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Juliana Carneiro da Cunha

Actriz brasileira

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Juliana Carneiro da Cunha (Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 1949) é uma atriz e bailarina franco-brasileira. Ela iniciou sua carreira como bailarina profissional e estudou em importantes companhias na Europa, até se destacar mais tarde como atriz no cinema e televisão. Cunha é ganhadora de vários prêmios, incluindo dois Prêmios Grande Otelo, três Prêmios APCA e um Prêmio Qualidade Brasil, bem como prêmios dos festejados Festival de Brasília e Festival de Gramado.

Cunha fez sua estreia como bailarina profissional no espetáculo Nijinski, o Palhaço de Deus, uma das obras mais aclamadas do coreógrafo francês Maurice Béjart. Mas, sua descoberta deu-se ao estrelar o solo Possessão, no Brasil, baseado na vida de Santa Teresa de Ávila, pela qual foi eleita Revelação do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Nos anos seguintes, tornou-se figura constante nos palcos, com destaque nos espetáculos Presença de Vinícius (1980), onde deu vida a dezesseis personagens, Fedra (1980), onde esteve no papel-título, e As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1982), ao lado de Fernanda Montenegro. Juliana também esteve em evidência na peça Mão na Luva (1984) como Sílvia.

Seus trabalhos na televisão começaram na década de 1980 com pequenas aparições nas novelas Ti Ti Ti e De Quina pra Lua, ambas em 1985. No entanto, sua primeira personagem de repercussão foi a fútil Walkíria no remake Selva de Pedra (1986). Ela foi contratada pela TV Manchete em seguida, atuando nas novelas Helena (1987), Carmem (1987) e Corpo Santo (1988). Após esse período dedicado à televisão, foi morar na França em 1989 integrando a companhia do Théâtre du Soleil, consolidando uma carreira no teatro europeu com montagens de sucesso.

Ela teve sua carreira marcada ao estrelar o filme Lavoura Arcaica (2001) como uma matriarca cheia de conflitos familiares, com êxito de crítica. O trabalho lhe rendeu os principais prêmios do cinema nacional, incluindo o Prêmio Grande Otelo, o Prêmio Qualidade Brasil e o terceiro Prêmio APCA de sua carreira. Nos anos recentes, ela tem dividido sua carreira entre aparições nos palcos do Brasil e da Europa, além de trabalhos no cinema e televisão. Atuou nas novelas Sete Vidas (2015) e Liberdade, Liberdade (2016), e nas séries Assédio (2018) e Santos Dumont (2019). Ela também obteve grande repercussão e reconhecimento da crítica ao atuar no filme dramático Malu (2024) como uma mãe em conflito com a filha, pelo qual recebeu seu segundo Prêmio Grande Otelo como Melhor Atriz Coadjuvante.

Formação artística e primeiros trabalhos

Nascida no Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1949, Juliana teve contato com a arte desde a sua infância ao iniciar sua formação em dança aos sete anos de idade, estudando com Maria Duschenes, importante difusora do método desenvolvido por Rudolf Laban no Brasil. Entre os sete e os dezessete anos, também teve contato com o arquiteto e historiador da arte Herbert Duschenes, marido de Maria, participando de atividades e aulas voltadas às artes plásticas.

Aos dezoito anos, obteve uma bolsa de estudos na Alemanha, onde se aperfeiçoou em dança folclórica sob a orientação do bailarino Kurt Jooss, um dos principais discípulos de Rudolf Laban. Em 1970, mudou-se para Bruxelas e foi selecionada para integrar a primeira turma da escola Mudra, fundada pelo coreógrafo Maurice Béjart. A instituição, voltada ao aperfeiçoamento de bailarinos de diversas nacionalidades, tinha como objetivo formar intérpretes capazes de atuar em um conceito artístico multidisciplinar denominado por Béjart de “espetáculo total”. Juliana conquistou uma das 28 vagas disponíveis entre cerca de 400 candidatos.

Após concluir seus estudos, tornou-se, em 1972, a primeira brasileira a integrar o Ballet do Século XX, companhia criada por Maurice Béjart e dedicada à produção e circulação internacional de espetáculos contemporâneos. Juntamente com outros sete formandos da Mudra, participou da criação do grupo Chandra, que realizou apresentações em cidades como Bruxelas, Londres e Genebra, além de localidades no sul da França. Posteriormente, estabeleceu-se em Paris, onde desenvolveu trabalhos independentes, incluindo colaborações em produções dirigidas por Robert Wilson. Em Bruxelas, participou dos espetáculos Os Românticos Alemães e Bodas de Sangue, adaptação da obra de Federico García Lorca, demonstrando versatilidade artística ao atuar como dançarina, cantora, atriz e mímica.

