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Juca de Oliveira

Ator e dramaturgo brasileiro (1935–2026)

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José Juca de Oliveira Santos (São Roque, 16 de março de 1935 – São Paulo, 21 de março de 2026) foi um ator e dramaturgo brasileiro. Conhecido por seus trabalhos antológicos na televisão e no teatro, tornou-se um dos principais nomes da dramaturgia e destacou-se entre os pioneiros da televisão brasileira desde a década de 1960. Os prêmios de Oliveira incluem dois Prêmios APCA, um Prêmio Guarani, um Prêmio Qualidade Brasil e dois Troféus Imprensa. Ele recebeu o importante prêmio de atuação do Festival de Gramado em 2001.

Seus primeiros trabalhos de destaque foram nas montagens do Teatro Brasileiro de Comédia (TCB) no início dos anos 60, incluindo A Semente (1961) e A Morte do Caixeiro Viajante (1962), pela qual recebeu o Prêmio Saci de Melhor Ator Teatral. Em 1964, ele atuou na novela Quando o Amor É Mais Forte, que marcou sua estreia na televisão. Anos mais tarde, ganhou enorme projeção ao estrelar Nino, o Italianinho (1969) na pele do simpático Nino, que o tornou um dos principais astros da televisão.

Posteriormente, ganhou reconhecimento como o boiadeiro Pedro Azulão na novela Fogo Sobre Terra (1974). Recebeu aclamação da crítica por sua atuação no drama Um Edifício Chamado 2000, peça que lhe rendeu um Prêmio APCA e um Molière. Seus seguintes papéis de destaque na televisão foram em Saramandaia (1976) e Pecado Rasgado (1978). Em 1983, recebeu nova aclamação na peça de drama De Braços Abertos, pela qual recebeu o Prêmio Governador do Estado. Ele foi reconhecido como um importante dramaturgo ao longo de sua carreira, escrevendo peças de sucesso que o fizeram ficar conhecido por seu tom de ironia e crítica social, com destaque para obras como Caixa Dois (1997) e Às Favas com os Escrúpulos (2008).

Oliveira também teve sucesso no papel do cientista Doutor Albieri no fenômeno de audiência O Clone (2001), que discutiu a abordagem da clonagem humana por meio de seu personagem. Este tornou-se o papel mais conhecido de sua carreira. Ele recebeu o Prêmio Guarani e o prêmio do Festival de Gramado por atuar novamente como um cientista no filme de suspense Bufo & Spallanzani (2001). Nos anos recentes, os seus papéis de maior destaque foram como o maquiavélico Santiago em Avenida Brasil (2012) e o advogado poderoso Natanael em O Outro Lado do Paraíso (2017).

Como figura pública, Juca é citado como um dos atores mais atuantes contra a ditadura militar brasileira. Ele filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro na década de 1960 e participou de movimentos sindicais contra a repressão. Quando as perseguições políticas se intensificaram, Juca se exilou na Bolívia, onde deu aula. Ele foi presidente do Sindicato dos Atores de São Paulo entre 1968 e 1970, participando de movimentos importantes para e regulação e conquista de direitos da profissão no Brasil.

Nascido em São Roque, no interior de São Paulo, em 16 de março de 1935, ele é filho de Antônio Oliveira dos Santos. Ele estudou em sua cidade natal e, posteriormente, mudou-se para a capital do estado para ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Ele fez também um teste vocacional, onde ficou sabendo de sua inclinação para ser ator. O resultado do teste o empolgou muito e ele conheceu a Escola de Arte Dramática, também localizada na USP, onde nela ingressou. Um certo período depois, desistiu do Direito para dedicar-se exclusivamente às Artes Cênicas. Neste período, também trabalhou no setor bancário.

"Trabalhava em um banco e, quando terminei o colégio, não sabia exatamente o que fazer. Resolvi fazer um teste vocacional e me disseram que eu não devia fazer nem Engenharia nem Medicina, porque, segundo eles, tinha dificuldade de raciocínio no campo espacial. Devo ter mesmo, porque até hoje não sei o que significa isso. Acabei fazendo faculdade de Direito na USP. Mas o teste vocacional tinha dito, para meu espanto, que eu devia fazer teatro", contou o ator em depoimento ao Memória Globo. Na Escola de Arte, conheceu pessoas como Aracy Balabanian e Glória Menezes, que seguiram com ele na profissão.

