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José de Abreu (ator)

Ator brasileiro

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José Pereira de Abreu Júnior (Santa Rita do Passa Quatro, 24 de maio de 1946) é um ator brasileiro, amplamente conhecido como um dos intérpretes mais versáteis e intensos da televisão, do cinema e do teatro. Com uma carreira consolidada ao longo de mais de cinco décadas, destacou-se pela construção de personagens de forte presença dramática, transitando entre antagonistas, figuras de autoridade e de grande complexidade psicológica. Ao longo da carreira, ganhou diversos prêmios como um Troféu Kikito, um Troféu APCA, um Prêmio Extra e um Prêmio Golden Rooster.

Abreu estreou profissionalmente no teatro em 1967, com a peça Morte e Vida Severina. Desde então, tornou-se um dos principais atores do país, transitando entre os principais meios de comunicação no país. No teatro, destacou-se em montagens como Beijo no Asfalto, O Beijo da Mulher Aranha, A Mulher Sem Pecado, Bonifácio Bulhões e A Baleia.

Na televisão, sua estreia ocorreu em 1980 na novela As Três Marias, da TV Globo. Em telenovelas, Abreu teve personagens marcantes em Ti Ti Ti (1985), Anos Dourados (1986), O Outro (1987), Bebê a Bordo (1988–1989), A Indomada (1997), Porto dos Milagres (2001), Senhora do Destino (2004–2005), Desejo Proibido (2008), Caminho das Índias (2009), Joia Rara (2013–2014), A Regra do Jogo (2015–2016) e Guerreiros do Sol (2025). Por seu papel como Nilo no sucesso mundial Avenida Brasil (2012) ganhou um APCA e um Extra, bem como uma indicação ao Melhores do Ano.

No cinema, Abreu fez sua estreia em 1968, com uma participação no filme Anuska, Manequim e Mulher. Desde então, é reconhecido pela versatilidade, tendo atuado nos mais variados gêneros, com destaque para Luzia Homem (1987), O Casamento dos Trapalhões (1988), Mistério no Colégio Brasil (1988), O Guarani (1996), Guerra dos Canudos (1997), Bela Noite para Voar (2009), O Menino da Porteira (2009), Meu Pé de Laranja Lima (2012), O Tempo e o Vento (2013). Por sua atuação como protagonista em Antes que Eu me Esqueça (2018), ele ganhou prêmios em festivais internacionais como Golden Rooster e no Jaipur International Film Festival.

Além de sua trajetória artística, Abreu também se tornou conhecido por sua polêmica atuação no debate público e por seu posicionamento político, manifestando-se frequentemente sobre temas sociais e culturais.

Descendente de italianos, José de Abreu nasceu em Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, em 24 de maio de 1946. Com quatorze anos mudou-se para a capital paulista, São Paulo, e começou a trabalhar como assistente de laboratório e office-boy em um escritório de advocacia.

José de Abreu começou na dramaturgia no Teatro da Universidade Católica (TUCA), em São Paulo, com a peça Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto e Chico Buarque, em 1967. Ao mesmo tempo, cursava Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Um ano depois ele estava nos palcos e nas telas de cinema como profissional. Mas sua carreira teve que ser bruscamente interrompida por causa de sua militância política. Abreu foi preso em congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), pertenceu à Ação Popular e deu "apoio logístico" à VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária), um grupo de esquerda que combatia com ações armadas o regime militar. Na mesma época, também participou do movimento hippie.

Obrigado a exilar-se na Europa em 1968,[carece de fontes?] retornou em 1974, indo morar em Pelotas, no Rio Grande do Sul, terra natal de sua então mulher, a atriz e professora de teatro Nara Keiserman. Ambos deram aulas na universidade federal da cidade, mas logo se mudaram para Porto Alegre, onde ele produziu shows musicais e encenou peças infantis. É dele, junto com Nara, a primeira montagem no Rio Grande do Sul de Os Saltimbancos, de Chico Buarque. Com o sucesso do filme A Intrusa, filmado em Uruguaiana, começou a fazer telenovelas na Rede Globo. Em 2004 interpretou o misterioso Josivaldo na telenovela Senhora do Destino. Em 2006 juntou-se ao diretor Luiz Arthur Nunes para criar Fala, Zé!, monólogo teatral em que passava sua geração a limpo, cruzando biografia e ficção. Ainda neste ano causou polêmica durante a campanha presidencial ao pedir, num encontro político, palmas para o deputado cassado José Dirceu que, aliás, não estava presente.