Retorno ao Brasil e avanços na carreira (1976—2000)

Após iniciar sua carreira na Europa, ela retornou ao Brasil em 1976 e apresentou o solo Possessão, um espetáculo de quinze minutos inspirado na trajetória de Santa Teresa de Ávila. Esta montagem já havia sido apresentada em Bruxelas e repetiu o êxito em solo brasileiro rendendo a ela o Prêmio APCA de Melhor Revelação em Dança naquele ano. Dois anos mais tarde, ao lado da coreógrafa Célia Gouveia, estreou o espetáculo Isadora, Ventos e Vagas, que lhe valeu o Prêmio Governador do Estado. Em 1979, interpretou Mariana Alcoforado em Cartas Portuguesas, baseada na história da religiosa portuguesa do século XVII conhecida por suas cartas apaixonadas dirigidas a um nobre.

Em 1980, destacou-se interpretando dezesseis personagens na peça Presença de Vinícius que, embora tenha sido de curta temporada e repercussão limitada, sua atuação chamou atenção de Fernanda Montenegro, que a indicou para integrar o elenco da peça As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, em 1982, dirigida por Celso Nunes. Nesta, interpretou Marlene, a silenciosa criada e assistente da protagonista. Mesmo que sem falas, sua composição de cena foi reconhecida pela expressividade e intensidade dramática. No mesmo ano, fez sua estreia no cinema com uma participação no filme de comédia O Homem do Pau-Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade, onde interpretou uma bailarina estrangeira em alusão à dançarina Isadora Duncan. Em seguida, consolidou sua carreira como atriz ao dividir palco com Marco Nanini na peça Mão na Luva (1984), de Oduvaldo Vianna Filho, sob direção de Aderbal Freire Filho, enfrentando um texto de grande densidade psicológica e complexidade interpretativa.

Sua estreia na televisão ocorreu em 1985 com uma participação especial na novela Ti Ti Ti interpretando Mercedes Martins, a mãe do protagonista Ariclenes (Luis Gustavo) que aparece em flashbacks. No mesmo ano, aparece no primeiro capítulo da novela De Quina pra Lua no papel de uma secretária da empresa onde o personagem Zezão (Milton Moraes) trabalha. Mas foi em Selva de Pedra (1986) que ela teve seu primeiro papel de repercussão. Na trama, interpretou Walkíria, a ex-mulher de Jorge (Otávio Augusto), uma mulher fútil e mundana que está sempre se envolvendo com rapazes mais jovens.

Em 1987, foi contratada pela TV Manchete para atuar na novela Helena onde interpretou Isabel Mattos. Logo em seguida, é escalada para o elenco de Carmem, assumindo o papel de Virgínia. Em 1988, faz seu último trabalho na emissora com a novela Olho por Olho, onde interpretou Gina Ferraz. Em 1989, deixou o Brasil e estabeleceu-se novamente na França. Nesse período, passou a integrar o Théâtre du Soleil, companhia fundada e dirigida por Ariane Mnouchkine, reconhecida internacionalmente por suas propostas inovadoras e por sua relevância na renovação da linguagem teatral contemporânea.

A entrada no grupo marcou uma nova etapa em sua trajetória artística. Integrando uma companhia estável e de projeção internacional, Juliana fixou residência em Paris e consolidou sua carreira no cenário teatral europeu. Em pouco tempo, tornou-se uma das principais intérpretes do Théâtre du Soleil, assumindo papéis de destaque em importantes montagens da companhia. Entre suas atuações mais notáveis está a interpretação de Clitemnestra em uma trilogia inspirada na obra de Sófocles.

Reconhecimento cinematográfico (2001—presente)

Em 2001, voltou a trabalhar no Brasil ao gravar o filme Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, onde interpretou a matriarca de uma família de tradições agrárias e cheia de conflitos. A interpretação lhe rendeu aclamação da crítica especializada. Ela recebeu os principais prêmios do cinema nacional por este trabalho, incluindo Prêmio Grande Otelo, o Prêmio APCA e o Prêmio Qualidade Brasil. O filme foi apresentado em diversos festivais de cinema com a performance de Juliana recebendo elogios. Foi premiada com o Troféu Candango de Melhor Atriz Coadjuvante no tradicional Festival de Brasília.

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