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Joseph Stiglitz

Economista e professor (1943-)

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Joseph Eugene Stiglitz (Gary, 9 de fevereiro de 1943) é um economista internacionalista estadunidense.

Foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos (Council of Economic Advisers) no governo do Presidente Bill Clinton (1995-1997) e entre 1997 e 2000 exerceu os cargos de vice-Presidente Sênior para Políticas de Desenvolvimento do Banco Mundial, depois se tornando o seu economista chefe. Recebeu, juntamente com A. Michael Spence e George A. Akerlof, o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel em 2001 "por criar os fundamentos da teoria dos mercados com informações assimétricas". Ele também foi membro e presidente do Conselho de Consultores Econômicos (do presidente dos Estados Unidos). É conhecido por seu apoio à teoria das finanças públicas georgista e por sua visão crítica da gestão da globalização, dos economistas laissez-faire (a quem ele chama de "fundamentalistas de livre mercado") e de instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Stiglitz nasceu e cresceu na cidade industrial de Gary, Indiana. Formou-se no Amherst College (B.A., 1964), em Amherst, Massachusetts, e no Massachusetts Institute of Technology (Ph.D., 1967), em Cambridge, Massachusetts. O estilo acadêmico característico do MIT - modelos simples e concretos, que objectivam responder questões econômicas relevantes - agradou a Stiglitz e muito contribuiu para o desenvolvimento do seu trabalho posterior. Foi agraciado pela Fullbright Comission com uma bolsa de estudos para Cambridge, onde estudou de 1965 a 1966. Stiglitz lecionou em várias importantes universidades americanas, dentre elas Yale, Harvard e Stanford. Em 2001 Stiglitz tornou-se professor de economia, administração de empresas e negócios internacionais na Columbia University em Nova York.

Contribuições à ciência económica

Crítico severo e contundente dos "fundamentalistas de livre-mercado", Stiglitz tem permanentemente questionado o que chama de "bases ideológicas" que regem a maior parte das decisões econômicas mundiais. Isto torna-se mais evidente na sua polêmica com o Fundo Monetário Internacional - FMI, a quem acusa de "empurrar" os países subdesenvolvidos a abrir seus mercados à competição externa antes que possuam instituições estáveis e democráticas para proteger seus cidadãos. A teoria que desenvolveu, e pela qual recebeu o prêmio Nobel, contesta frontalmente Adam Smith: " O conjunto de ideias que eu vou apresentar aqui solapou as teorias de Smith e a visão de governo que nela se apoiava. Elas sugeriram que a razão pela qual a mão invisível é invisível é por que ela não existe ou, quando existe, está paralítica" Joseph E. Stglits, introdução à sua Aula Magna, por ocasião do recebimento do Prêmio Nobel (Estocolmo, 8/12/2001).

"Para a maior parte do Mundo a globalização, como tem sido conduzida, assemelha-se a um pacto com o demônio. Algumas pessoas nos países ficam mais ricas, as estatísticas do PIB - pelo valor que possam ter - aparentam melhoras, mas o modo de vida e os valores básicos da sociedade ficam ameaçados. Isto não é como deveria ser." Joseph E. Stiglitz

O foco de Stiglitz em desenvolvimento econômico e no uso de déficits para arrancar economias de recessões encontra paralelo em Amartya Sen e Keynes. Sua defesa da criação de uma moeda global de reserva - para evitar os problemas atuais do uso do dólar americano como moeda de reserva - é realmente inovadora e certamente atrairá críticas de outros economistas mais ortodoxos.

Alguns analistas (como o professor de economia política da Universidade Estadual de Washington Gerald Houseman, que está escrevendo um livro sobre Stiglitz) chegaram a sugerir que: "O mito formidável da 'livre-empresa', uma grande muleta para o sistema de crenças dos que acreditam ser a economia de mercado a quinta-essência, está morto desde 1986 e um modesto economista, Joseph E. Stiglitz, juntamente com dois colegas ganhadores do prêmio Nobel de Economia, George Akerlof e Michael Spence deram a lancetada fatal em seu coração durante a 'Aula Magna' de aceitação do prêmio, em Estocolmo (8/12/2001).

