Neste Dia

Kamau

Rapper brasileiro

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Marcus Vinicius Andrade e Silva (São Paulo, 29 de fevereiro de 1976), mais conhecido pelo nome artístico Kamau é um rapper, compositor, beatmaker, produtor e skatista brasileiro. Iniciou sua carreira em 1997 e é visto como referência por muitos dos MC's em destaque na cena atual e também admirado por veteranos.

Kamau fez parte dos grupos Consequência, Quinto Andar, Simples, Subsolo, além das bandas Central Acústica e Instituto. Já lançou 9 discos, entre EPs, mixtapes e álbuns, seja solo ou colaborativos. Já foi indicado ao VMB em 2009 e 2010, e ganhador do Prêmio Hutúz em 2002 e 2008.

Seus grupos preferidos são A Tribe Called Quest e Racionais MC’s, e suas inspirações também passam por De La Soul, The Pharcyde, J Dilla, Gang Starr, entre outros. Porém, a pessoa mais importante para o Kamau dentro do rap é o KL Jay:

1988–1999: Primeiros anos, Skate e Future

Até os 12 anos, Marcus ouvia o que seus pais tocavam em casa e o que chegava nas rádios. Ele destaca que o pai dele ouvia Fela Kuti e sua mãe gosta de música italiana, em especial, Rita Pavone.

Em 1988, ainda com 12 anos, ganhou seu primeiro skate. Começou andando pela zona norte de São Paulo, onde conheceu muitos amigos. Entre eles, vale destacar Robson, o futuro DJ Ajamu, que se tornou sua principal conexão entre o skate e o rap. Além de andar de skate, Robson ouvia muito rap, principalmente por ser o irmão mais novo do KL Jay, o que inspirou muito Marcus a ouvir. Nessa vivência, frequentando a casa de Robson e KL Jay, Marcus foi presenciando, indiretamente, a criação e o desenvolvimento do Racionais MC's.

Sua relação com o rap foi aumentando através do skate. Alguns vídeos de skate eram feitos com uma trilha sonora de grupos de rap, o que deixava Marcus curioso para descobrir quem eram e o que falavam. Com essa curiosidade, ele aprendeu inglês sozinho para entender esses raps.

Em 1991, com 15 anos, ainda sem pensar em ser rapper, Marcus teve seu primeiro contato com a composição, onde escreveu um rap para um festival da escola em que estudava e se apresentou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Sempre de skate, Marcus começou a andar pelo Centro de São Paulo e a participar de campeonatos amadores. Até que, em 1992, teve seu primeiro patrocínio como skatista amador pela Moska. Em meados dos anos 90, ele também participou de um icônico grupo de skatistas intitulado Anhangabaú Family, no qual gravaram o notório vídeo Blue Plays, um dos primeiros vídeos de skate com a participação do Marcus.

Em 1995, Alexandre Vianna convidou Marcus para trabalhar na lendária revista 100% Skate, sendo o primeiro funcionário. 3 anos depois, em 2000, ele protagonizaria o primeiro vídeo de skate da revista intitulado “O Controlador”.

Em 1996, Marcus também foi um dos idealizadores da marca inspirada na cultura do skate intitulada Future Skateboarding, que está na ativa até hoje. Ele quem deu a ideia do nome e, em parceria com Flávio Samelo, desenvolveram a logo. No ano seguinte, Marcus participou de mais um vídeo, o “Metrópole”, feito pela sua marca. Entre idas e vindas, ele permanece na marca até os dias atuais.

1997–1998: Matemática, Kamau, Consequência e Skatista Profissional

Marcus, procurando o que fazer na sua carreira profissional, prestou vestibular para Ciências da Computação e não passou. Em 1997, prestou um novo vestibular para Matemática na UNESP, passou e foi cursar a faculdade na cidade de Rio Claro. Por esse motivo, ele teve que sair da 100% Skate. Durante a faculdade, Marcus chegou a lecionar para o primário na Escola Estadual Profª Heloisa Lemenhe Marasca. Posteriormente, em 2002, ele desistiu da faculdade para seguir a carreira de rapper.

Nessa mesma época, após anos competindo em campeonatos amadores de skate e trabalhando em torno dessa cultura, Marcus ouviu do KL Jay algo que mudaria sua vida: “Porque você não rima?”, frase que, muitos anos depois, abriria seu primeiro álbum de estúdio solo Non Ducor Duco com a faixa “(Escuto) Vozes”. Esse foi o momento em que refletiu sobre começar a escrever.

Até então, em 1997, Kamau só era conhecido por seu nome de nascimento, Marcus Vinicius, mas, decidido em começar a rimar, começou a procurar um vulgo. Ao pegar um livro na casa do KL Jay sobre nomes africanos com o intuito de achar algum nome artístico, ele se interessou por Kamau que significa “Guerreiro Silencioso” na língua Kikuyu do Quênia, o que o interessou pois achou que tinha a ver com o seu jeito de ser e agir. Mesmo assim, ele ficou indeciso de escolher um nome artístico após ter tantos anos de caminhada no skate com seu nome de nascimento, mas escolheu por iniciar sua carreira musical com esse vulgo.

Com isso, no mesmo ano em que precisou cursar a faculdade em outra cidade, ele começou a cantar rap, formando o grupo Consequência com o André Sagat e o DJ Ajamu, seu amigo que o incentivou a ouvir mais rap 9 anos atrás.

Entre idas e vindas de Rio Claro, Kamau conseguia seguir com o grupo. Até que, o seu primeiro show aconteceu com o Consequência no dia 9 de agosto de 1997 na Casa de Cultura Chico Science convidado pelo Posse Mente Zulu, grupo do Rappin' Hood, que era irmão do seu amigo de longa data do skate, Fábio Luis (Parteum). No mesmo mês, o segundo show do grupo foi em 23 de agosto de 1997 no aniversário da Trucks Discos abrindo para o Thaíde para uma plateia de 5 mil pessoas. Outro show de destaque foi em agosto de 1999, onde eles abriram para o grupo norte-americano De La Soul no SESC Itaquera. E, no mesmo ano, eles foram convidados para lançar um trabalho pela 4P, mas o futuro lançamento do grupo acabou não acontecendo pelo selo.

Ainda no universo do skate, em 1998, Kamau se tornou skatista profissional e, posteriormente, no seu primeiro modelo de shape, já teve gravado seu vulgo ‘Kamau’, e não seu nome de nascimento, pelo qual era conhecido desde 1988. Kamau não competiu em muitos campeonatos como profissional, pois estava focado mais na sua carreira musical e ainda tinha que equilibrar os estudos na faculdade. Porém unindo seu conhecimento no skate e sua nova experiência como MC, Kamau começou a ser convidado para ser locutor dos campeonatos, até os dias atuais.

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