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Juan Manuel de Rosas

Juan Manuel José Domingo Ortiz de Rosas (Buenos Aires, 30 de março de 1793 – Southampton, 14 de março de 1877), apelidad

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Juan Manuel José Domingo Ortiz de Rosas (Buenos Aires, 30 de março de 1793 – Southampton, 14 de março de 1877), apelidado de "o Restaurador das Leis", foi um político e oficial militar argentino que governou a província de Buenos Aires e brevemente a Confederação Argentina. Nasceu em uma família rica, porém mesmo assim conseguiu acumular uma riqueza pessoal, adquirindo grandes extensões de terra no processo. Rosas colocou seus trabalhadores em uma milícia particular, algo comum para proprietários rurais da época, e participou de disputas entre facções que levaram a várias guerras civis no país. Foi bem sucedido na guerra, conseguiu influência pessoal e era seguido por um exército particular leal, tornando-se o modelo do caudilho, como os senhores provinciais da região eram conhecidos. Rosas eventualmente alcançou a patente de brigadeiro-general, a mais alta do exército argentino, e tornou-se o líder incontestável do Partido Federal.

Rosas foi eleito governador em dezembro de 1829 e estabeleceu uma ditadura apoiada pelo Terrorismo de Estado. Assinou o Pacto Federal em 1831, reconhecendo a autonomia provincial e criando a Confederação Argentina. Seu mandato terminou em 1832 e Rosas partiu para as fronteiras a fim de travar uma guerra contra populações indígenas. Seus apoiadores realizaram em 1835 um golpe de estado em Buenos Aires e pediram para que ele retornasse mais uma vez como governador. Rosas restabeleceu sua ditadura e formou a Mazorca, uma polícia armada repressiva que matou centenas de civis. As eleições acabaram tornando-se farsas e os poderes legislativo e judiciário foram transformados em instrumentos de sua vontade. Rosas também criou um culto de personalidade e seu regime se tornou totalitário, com todos os aspectos da sociedade sendo rigidamente controlados.

Enfrentou muitas ameaças contra seu poder no final da década de 1830 e início da de 1840: Rosas travou uma guerra com a Confederação Peru-Boliviana, sofreu um bloqueio naval promovido pela França, enfrentou uma revolta em sua própria província e lutou durante anos contra uma rebelião que se espalhou pelos outros territórios. Mesmo assim perseverou e ampliou sua influência, exercendo controle efetivo de todas as províncias através de meios diretos ou indiretos. Por volta de 1848, seu poder se estendia para além das fronteiras de Buenos Aires e governava toda a Argentina. Rosas também tentou anexar os países vizinhos do Uruguai e Paraguai. Os franceses e britânicos retaliaram em conjunto contra o expansionismo argentino, bloqueando Buenos Aires pela maior parte da segunda metade dos anos 1840, porém eventualmente foram incapazes de parar Rosas, cujo prestígio tinha crescido enormemente devido seus sucessos.

O Império do Brasil começou a prestar ajuda ao Uruguai em sua luta contra a Argentina, com Rosas declarando guerra em agosto de 1851 e iniciando a Guerra do Prata. O curto conflito terminou no ano seguinte com sua derrota e fuga para o Reino Unido. Passou seus últimos anos em exílio vivendo como arrendatário rural até morrer em 1877. Rosas ganhou uma duradoura percepção pública entre os argentinos como um tirano brutal. Desde a década de 1930, o Revisionismo tem tentado melhorar sua reputação no cenário argentino. Os restos de Rosas foram repatriados em 1989 pelo governo de Carlos Menem em uma tentativa de promover a unidade nacional, procurando perdão para ele e especialmente para a ditadura militar da década de 1970. Rosas permanece no século XXI como uma figura controversa na história argentina.

Juan Manuel José Domingo Ortiz de Rosas nasceu em 30 de março de 1793 na casa de sua família na cidade de Buenos Aires, capital do então Vice-Reino do Rio da Prata. Era o primeiro filho de León Ortiz de Rozas e Agustina López de Osornio. Seu pai era filho de um imigrante espanhol vindo da província de Burgos e um oficial militar com uma carreira medíocre, tendo se casado em uma rica família crioula. A personalidade do jovem Rosas foi muito influenciada por sua mãe, uma mulher obstinada e dominadora que adquiriu essas traços de seu próprio pai Clemente López de Osornio, um senhor de terras que tinha morrido em 1783 defendendo sua propriedade de um ataque índio.