Em 1968, tornou-se presidente do Sindicato dos Atores de São Paulo, período em que conquistou avanços significativos para a categoria. Entre eles, destacam-se a regulamentação da profissão, a definição de um limite máximo para o tempo de gravação e a criação de uma lei, redigida por ele próprio, que determinava a liberação do texto para memorização com 72 horas de antecedência às gravações.

Primeiros trabalhos e avanços (1951—1968)

Após ingressar na faculdade e conhecer grupos de teatro, começou a realizar alguns trabalhos nos palcos, onde iniciou sua carreira como ator. Por certo período, acumulou funções em seu emprego em um banco, na faculdade de Direito e nos projetos como ator. Na década de 1950, fez alguns trabalhos no teatro amador. Seu primeiro espetáculo profissional foi o mal sucedido Frei Luís de Souza, de Almeida Garrett, no papel do protagonista Manuel de Souza Coutinho, que, apesar de não ter feito muito sucesso, o fez ser assistido por Flávio Rangel, prestigiado diretor de teatro, que o convidou para integrar o Teatro Brasileiro de Comédia (TCB). Segundo o ator, a peça, a qual contracenou com Aracy Balabanian, foi a responsável por despertar nele o fato de que a dramaturgia era seu "verdadeiro destino".

Integrante do TCB, participou de diversas montagens que engrenaram sua carreira profissional de ator. Ainda em 1960, atuou com Cleyde Yaconis e Gianfrancesco Guarnieri no espetáculo A Semente, sendo esta sua primeira peça com direção de Flávio Rangel. Na sequência, Oliveira integrou o elenco de inúmeros espetáculos de relevância, onde conheceu os principais diretores e atores do país. Destacou-se nas peças As Almas Mortas (1961), A Escada (1961) e uma versão de Eles Não Usam Black-Tie (1962). Mas, foi na peça A Morte do Caixeiro Viajante (1962) que ele ganhou maior reconhecimento, recebendo o importante Prêmio Saci de Melhor Ator Coadjuvante em Peça de Teatro. Ele voltou a ser indicado ao Prêmio Saci, na mesma categoria, por seu desempenho na peça Depois da Queda, em 1965.

Juca fez sua estreia na televisão no mesmo período em que escalonava no teatro. Em 1964, foi convidado para atuar na telenovela Quando o Amor É Mais Forte, marcando sua estreia em telenovelas na TV Tupi. Em seguida, ganhou seu segundo personagem na televisão ao interpretar Jorge em Gutierritos, o Drama dos Humildes, também da TV Tupi, contracenando com Lima Duarte e Laura Cardoso. Em 1965, estrelou seu primeiro monólogo no teatro com Recital Juca de Oliveira, peça adaptada por ele mesmo dirigida por Maria José de Carvalho. Na telenovela A Outra (1965), fez par romântico com Vida Alves e interpretaram os pais do personagem de Tony Ramos, que fazia sua estreia em telenovelas. Juca obteve destaque ainda na novela O Cara Suja, protagonizada por Sérgio Cardoso, que tornou-se um dos maiores sucessos de audiência da época.

No ano de 1966, atuou no estrelado elenco de Júlio César, no papel de Marco Antônio, sob a direção de Antunes Filho, peça que esteve ao lado novamente de Balabanian, Sadi Cabral, Jardel Filho, entre outros. Na televisão, pôde ser visto em A Ré Misteriosa, no papel do chantagista Sílvio, e em A Inimiga contracenando com Rosamaria Murtinho na pele do advogado Maurício. Foi dirigido por Antônio Abujamra na peça O Estranho Casal, em 1967. Em uma época onde as telenovelas tinha números de capítulos reduzidos, Juca esteve em três produções no mesmo ano, com papéis em Estrelas no Chão, Paixão Proibida e Angústia de Amar, todas produzida pela Tupi no ano de 1967.

Fez sua estreia no cinema também em 1967 com o premiado drama O Caso dos Irmãos Naves, onde ao lado de Raul Cortez interpretou a verdadeira história dos Irmãos Naves, dois homens que foram presos e torturados injustamente acusados de um crime na época do Estado Novo de Getúlio Vargas. Em 1968, teve uma de suas atuações mais elogiadas da década com a peça Dois na Gangorra, protagonizada por ele ao lado de Lílian Lemmertz. O trabalho lhe rendeu elogios da crítica e troféus no Prêmio Governador do Estado e no Prêmio APCA, ambos como Melhor Ator Teatral. Na televisão, protagonizou a novela O Homem que Sonhava Colorido, como um garçom, sem grande repercussão.

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