Neste Dia

Joseph Fouché

Político francês

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Joseph Fouché, 1.º Duque de Otranto, (Pellerin, 21 de maio de 1759 – Trieste, 26 de dezembro de 1820) foi um político francês e ministro durante a Revolução Francesa e a era napoleônica, notabilizado pela sua extrema falta de caráter, individualismo e por haver trafegado incólume — e com sucesso — pelos mais conturbados períodos da história de França.

Muitas vezes é chamado, como registrou Otto Flake, o "judas da Revolução" é, também, considerado o fundador da moderna polícia política.

De origem humilde, Fouché evoluiu de simples padre professor à posição de segundo homem mais rico de França. Participou diretamente dos eventos revolucionários, traindo figuras como Maximilien Robespierre, Paul Barras, Collot d'Herbois, Charles-Maurice Talleyrand e Napoleão Bonaparte, pessoas a quem em determinado momento jurara fidelidade. Qual um camaleão, foi visto por Honoré de Balzac como "gênio singular", que passou a vida junto ao poder, e à sua sombra — até que finalmente dele foi completamente afastado, até sua morte no esquecimento.

Filho de família plebeia, de marinheiros e negociantes, nasceu em Le Pellerin, próximo a Nantes; de compleição frágil, ingressou no seminário da Ordem dos Oratorianos. Lá inicia seus estudos e torna-se professor de Matemática e Física, efetuando a tonsura e usando batina; mas, ao cabo de dez anos no Oratório, não efetua os votos — no dizer de Stefan Zweig: "À Igreja não se dá senão temporariamente, nunca inteiramente; não se entregará de corpo e alma nem à Revolução, nem ao Diretório, nem ao Consulado, nem ao Império, nem à Realeza: nunca, nem mesmo a Deus, e muito menos a um homem".

Nos dez anos em que atuou no seio católico, Fouché lecionou em Niort, Saumur, Vendôme e Paris, até os trinta anos de idade; ali aprende a arte da dissimulação e do silêncio, a disciplina e a compreensão do homem, de que se servirá mais tarde na diplomacia.

A partir de 1788 começam em França os movimentos que iriam eclodir no ano seguinte, e Fouché liga-se em Arras a uma sociedade denominada Rosati, na qual se discutem os direitos do homem, as descobertas científicas, além de debates culturais. É neste momento que liga-se a Robespierre, então um autor de poemas melosos.

Quando o amigo elege-se deputado aos Estados Gerais, empresta-lhe dinheiro — prendendo-o a si economicamente; mais tarde o derrubará, à traição. Por outro lado, inicia no convento o movimento para que fosse nomeada uma deputação aos Estados Gerais como integrante do Terceiro Estado — provocando uma reação dos superiores que o devolvem para Nantes. Fouché larga, então, a batina, e ingressa definitivamente na política em Nevers.

Assim, funda em Nevers um clube, o Amis de la Constitution, no qual profere seus discursos e empreende, para agradar aos comerciantes da cidade, uma defesa da escravidão e, também, casa-se com uma filha de um dos ricos burgueses locais, a "feiíssima" Bonne-Jeanne Coiquaud, preparando sua futura candidatura à Convenção, cuja eleição efetivamente se dá, em 1792.

Na Convenção Fouché procura estar sempre na penumbra: não sobe à Montanha nem fica no Pântano (marais) — nem junto aos que ocupam a tribuna nem os que procuram situar-se junto à plateia, ao povo: antes acerca-se de Condorcet, Roland, Servant — dos girondinos, que detém o poder e os ministérios; sua assinatura não aparece nas atas dos primeiros meses. Ali observa os espíritos mais exaltados destruirem-se mutuamente: Desmoulins, Marat, Danton, Robespierre e o próprio Condorcet.

Somente numa ocasião vê-se obrigado a manifestar-se, como todos os demais da Convenção: a votação sobre o destino do Rei Luís XVI, em 16 de janeiro de 1793. Até a véspera os girondinos tramavam votar pela vida do monarca mas, percebendo que a maioria caminhava para o outro destino, Fouché trai seus companheiros e, mesmo havendo preparado um discurso em sentido inverso, vota em voz baixa pela morte de Luís Capeto.