Em 2011 viveu Milton em Insensato Coração e, em 2012, o personagem Nilo em Avenida Brasil. Em 2013 interpretou o vilão Ernest Hauser em Joia Rara mas, no meio da trama, deixou de ser o vilão principal para ser do bem. No mesmo ano interpretou o contrabandista Gerôncio Durão em O Dentista Mascarado. Em 2014 interpretou Bernardo Rezende em O Rebu. Em 2015 interpretou o industrial Gibson Stewart, o grande vilão em A Regra do Jogo. Em 2018 interpretou o baiano Dodô, patriarca da família Falcão em Segundo Sol. No ano seguinte interpretou o empresário Otávio em A Dona do Pedaço; seu personagem popularizou os termos sugar baby e sugar daddy (homem rico e mais velho que sustenta mulher mais jovem em troca de sexo).

No início de junho de 2020 o ator revelou que não havia renovado o contrato com a Rede Globo, depois de quarenta anos na emissora. O ator revelou também que o contrato antigo ainda teria validade até o final daquele mês e que havia firmado um novo contrato, passando a trabalhar por obra na emissora. A Globo confirmou o acordo e declarou que a alteração foi na relação trabalhista e Abreu poderia no futuro ser escalado para uma nova obra.

Em 1970, nasceu o primeiro filho de José de Abreu, Rodrigo, fruto da união com a advogada Neuza Serroni. O rapaz faleceu em 1992, aos 21 anos, ao cair da janela de seu apartamento no Rio de Janeiro, em que morava com o pai. Foi casado com a diretora teatral Nara Keiserman entre 1974 e 1990, com quem teve três filhos: Theo (1976), Ana (1977) e Cristiano (1984). Em 2000 teve um quinto filho, Bernardo, fruto do seu relacionamento com Andrea Pontual. Entre 2015 e 2016, foi casado com a cineasta Priscila Petit. Namora desde 2019 com a maquiadora Carolynne Junger.

Em 2013, José de Abreu alegou ser bissexual, mas depois desmentiu afirmando que "tudo não havia passado de uma maneira de provocar uma grande discussão sobre o assunto", e depois declarou-se polissexual.

José de Abreu é torcedor do Flamengo.

Abreu é filiado e apoiador do Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2013, declarando-se ser da esquerda. Engajado no ativismo político por redes sociais, o ator por vezes critica personalidades ligadas à direita e ao governo Jair Bolsonaro.

Em 22 de abril de 2016, José de Abreu envolveu-se numa polêmica ao cuspir num casal num restaurante japonês de São Paulo, durante uma discussão que, segundo o ator, teria começado após ele ter sido ofendido pelo casal em função de seu apoio ao Partido dos Trabalhadores. O incidente foi gravado em vídeo e amplamente divulgado na Internet. Na ocasião afirmou nunca ter recebido dinheiro via Lei Rouanet. Em novembro do mesmo ano foi acusado pelo Ministério da Cultura de não ter prestado contas de 300 mil reais captados para a turnê do espetáculo Fala, Zé pela região sudeste. O ator defendeu-se, afirmando que o Ministério da Cultura não cobrou dívida alguma dele, pois foi apenas um ator no projeto, cuja captação de recursos foi feita por uma de suas ex-esposas.

Em maio de 2016, trocou ofensas com o então ator e depois deputado federal Alexandre Frota, que havia no mês anterior protocolado um pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff. Com a atriz Regina Duarte, que declarou-se apoiadora do Partido Social Liberal (PSL) e do presidente Jair Bolsonaro, a troca de farpas nas redes sociais ocorreu em janeiro de 2019. No mês seguinte, em um ato de oposição ao governo, inspirado pela autoproclamação de Juan Guaidó à presidência da Venezuela, Abreu, em tom jocoso, autoproclamou-se também "Presidente do Brasil" por meio do Twitter.

No dia 18 de setembro de 2021, o ator retuitou um post de um usuário dizendo que "socaria a deputada Tabata Amaral até ser preso", por suas posições políticas centristas. José de Abreu foi duramente criticado pela comunidade por endossar a violência contra a mulher em seu perfil no Twitter.

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