José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa GCIH (Vilar de Maçada, Alijó, 6 de setembro de 1957) é um engenheiro técnico e político português.
Foi secretário-geral do Partido Socialista, de setembro de 2004 a julho de 2011 e primeiro-ministro de Portugal de 12 de março de 2005 a 21 de junho de 2011. Além desses cargos, José Sócrates foi secretário de estado-adjunto do Ministério do Ambiente e Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território no governo de António Guterres, e um dos organizadores do campeonato de futebol UEFA Euro 2004 em Portugal.
Licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Independente, com mestrado em Ciência Política (2013), pela Escola Doutoral do Instituto de Estudos Políticos de Paris, José Sócrates foi desautorizado a usar esse título pela Ordem dos Engenheiros, em 2017, enquanto aguardava julgamento em liberdade, com Termo de Identidade e Residência, desde 16 de outubro de 2015, por suspeita dos crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Anteriormente, estivera em prisão domiciliária, durante cerca de um mês (entre setembro e outubro de 2015), e em prisão preventiva, durante nove meses (de novembro de 2014 a setembro de 2015).
Em 2024, o Tribunal da Relação de Lisboa aceitou recurso do ex-primeiro-ministro de Portugal e anulou a decisão de pronúncia contra ele, em três crimes de lavagem de dinheiro e três de falsificação de documentos. A corte também cassou as medidas cautelares impostas a Sócrates. Entretanto o ex-governante ainda deve responder na Justiça por outros 22 crimes.
Enquanto esteve preso, Sócrates escreveu parte do livro Só Agora Começou, no qual, além de se defender das acusações de que foi alvo, faz críticas ao Sistema de Justiça Penal português. O livro tem prefácio de Dilma Rousseff.
José Sócrates nasceu na freguesia de Miragaia no Porto a 6 de Setembro de 1957 e foi registado como um recém-nascido na freguesia de Vilar de Maçada, concelho de Alijó, terra natal do seu pai, o arquiteto Fernando Pinto de Sousa. No entanto, o jovem José Sócrates viveu toda a infância e adolescência na cidade da Covilhã com o seu pai, que se radicara nessa cidade.
José Sócrates estudou na Escola Secundária Frei Heitor Pinto na Covilhã. Em 1975, inscreveu-se no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), atualmente integrado no Instituto Politécnico de Coimbra. Em 1979, quatro anos após ingressar no ISEC, obteve o grau de bacharel em Engenharia Civil, o que lhe conferiu o título profissional de engenheiro técnico civil. De 1987 a 1993, esteve matriculado na Universidade Lusíada de Lisboa, uma universidade privada, a cursar Direito, mas abandonou o curso. Participou no curso de Engenharia Sanitária para engenheiros municipais da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.
No ano letivo de 1994/95 ingressou no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) do Instituto Politécnico de Lisboa, onde completou o primeiro ano do curso de estudos superiores especializados em Engenharia Civil, curso conducente ao diploma de estudos superiores especializados que, nos termos da lei, confere o grau de licenciado. Optou, entretanto, por se inscrever na Universidade Independente, uma universidade privada sediada em Lisboa, para aí concluir a licenciatura em Engenharia Civil o que ocorreu em 1996.
Frequentou o Mestrado no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, hoje Iscte Instituto Universitário de Lisboa, tendo-lhe sido atribuído, em 2005, o diploma de MBA, referente à parte lectiva do mestrado que frequentou, que ele obteve após ter realizado com sucesso o primeiro semestre de um programa de graduação de dois anos de Mestrado do Iscte, que não concluiu.
Em março de 2007, já como Primeiro-ministro, a licenciatura de José Sócrates em Engenharia Civil, obtida na Universidade Independente, foi posta em causa, bem como o uso do título "engenheiro" quando ainda era "engenheiro técnico" ou sendo apenas licenciado em engenharia civil. Essas circunstâncias provocaram a maior controvérsia do ano.
