Carlos Eduardo Moliterno (São Paulo, 20 de junho de 1952) é um ator brasileiro. Moliterno começou a atuar na televisão com papéis em As Pupilas do Senhor Reitor e Tilim (ambos em 1970), mas sua carreira ganhou maior destaque nas telenovelas O Príncipe e o Mendigo (1972) e O Pulo do Gato (1978), que o tornaram um dos atores mais populares de sua geração. A partir da década de 1980, ganhou reconhecimento nacional na novela Paraíso (1982) e na série Armação Ilimitada (1985–88). Nos anos seguintes, tornou-se recorrente em telenovelas e teve personagens importantes em diversas produções da TV Globo.
Carlos Eduardo Moliterno nasceu em São Paulo em 20 de junho de 1952, filho do tenista Savério Moliterno e da dona de casa Zeni Magalhães Moliterno. Desde a infância, Kadu é adepto da prática de esportes, sendo influenciado por seu pai a praticar tênis, ginástica olímpica e também pesca submarina. Durante a juventude, trabalhou como contínuo em uma agência de publicidade. Ele foi convidado para participar de uma campanha editorial como modelo fotográfico para a revista Cláudia. Realizou outros trabalhos e acabou iniciando carreira como ator, quase que por acaso, com pequenas participações na televisão.
Trabalhos iniciais como ator (1970—1979)
A carreira como ator começou ao fazer uma participação especial na novela As Pupilas do Senhor Reitor, em 1970, na RecordTV, onde ele interpretou o adolescente Pedro das Dornas na fase inicial da trama. O diretor Dionísio Azevedo estava à procura de um ator que se assemelhava com Fúlvio Stefanini, intérprete de Pedro na fase adulta, e viu a foto dele no ensaio da revista Cláudia, chamando-o para a produção. Em seguida, interpretou Raul na novela infantil Tilim, ainda na Record, a qual era ambientada em um orfanato e acompanhava um garoto em meio a uma vida hostil.
Foi convidado por Perry Salles, Miriam Mehler e Cláudio Corrêa e Castro para o elenco da peça Abelardo e Heloísa, onde ele foi dirigido por Flávio Rangel. Interpretando o personagem Robert de Montboissier, ele conta que foi este trabalho que o fez sentir o que era "verdadeiramente ser ator". "Quando a luz se acendeu no palco, eu vi o que era a minha profissão, ter que diariamente ir para o teatro", descreveu Moliterno. Ao mesmo tempo, teve seu primeiro protagonista na televisão na novela de romance medieval O Príncipe e o Mendigo com dois personagens. Ele interpretou o miserável Tom Canty e o Príncipe Eduardo VI, que se conhecem por acaso e percebem que são idênticos. A trama se desenvolve com os dois personagens decidindo trocar de lugar para conhecer as diferentes realidades da vida entre eles. Sua interpretação foi elogiada pelo crítico Nilson Xavier, o qual escreveu que a novela fora valorizada "com sua dupla interpretação – seu porte físico foi um elemento importante na integração ator-personagem".
Durante uma temporada da peça Abelardo e Heloísa no Rio de Janeiro, foi até a porta da autora Janete Clair para lhe pedir um papel em uma de suas telenovelas. Coincidentemente, ela escrevia um personagem que se encaixava no seu perfil. Assim, fez sua estreia na TV Globo interpretando o motorista Oswaldo na novela Selva de Pedra, em 1972, um dos maiores sucessos de audiência da história da televisão brasileira.
Após Selva de Pedra, Moliterno foi contratado pela TV Tupi em 1976 para fazer uma participação especial na reta final da novela A Viagem, no papel de Caíto. Ficou contratado na emissora até 1977 e, neste período, teve personagens importantes em O Julgamento (1976), como o ex-seminarista André, jovem que tornou-se revoltado com a fé católica, e em Um Sol Maior (1977), no papel do jovem Beto.
Em sua volta para a TV Globo em 1978, interpretou o surfista Billy na novela das dez O Pulo do Gato. Seu personagem é um jovem de pouca cultura e um dos três "garotões" usados pelo personagem Bubby Mariano (Jorge Dória) para o seu "pulo do gato", que consiste em juntar jovens para dar golpes em socialites carentes. O personagem fez sucesso e ele ficou conhecido com a identidade de Billy. Para o papel, ele comprou uma prancha de surf e passou a praticar diariamente. Poucos meses depois, interpretou o playboy Vasco na novela A Sucessora. Seu personagem, na verdade, é sustentado pela esposa mais velha Germana (Arlete Salles) e lida com o autoritarismo dela. Em 1979, interpretou o jovem candidato a prefeito Neco na novela rural Cabocla, de Benedito Ruy Barbosa.