Rosas foi educado particularmente em casa até os oito anos de idade como era o costume da época, em seguida matriculando-se naquela que era considerada a melhor escola de Buenos Aires. Sua educação foi fraca apesar de ser condizente com o filho de um rico senhor de terras. De acordo com o historiador John Lynch, a educação de Rosas "foi suplementada por seus próprios esforços nos anos que se seguiram. Rosas não era inteiramente iletrado, porém a época, o lugar e seus próprios preconceitos limitavam a escolha de autores. Aparentemente conhecia simpaticamente, senão superficialmente, alguns pensadores políticos menores do absolutismo francês.

Uma força expedicionária britânica invadiu Buenos Aires em 1806. Rosas, então com treze anos, serviu distribuindo munições para as tropas em uma força organizada pelo vice-rei Santiago de Liniers. Os britânicos foram derrotados em agosto de 1806, porém voltaram no ano seguinte. Rosas foi designado para a Cavalaria dos Migueletes, apesar de provavelmente ter sido barrado do serviço ativo por causa de uma doença.

Rosas e sua família mudaram-se de Buenos Aires para sua estância depois dos britânicos terem sido repelidos. Seu trabalho lá moldou ainda mais seu caráter e perspectiva como parte do estabelecimento social da região Platina. No Vice-Reino do Rio da Prata, os senhores de grandes quantidades de terra (como a família de Rosas) providenciavam comida, equipamento e proteção para as famílias que viviam em áreas sob seu controle. Suas forças de defesa particulares consistiam principalmente de trabalhadores que eram recrutados como soldados. A maioria dessas peões, como tais trabalhadores eram chamados, eram gaúchos.

A aristocracia rural de descendência espanhola considerava os gaúchos, iletrados e mestiços que formavam a maior parte da população, como ingovernáveis e indignos de confiança. Eles eram tolerados porque não existia outra força de trabalho disponível, porém eram tratados pelos senhores de terra com desprezo. Rosas se dava bem com os gaúchos ao seu serviço, mesmo com seu comportamento severo e autoritário. Era conhecido por se vestir como eles, contar piadas com eles, participar de jogos e brincadeiras com cavalos e pagá-los bem, porém Rosas nunca permitiu que esquecessem que era seu senhor e não seu igual. Rosas era um conservador moldado pela sociedade colonial em que vivia, defendendo a hierarquia e autoridade como os outros senhores da região.

Rosas adquiriu grande conhecimento sobre como administrar os ranchos e assumiu o controle das estâncias de sua família a partir de 1811. Dois anos depois casou com Encarnación Ezcurra, filha de uma rica família também vinda de Buenos Aires. Logo depois procurou estabelecer uma carreira própria, deixando as propriedades de seus pais. No processo produziu carne salgada e adquiriu terras. Os anos passaram e Rosas tornou-se um estancieiro de mérito próprio, acumulando terras enquanto estabelecia uma parceria bem sucedida com primos seus de segundo grau vindos do politicamente poderoso clã Anchorena. Seu trabalho duro e habilidades organizacionais ao implementar o trabalho foram essenciais para seu sucesso, ao invés de criar novos métodos ou empregar meios não-tradicionais.

A Revolução de Maio de 1810 marcou um dos estágios iniciais do processo que mais tarde levaria a desintegração do Vice-Reino do Rio da Prata, sua independência e a eventual formação da Argentina. Rosas, assim como muitos senhores de terras no interior, viam com suspeitas um movimento promovido principalmente por mercadores e burocratas da cidade de Buenos Aires. Ficou especialmente ultrajado pela execução de Santiago de Liniers nas mãos dos revolucionários. Rosas ficou nostálgico dos tempos coloniais, vendo-os como uma época estável, tranquila e próspera.

O Congresso de Tucumán cortou todos os laços restantes com o Império Espanhol em julho de 1816, com Rosas e outros senhores de terras aceitando a independência como fato já consumado. A independência causou uma ruptura nos territórios que formavam o Rio da Prata. A província de Buenos Aires lutou uma guerra civil com as outras províncias sobre o grau de autonomia que os governos provinciais teriam. O Partido Unitário defendia a proeminência de Buenos Aires, enquanto o Partido Federal apoiava a autonomia provincial. Uma década de conflito sobre a questão destruiu as ligações entre as capitais e as províncias, com novas repúblicas sendo proclamadas pelo país. Os esforços do governo de Buenos Aires para combater esses estados independentes encontraram resistência determinada por parte da população local. Rosas e seus gaúchos alistaram-se no exército de Buenos Aires em 1820 como o Quinto Regimento de Milícia, todos vestidos de vermelho e apelidados de "Colorados do Monte". Eles conseguiram repelir os exércitos invasores e salvar a província.

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