Uma investigação oficial sobre a validade das habilitações de José Sócrates concluiu que ele não incorreu em qualquer ilegalidade, contudo a Universidade Independente foi encerrada em 2007 por falta de qualidade pedagógica e má conduta ética e administrativa, após um processo movido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Em 2015, concluiu o Ministério Público pela nulidade do seu percurso académico. Em outubro de 2017, a Ordem dos Engenheiros esclareceu que José Sócrates não está, nem nunca esteve, inscrito na Ordem dos Engenheiros, não sendo assim portador do título profissional de "engenheiro". Os engenheiros técnicos são reconhecidos pela Ordem dos Engenheiros Técnicos (OET).
Após a sua demissão do cargo de primeiro-ministro, Sócrates pediu, nos termos da lei, uma licença, sem vencimento, das funções de engenheiro na Câmara Municipal da Covilhã, para ingressar no Instituto de Estudos Políticos de Paris, uma universidade privada francesa, onde estudou Teoria Política. Obteve o grau de Mestre com uma dissertação sobre a tortura em democracia.
Mais tarde, a sua dissertação seria transformada no livro A Confiança no Mundo: Sobre a Tortura em Democracia, editado pela Almedina e apresentado no Museu da Electricidade, a 23 de Outubro de 2013. O livro teve cinco edições, sendo que as primeiras se esgotaram. Segundo o jornal Sol, Sócrates teria comprado cerca de 10 mil exemplares, com a ajuda de Carlos Santos Silva e Gonçalo Ferreira.
Em março de 2015, foi anunciado à imprensa que escutas telefónicas a José Sócrates, feitas no âmbito da Operação Marquês, levaram os investigadores a concluir que o livro A Confiança no Mundo: Sobre a Tortura em Democracia não fora escrito por ele, mas por Domingos Farinho, um professor universitário da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Posteriormente, Farinho admitiu ao Ministério Público ter recebido 24 mil euros, entre o final de 2012 e o verão de 2013, para prestar ajuda a José Sócrates na elaboração da sua tese de mestrado em Ciência Política, apresentada no Institut d'Études Politiques de Paris, e, também, na preparação do livro O Mal que Deploramos: O Drone, o Terror e os Assassinatos-Alvo, editado pela Sextante, da Porto Editora.
Após concluir a graduação, no final dos anos 1970, José Sócrates trabalhou como engenheiro técnico civil e atuou no comércio, antes de ingressar na política.
Durante a década de 1980, José Sócrates especializou-se na execução de diversos projectos de âmbito privado, nomeadamente habitações-base de emigrantes, na zona da Covilhã e arredores. José Sócrates subscreveu pelo menos 21 projectos entre Outubro de 1988, data em que se tornou deputado em regime de dedicação exclusiva, auferindo o subsídio correspondente, e o final de 1990. Tal levantou questões sobre a incompatibilidade do exercício do mandato de deputado em exclusividade com a atividade de execução de projetos de engenharia. Contudo, José Sócrates afirmou ter feito os projetos a pedido de amigos e sem receber qualquer remuneração, pelo que considerava não existir qualquer incompatibilidade.
Durante a sua actuação como projectista de edifícios na Guarda, na década de 1980, foi alvo de duas repreensões por unanimidade pela Câmara Municipal da Guarda, ameaças de sanções legais e severas críticas dos serviços camarários, por causa da falta de qualidade dos seus projectos e de acompanhamento das obras, a chegar a ser ameaçado com sanções disciplinares, tendo sido afastado da direção técnica de diversas obras particulares. Os vereadores do PSD na Câmara Municipal da Guarda questionavam a autoria dos projetos e apresentaram queixa-crime, alegando que José Sócrates apenas assinava os projetos na vez de colegas que seriam os verdadeiros autores dos projetos, mas que não poderiam assinar os projetos devido a conflitos de interesses. Contudo, o inquérito a respeito de um eventual crime de falsificação de documento foi arquivado pelo Ministério Público em 2009, uma vez que, a ter ocorrido crime, este já estaria prescrito, pois dizia respeito à década de 1980. José Sócrates alegou sempre ser o autor de todos os projetos em causa.