Jovelina Farias Belfort OMC (Rio de Janeiro, 21 de julho de 1944 – Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1998), mais conhecida pelo nome artístico Jovelina Pérola Negra, foi uma cantora e compositora brasileira, considerada uma das grandes divas do samba. Sua voz rouca e potente, aliada ao tom popular e à força expressiva, marcaram sua carreira. Herdeira do estilo de Clementina de Jesus, Jovelina também trabalhou como empregada doméstica antes de conquistar o sucesso no cenário musical.
Nascida em Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro), Jovelina logo fincou pé na Baixada Fluminense. Desde a juventude sonhava com a carreira artística e aos 41 anos obteve sua primeira gravação em disco. O reconhecimento da cantora e partideira Jovelina Farias Belfort adotou nome artístico. Com presença nas rodas de samba e partido alto da Zona Norte e Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, apareceu para o grande público no disco Raça Brasileira, uma coletânea de cantores de pagode ainda desconhecidos. Fez parte da ala das baianas da Império Serrano, sendo seguidora fiel da escola. É chamada por muitos de "mãe do pagode", reverenciando sua trajetória na malandragem e suas vivências como mulher do povo - tendo trabalhado como lavadeira, babá e até mesmo vendedora de linguiça.
A preservação do samba de raiz e no surgimento do pagode carioca tem a contribuição da artista que concebia a música instrumento de conscientização a respeito do cotidiano da periferia, a denúncia do racismo e a autoestima da população afrodescendente. A valorização do samba de partido alto, cuja marca é o improviso e refrão tem sua digital. Pois a sua trajetória e percurso constitui a consolidação de um estilo musical na década de 1980 aliado a participação da população negra no samba e na sociedade.Sobretudo, na participação das mulheres negras formação e evolução do cenário musical.
Contemporânea e admiradora do estilo do partideiro Bezerra da Silva, Jovelina começou a dizer seus pagodinhos no Vegas Sport Clube, em Coelho Neto, levada pelo amigo Dejalmir, que também lançou o nome "Jovelina Pérola Negra" em homenagem à sua cor reluzente.
Gravou cinco discos individuais conquistando um Disco de Platina. Atualmente são encontradas apenas as coletâneas com os grandes sucessos como "Feirinha da Pavuna", "Bagaço da Laranja" (gravada com Zeca Pagodinho), "Luz do Repente", "No Mesmo Manto" e "Garota Zona Sul", entre outros. O sucesso chegou tardiamente e ela não realizou o sonho de "ganhar muito dinheiro e dar aos filhos tudo o que não teve".
Morreu enquanto dormia em sua residência, no dia 2 de novembro de 1998, aos 54 anos, de infarto no bairro da Pechincha, no Rio de Janeiro, e foi sepultada no Cemitério da Pechincha. Deixou três filhos — José Renato, Cleyton e a cantora Cassiana Belfort —, que teve com Milton dos Santos, de quem era separada.
Potente expoente feminina do gênero partido-alto, nascido fundamentalmente nos fundos de quintais, Jovelina é lembrada pela voz marcante, ginga própria e capacidade de improviso, junto a nomes como Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara.
Seu estilo pessoal conquistou gerações, recebendo homenagens de grandes nomes da música. Em 1995, por exemplo, Alcione recordou a sambista no disco "Profissão Cantora". Em 2006, Maria Bethânia interpretou a composição “Água de cachoeira” (c/ Labre e Carlito Cavalcante) no disco “Pirata”.
Houve em 2012 em homenagem a Jovelina Pérola Negra na Arena Carioca Jovelina Pérola Negra o show "Viva Jovelina - Pérola Negra do Samba" com várias participações de artistas entre os quais: Aloísio Machado, Aninha Portal, grupo Batuque Novo, Cassiana Belfort (filha de Jovelina), Juninho, Ircéia Pagodinho, Sombrinha, Tantinho da Mangueira, Thybau, Renatinho Partideiro, Rose Guará e Zé Luís do Império.
Jovelina Pérola Negra foi homenageada pelo Google em 21 de julho de 2022, através do doodle em comemoração ao 78º aniversário de nascimento da cantora. Na ilustração, Jovelina aparece cantando segurando um microfone. A artista da ilustração, La Minna, afirmou que a inspiração da arte veio do samba de quintal.
Em maio de 2023, a escola de samba Lins Imperial anunciou Jovelina como seu enredo para o carnaval de 2024.
27 anos após a data de seu falecimento, em setembro de 2025, foi homenageada no espetáculo "A Pérola Negra do samba", com texto de Leonardo Bruno e direção de Luiz Antônio Pilar.
Jovelina Pérola Negra no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira