Kaija Anneli Saariaho (Helsínquia, 14 de outubro de 1952 – 2 de junho de 2023) foi uma compositora finlandesa, uma das mais importantes dos inícios do século XXI a nível mundial.
Kaija Saariaho estudou composição em Helsínquia, Freiburg e Paris, onde viveu de 1982 até à sua morte em 2023. Os seus estudos no IRCAM tiveram uma grande influência na sua música e suas texturas, caracteristicamente luxuosas e misteriosas, são criadas através de uma mistura de música ao vivo e produções eletrônicas. Embora a maioria das suas composições sejam obras de câmara, desde meados dos anos noventa evoluiu para obras de maior força e estruturas mais amplas, tais como óperas ou música coral, como Oltra mar, encomendada pela Orquestra Filarmónica de Nova Iorque.
Foi uma das compositoras mais solicitadas para compor ópera. A sua primeira ópera L'amour de loin (O amor de longe), com estreia em 2000 no Festival de Salzburgo, foi um grande êxito que lhe permitiu ser representada em outros palcos de todo o mundo. A sua segunda ópera Adriana Mater foi encomendada pela Ópera Nacional de Paris em 2006 e em 2010 estreou a sua terceira ópera Émilie em Lyon, baseada na vida da matemática Émilie du Châtelet. Nas três peças o libreto foi escrito por Amin Maalouf.
Kaija Saariaho nasceu em Helsínquia e estudou música na Academia Jean Sibelius com Paavo Heininen. Fundou com Magnus Lindberg e outros o grupo “Ears Open”. Posteriormente melhorou a sua formação em Freiburg (sob a direção de Brian Ferneyhough e Klaus Huber) e em cursos de verão de Darmstadt. A partir de 1982 continuou estudos no IRCAM de Paris, cidade em que passaria a viver desde então.
Nesta instituição, Saariaho desenvolveu novas técnicas de composição, mediante o uso da eletrônica ao vivo, ou trabalho com fita gravada e assistência computadorizada. Desenvolveu interesse pela escrita para orquestra. A característica mais particular das suas composições orquestrais desta época é a criação de densas massas de som em permanente e paulatina transformação. Além disso, o estudo das técnicas de análise do espectro sonoro por computador levadas a cabo pelos compositores espectralistas franceses ajudaram-na a criar a sua própria linguagem harmônica, caracterizada por uma cuidada notação rica em marcas de expressão onde cabem desde o uso frequente de harmônicos até aos detalhes microtonais de um continuum sonoro que parte do tom temperado até ao ruído sem afinação precisa e vice-versa.
O seu trabalho nas décadas de 1980 e de 1990 ficou marcado por uma ênfase no timbre e no uso da música eletrônica nascida de instrumentos tradicionais, essencialmente das culturas nórdica e oriental. Nymphéa (Jardim secreto III) (1987), por exemplo, é um quarteto de cordas com música eletrônica.
Nos finais da década de 1990 começou a compor ópera e outros géneros de música vocal como um ciclo de canções (Quatre instants, 2002) ou um oratório (A Paixão de Simone) obtendo um grande êxito de crítica e de público. Com a colaboração do jornalista e escritor Amin Maalouf como libretista e de Pete Sellars como diretor de produção, estreou três óperas (L’amour de loin, 2000; Adriana Mater, 2006; e Émilie, 2010).
Devido à sua experiência na composição vocal, a sua música foi evoluindo para posições mais modais do que melódicas em combinação com o uso de padrões rítmicos e harmônicos mais regulares. Estas mudanças podem ser observadas em obras como Notes of Light (2006), para violoncelo e orquestra, ou Lanterna Mágica (2008), para orquestra.
Uma das características mais notáveis que caracteriza toda a obra musical de Saariaho é a sua associação com um círculo estável de colaboradores: Peter Sellars, Amin Maalouf, o violoncelista Anssi Karttunen, a flautista Camilla Hoitenga, o maestro Esa-Pekka Salonen, o soprano Dawn Upshaw, ou o pianista Emanuel Ax, entre outros.
Foi distinguida com o Prix Italia e, em 1989, o Prêmio Ars Electronica. Recebeu também menções do Lincoln Center e do IRCAM.
Em 2000 foi premiada com o Nordic Council Music Prize pela sua obra Lonh para soprano e música eletrônica.
Em 2013, foi agraciada com o Prémio Polar, junto com o músico Youssou N'Dour.
Em 2017, recebeu o Prémio Fundação BBVA Fronteiras do Conhecimento, na categoria de Música Contemporânea.
Em fevereiro de 2021 foi diagnosticada com glioblastoma, um tipo de cancro cerebral muito agressivo. Os tumores disseminaram-se, afetando as suas capacidades motoras. Em 2 de junho de 2023 a sua família anunciou o falecimento da compositora devido à doença. Faleceu enquanto dormia, na sua casa, em Paris.
Graal Théâtre - Gidon Kremer; BBC Symphony Orchestra; Esa-Pekka Salonen - Sony SK60817
L’Amour de loin - Gerald Finley; Dawn Upshaw; Finnish National Opera; Esa-Pekka Salonen - Deutsche Grammophon DVD 00440 073 40264
Nymphéa - Cikada String Quartet - ECM New Series 472 4222
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