Stiglitz é considerado um economista neokeynesiano, tem-se dedicado a analisar o desenvolvimento econômico no mundo e seus estudos contribuíram para o surgimento de uma corrente de pensamento que se denominou "novos desenvolvimentistas".

O mercado neoliberal fundamentalista foi sempre uma doutrina política a serviço de certos interesses. Nunca recebeu o apoio da teoria econômica. Nem, agora fica claro, recebeu o endosso da experiência histórica. Aprender essa lição pode ser a nesga de sol nas nuvens que hoje pairam sobre a economia global.

Stiglitz fez contribuições iniciais para uma teoria das finanças públicas afirmando que uma oferta ótima de bens públicos locais pode ser financiada inteiramente por meio da captura das rendas da terra geradas por esses bens (quando as distribuições populacionais são ótimas). Stiglitz chamou isso de "teorema de Henry George" em referência ao economista clássico radical Henry George, que ficou famoso por defender o imposto sobre o valor da terra. A explicação por trás da descoberta de Stiglitz é que a rivalidade por bens públicos ocorre geograficamente, de modo que a competição pelo acesso a qualquer bem público benéfico aumentará o valor da terra pelo menos tanto quanto seu custo de desembolso. Além disso, Stiglitz mostra que um imposto único sobre as rendas é necessário para fornecer a oferta ideal de investimento público local, por exemplo melhorando a eficiência e equidade das economias agrícolas. Ele também mostra como o teorema pode ser usado para encontrar o tamanho ideal de uma cidade ou empresa, proteger os recursos naturais, melhorar o uso da terra e reduzir a carga de aluguéis e impostos sobre os pobres, ao mesmo tempo em que aumenta a formação de capital produtivo. Ele defende a taxação de "rendas de recursos naturais o mais próximo possível de 100%" e que um corolário desse princípio é que os poluidores devem ser taxados por "atividades que geram externalidades negativas". Portanto, afirma que a tributação do valor da terra é ainda melhor do que pensava seu famoso defensor Henry George.

A Academia destacou que o trabalho de Stiglitz: "esclareceu o tipo oposto de ajuste de mercado, onde agentes econômicos mal informados extraem informações dos agentes mais informados, como no caso da seleção praticada pelas companhias de seguro, que dividem seus clientes em classes de riscos, oferecendo um cardápio de contratos onde franquias maiores podem ser trocadas por descontos substanciais. Em várias contribuições acerca de diversos tipos de mercado, Stiglitz demonstrou que a 'informação assimétrica' pode ser a chave para se compreender muitos fenômenos observados nos mercados, inclusive desemprego e racionamento de crédito"

(…) As economias de mercado se caracterizam por um alto grau de imperfeições (…) Modelos econômicos mais antigos presumem a existência de informações perfeitas, mas mesmo pequenas imperfeições nas informações podem ter grandes conseqüências econômicas. Nossos modelos levaram em consideração a 'assimetria de informações', que é uma outra maneira de se dizer 'Algumas pessoas sabem mais do que outras. (…) Nosso sistema global se caracteriza por muitas desigualdades (…) Parece-me extremamente importante tratar dessas desigualdades. (…) Stiglitz também comentou que a "Economia pode fazer a diferença" para melhorar o padrão de vida das populações, sobretudo ao se focalizar "nas diferenças entre os mais bem aquinhoados e os carentes".

No dia 8 de dezembro de 2001, por ocasião do recebimento do prêmio Nobel, Stiglitz proferiu, na Universidade de Estocolmo, sua Aula Magna "Informação e a Mudança no Paradigma da Economia", onde resumiu as descobertas de suas pesquisas, num evento que, segundo o próprio Stiglitz e outros analistas, possivelmente estaria destinado a significar uma mudança substancial nos tradicionais paradigmas da Ciência Econômica.

Espero demonstrar que a "Economia da Informação" representa uma mudança fundamental no paradigma que prevalece na Economia. Problemas da informação são vitais para se compreender não só a economia de mercado mas também a economia política e, na última parte desta aula, eu analiso as implicações das imperfeições na informação para o processo político. Joseph E. Stiglitz, Aula Magna

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