjunto do seu trabalho,
Para além da sua mais conhecida faceta como jornalista, José Rodrigues dos Santos é também um ensaísta e romancista. Especialmente nesta última vertente, tornou-se dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar maior número de edições com livros que venderam mais de cem mil exemplares cada.[carece de fontes?]
Até ao final de 2012, publicou quatro ensaios e dez romances. O romance de estreia, intitulado A Ilha das Trevas, foi reeditado pela Gradiva, em 2007, atual editora do autor.
Em 2005, José Rodrigues dos Santos estabeleceu um acordo com uma das principais editoras a operar nos Estados Unidos, a Harper Collins, com o objetivo de lançar naquele país a obra O Codex 632. O livro foi apresentado na Book Fair America de 2007 e foi publicado nos EUA em 2009, com o seguinte nome: Codex 632. The Secret of Cristopher Columbus: A Novel. A obra deu origem à série luso-brasileira Codex 632, que estreou em 2023.
Não é incomum Rodrigues dos Santos divulgar obras suas em espaços televisivos da própria estação em que trabalha, a RTP.
José Rodrigues dos Santos anunciou publicamente que não votava, dizendo que o fazia para manter a independência. Isso não o impediu de se envolver em várias polémicas.[carece de fontes?].
A primeira colocou-o em conflito com o centro-direita em 2004, quando era diretor de Informação da RTP sob o governo PSD/CDS de Durão Barroso. O Expresso noticiou em outubro que o ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, que tutelava a RTP, considerava que a manutenção de José Rodrigues dos Santos à frente da Informação da televisão pública era “algo a avaliar”. Questionado sobre o assunto por Arons de Carvalho, deputado do PS, Morais Sarmento afirmou que "[havia] limites” para a independência da RTP e que “no fim do dia não [eram] os jornalistas que [iriam] responder perante o povo. Afirmou também que "quem depois responde pelas opções políticas e pelo gasto do dinheiro público não são os jornalistas doutorados”, numa aparente referência a José Rodrigues dos Santos, jornalista doutorado. Duas semanas depois, num concurso interno para selecionar o novo correspondente da RTP em Madrid, a Administração escolheu o 4º classificado em detrimento dos três primeiros classificados. José Rodrigues dos Santos demitiu-se do cargo de Diretor de Informação, alegando “interferência” na área editorial. O inquérito levado a cabo pelo regulador dos media, a AACS (predecessora da ERC), concluiu ter havido de facto “ingerência ilegítima” da administração no processo.