Protagonismo na TV Globo e sucesso definitivo (1980—1989)
No início da década de 1980, estreou no horário das oito em Água Viva, de Gilberto Braga, onde ele interpretou o bom partido Bruno Fraga Simpson, filho da personagem Stella (interpretada por Tônia Carrero). Seu personagem é um herdeiro, fotógrafo de moda e melhor amigo do protagonista Nelson (Reginaldo Faria). Formou um triângulo amoroso com os personagens Janete (Lucélia Santos) e Marcos (Fábio Junior), mas acabou se envolvendo com Sandra (Glória Pires).
Ele voltou a contracenar como par romântico de Glória Pires em As Três Marias (1980), onde ele interpretou o publicitário Lucas, um homem mulherengo que, sempre cercado de mulheres, acaba se apaixonando pelo jeito retraído de Maria José (papel de Pires). Em 1981, voltou ao horário nobre em mais uma colaboração com Gilberto Braga em Brilhante. Interpretou Afonso, um jovem que quer ascender socialmente após não ter sucesso financeiro como nadador. Formou par romântico com Carla Camurati que interpretava Sônia, a quem ele se aproximou por interesse mas acabou apaixonando-se verdadeiramente. No teatro, atuou no musical Doce Vampiro, em 1982, sob a direção Luciano Alabarse.
O primeiro papel como protagonista em novelas da TV Globo veio com Zeca, em Paraíso, obra de Benedito Ruy Barbosa exibida no horário das seis. Interpretando um peão boiadeiro inquieto e corajoso, ele vive um romance proibido com Santinha (Cristina Mullins), assim chamada por lhe atribuírem milagres na infância. O relacionamento enfrenta a oposição feroz de Mariana (Eloísa Mafalda), mãe da jovem, uma beata amarga que sonha ver a filha seguir a vida religiosa. Para complicar ainda mais, Zeca carrega a fama de “Filho do Diabo”, alimentada pela crença de que seu pai guarda uma garrafa com um diabo em seu interior.
Em 1983, atuou em Eu Prometo voltando a colaborar com Janete Clair após mais de dez anos de sua estreia na Globo. Ele interpretou Conrado, um homem que saiu do Rio Grande do Sul com a filha em busca de novas oportunidades no Rio de Janeiro, deixando a esposa Kely (Renée de Vielmond) sem notícias. Ele se aproxima de Lucas (Francisco Cuoco), conseguindo um emprego com ele, e vira disputa amorosa das irmãs Adriana (Julia Lemmertz) e Daisy (Fernanda Torres), filhas de Lucas. No ano seguinte, interpreta Werner em Partido Alto, novela de Glória Perez e Aguinaldo Silva. Seu personagem, novamente, é um surfista rico e charmoso. Ele é disputado pelas mulheres mas foge de relacionamentos até conhecer Celina, interpretada por Glória Pires em sua terceira parceria como par romântico com Kadu.
Foi em Partido Alto que o ator iniciou sua dupla com André De Biase, que interpretava seu melhor amigo na trama e tornou-se seu amigo na vida pessoal. Os dois levaram até o diretor Daniel Filho um esboço de projeto que envolvia esportes e aventura para televisão. O diretor gostou da ideia e o concretizou na série Armação Ilimitada, que estreou em 1985 trazendo os dois como os protagonistas Juba (Moliterno) e Lula (De Biase) ao lado Zelda Scott, interpretada por Andréa Beltrão, que interpretava a namorada dos dois. O seriado foi um sucesso e permaneceu quatro anos no ar, em três temporadas, e foi considerado um marco revolucionário na televisão por sua alta produção nas cenas de ação e trama ousada. Após o encerramento da série, foi realizado o spin-off Juba & Lula, focado na amizade da dupla e com temas de ecologia e esporte e exibido no período da tarde nas férias escolares.
Amadurecimento dos personagens (1990—1999)
Durante a década de 1990, Moliterno deixou de lado a imagem de jovem surfista mulherengo e recebeu novos personagens com perfis mais maduros e sérios. Na série Fronteiras do Desconhecido, em uma rápida passagem pela Rede Manchete, interpretou Orlando no episódio "A Matéria dos Sonhos", que contava uma história sobrenatural. Em seguida, atua como um dos personagens principais de O Dono do Mundo (1991), novela escrita por Gilberto Braga para o horário das oito. Ele deu vida a Rodolfo, um jornalista rico, de bom caráter e viúvo que morava na Itália e decide ficar no Brasil após se apaixonar por Stella (Glória Pires), recém separada, com quem estudou na faculdade.