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Juan Domingo Perón

Militar, político e estadista argentino; ex-presidente da Argentina

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Juan Domingo Perón (Lobos, 8 de outubro de 1895 – Buenos Aires, 1 de julho de 1974) foi um militar e político argentino, e presidente da Argentina por três mandatos: de 1946 a 1952, de 1952 a 1955 e de 1973 a 1974.

Embora ainda sejam figuras controversas, Juan e Eva Perón não deixam de ser considerados ícones pelos peronistas. Os seguidores dos Peróns elogiaram seus esforços para eliminar a pobreza e dignificar o trabalho, enquanto seus detratores os consideravam demagogos e ditadores. Os Peróns deram seu nome ao movimento político conhecido como Peronismo, que na atual Argentina é representado principalmente pelo Partido Justicialista.

Filho de Mario Tomás Perón, pequeno fazendeiro e Juana Sosa, e neto de um dos médicos mais famosos do seu tempo, professor Thomas L. Peron, Juan Domingo Perón provém de família parte sarda, parte espanhola.

Sua infância e juventude viveu nos pampas de Buenos Aires e nas planícies do sul da Patagônia argentina, para onde seus pais se mudaram em 1899 em busca de trabalho.

Perón quis ser médico como seu avô, mas em 1911 ingressou no Colégio Militar Nacional, localizado perto de Buenos Aires, graduando-se como segundo tenente de infantaria em 1913.

Como um jovem oficial, ocupou várias atribuições militares no país, enquanto ascendia em sua carreira. Como capitão, escreveu vários artigos: "Moral Militar", "Higiene Militar", "Campanhas do Alto Peru", "A Frente Oriental da Guerra Mundial de 1914 – Estudos Estratégicos", que foram adotados como livros didáticos nas escolas do Exército.

Em 1930 já era membro do Estado Maior do Exército e professor de história militar na Escola Superior de Guerra. Continuou a publicar textos militares e escreveu um estudo sobre a língua dos índios araucanos, originários da região da Patagônia em "Toponímia Patagônica da Etimologia Araucana" (1935). Em 1936, com patente de major do Exército, foi nomeado adido militar na Embaixada da Argentina na República do Chile e no mesmo ano subiu para o posto de tenente-coronel. Em 1937 publicou o estudo "Pensamento Estratégico e Operacional da Ideia de San Martín na Campanha da Cordilheira dos Andes." Em 1939 Perón juntou-se à missão de estudo no estrangeiro que o Exército Argentino havia enviado para a Europa, com sede na Itália. Ele se especializou em infantaria em regiões de montanha. De volta em 1940, logo após a turnê pela Espanha, Alemanha, Hungria, França, Iugoslávia e Albânia, foi designado para o Centro de Treinamento em Montanha (em Mendoza) e em 1941 foi promovido a coronel. A partir de 1943, sua vida militar começa a dar lugar à vida política, função exercida até sua morte.

Em 1929, Perón casou-se pela primeira vez com Aurélia Tizón [es], que morreu em 1937 ainda jovem, vítima de cancro no útero.

O seu segundo casamento durou sete anos, de 1945 a 1952, com Eva Perón, mais conhecida como Evita. Eles também tentaram ter filhos, mas não conseguiram e, assim como Aurélia, a segunda esposa também morreu de câncer de útero, com 33 anos.

Em 1961 casou-se pela terceira vez, agora com Maria Estela Martínez, mais conhecida como Isabelita Perón. O matrimônio durou treze anos. Juan também tentou novamente ser pai, mas sem sucesso. A união durou até sua morte, em 1974. Sua esposa o sucedeu na presidência da Argentina até 1976.

Secretário do Trabalho e Segurança Social

Em dezembro de 1943, foi nomeado Secretário do Trabalho e Segurança Social. Com o apoio do movimento sindical começou a desenvolver uma política ativa de proteção dos trabalhadores: eles criaram os tribunais trabalhistas, o decreto 33 302/43 foi aprovado e estendeu a todos os trabalhadores verbas rescisórias, mais de dois milhões de pessoas foram beneficiadas para estender o sistema de aposentadoria, foi criado Hospital Policlínica para os trabalhadores da estrada de ferro, e as escolas técnicas foram estabelecidas visando os trabalhadores. Aos poucos, ganhou respeito e notoriedade, aumentando sua popularidade e autoridade, especialmente pelo apoio que recebeu de trabalhadores precários chamados "descamisados".

No dia 9 de outubro de 1945, Perón foi destituído do seu cargo por um golpe civil e militar que o pôs na cadeia, provocando uma crise no governo. Eva Duarte e líderes sindicalistas reuniram os trabalhadores da grande Buenos Aires e exigiram a sua libertação. Diante da enorme multidão, os militares não tiveram outra opção senão libertar Perón no dia 17 de outubro do mesmo ano.< Neste dia, Perón discursou para 300 mil pessoas e as suas palavras foram retransmitidas pelo rádio para todo o país. No seu discurso prometeu ao povo argentino a realização de eleições que estavam pendentes e construir uma nação forte e justa. Dias depois, casou-se com Evita (como era popularmente chamada Eva Duarte), que o ajudou a dirigir o país nos anos que se seguiram.

Primeiro mandato de Perón, 1946-1952

Em 1946 a candidatura formada por Perón e Quijano ganhou as eleições de 1946 com 52,4% dos votos, exerceu o seu mandato durante 6 anos. Ao início do mandato, o novo governo herdou uma grande quantidade de reservas internacionais, mas uma economia interna descapitalizada. Seus objetivos eram aumentar o emprego, o crescimento econômico, a soberania nacional e a justiça social. Ele nacionalizou os bancos e ferrovias, o Banco Central e algumas companhias de eletricidade, a indústria cresceu e as importações foram regularizadas.

Internacionalmente, declarou uma "terceira via" entre as potências da Guerra Fria e tinha boas relações diplomáticas com ambos os países protagonistas (Estados Unidos e União Soviética).

No campo trabalhista, assim como Getúlio Vargas e outros líderes, concedeu vários benefícios aos trabalhadores, como por exemplo: aumento do salário mínimo, 13º salário , folgas semanais, redução da jornada de trabalho, aposentadoria, férias remuneradas, seguro médico e cobertura para os acidentes de trabalho. Porém tudo sem gerar receita. Nesse contexto, os salários aumentaram e o desemprego diminuiu.

Com o aumento no salário houve um grande aumento no consumo: as vendas de fogões aumentaram 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas redistributivos do governo e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresceu a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais cresceram 46%.

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