Como resultado de sua manifestação, e instalado na República o Terror, é Fouché nomeado Procônsul. Na verdade, com a grande instabilidade do poder que toma conta de Paris, ele percebe que o melhor será uma nomeação para cuidar de uma província, daí sua ida para o departamento do Loire Inferior — em Nantes, Nevers e Moulins. Ali exerce um poder ditatorial, destruindo igrejas e símbolos sacros (ele que fora padre), celebra "missas" civis, persegue os opositores e os ricos, infundindo o medo em todos.

É desta época sua "Instruction", qual primeiro manifesto comunista da história, que dizia: "para ser verdadeiramente republicano é preciso que cada cidadão experimente e opere em si mesmo uma revolução igual à que mudou a face da França. Não há nada, absolutamente nada de comum, entre um escravo, um tirano e o habitante de um estado livre (…) Todo homem que possui mais que o necessário deve concorrer para este socorro extraordinário (…) Agi, pois, grandiosamente; tomai tudo quanto um cidadão tem de inútil; porque o supérfluo é uma violação evidente e gratuita dos direitos do povo. Todo homem que gasta mais do que as suas necessidades o obrigam a gastar, abusa da liberdade".

Fouché é o único dos procônsules que envia a Paris o produto dos saques que efetua, munindo a Convenção de valores reais, no lugar das desvalorizadas assignats (papel-moeda então emitido). De moderado obscuro, é reconhecido na capital como o mais extremista radical.

Fouché retorna a Paris, após concluir seu trabalho provinciano.

Havia em Lião um revolucionário, ex-padre, chamado Chalier, que abraça o novo regime com fanatismo — a ponto de carregar de Paris até aquela cidade, por seis dias e noites, uma das pedras da Bastilha, sobre a qual ergueu ali um altar. Repete de cor os discursos de Marat e, quando ocorre uma revolta na cidade, é preso e falsamente acusado. A Convenção procura salvá-lo, mas a municipalidade o executa.

Reunida, a Convenção decreta o fim da cidade rebelde: Lião deve ser destruída, e Fouché é nomeado para dar cabo desta tarefa: "Os serviços que prestaste à Revolução são a garantia dos que vais ainda lhe prestar. Tu reacenderás em Ville Affranchi [Lião] a tocha da liberdade, cuja luz desapareceu. Acabe-se a Revolução, termine-se a guerra contra a aristocracia, e que as ruínas do que esta quis construir caiam sobre ela, e a esmaguem" — reza o decreto que dá a Fouché os poderes de aniquilar a revolta: "O nome de Lyon será riscado do número das cidades da República" (diz o artigo IV do decreto)

Era a cidade o principal distrito industrial de França, sua destruição era algo impensável e por demais insensato. Junto a Fouché segue também Collot d'Herbois, um ex-comediante, encarregados ambos de proceder à repressão da cidade. Ali chegam em novembro de 1793, cultuando a imagem do líder morto. A 4 de dezembro começam as execuções: 69 moços são amarrados dois a dois e agrupados, quando então se lhes dispara uma rajada que, contudo, não os mata a todos. São jogados em um fosso, os executores lhes despojam as roupas e dão os golpes de misericórdia — era a primeira execução do carrasco de Lião; no dia seguinte outra pior se seguiu: 210 pessoas são metralhadas da mesma forma e, invés de enterrados num fosso, seus corpos são lançados no Ródano, ato que Fouché disse ser para que "ofereçam a impressão do terror e a imagem da soberania do povo, não só às duas margens, mas à embocadura do rio, sob as muralhas da infame Toulon". Fez um total de 1600 vítimas. Por toda a França Fouché agora é o "mitrailleur de Lyon".

Seu companheiro no mister assassino, Collot, será a próxima vítima da perfídia de Fouché.

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Joseph Fouché | World in Stories