Karen Anne Carpenter (New Haven, 2 de março de 1950 — Downey, 4 de fevereiro de 1983) foi uma cantora e baterista norte-americana que, junto com seu irmão mais velho Richard, fez parte da dupla Carpenters. Ela foi elogiada por seus vocais contralto, além de suas habilidades de bateria terem sido vistas positivamente por outros músicos e críticos.
Em 1963, Carpenter se mudou com a família de sua cidade natal para Downey, Califórnia. Ela começou a estudar bateria na escola e ingressou no coral da Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach depois de se formar.
Inicialmente, Carpenter era a baterista em tempo integral da banda, mas gradualmente assumiu o papel de vocalista, pois a bateria foi reduzida a um punhado de apresentações ao vivo ou faixas de álbuns. Após vários anos de turnê e gravação, os Carpenters assinaram contrato com a A&M Records em 1969, alcançando sucesso comercial e crítico ao longo dos anos 1970 — durante um hiato, no final dos anos 70, Karen gravou um álbum solo, que foi lançado anos após sua morte.
Carpenter sofria de anorexia nervosa, que era pouco conhecida na época. Ela morreu aos 32 anos de insuficiência cardíaca causada por complicações relacionadas à sua doença. Sua morte levou a uma maior visibilidade e consciência sobre os distúrbios alimentares. Seu trabalho continua atraindo elogios, inclusive sendo listado entre os 100 maiores cantores de todos os tempos da Rolling Stone.
Karen Anne Carpenter nasceu em 2 de março de 1950, no Grace New Haven Hospital, em New Haven, Connecticut. Era filha de Agnes Reuwer (nascida Tatum, 5 de março de 1915 — 10 de novembro de 1996) e Harold Bertram Carpenter (8 de novembro de 1908 — 15 de outubro de 1988). Harold nasceu em Wuzhou, China, onde seus pais eram missionários, e foi educado em internatos na Inglaterra, Reino Unido, antes de encontrar trabalho no ramo de impressão.
O único irmão de Carpenter, Richard, três anos mais velho que Karen, desenvolveu um interesse pela música desde cedo, tornando-se um prodígio do piano. As primeiras palavras de Karen foram "tchau" e "pare com isso" - a última falada em resposta a Richard. Ela gostava de dançar e aos quatro anos estava matriculada em aulas de sapateado e balé.
A família mudou-se em junho de 1963 para o subúrbio de Downey, no Condado de Los Angeles, depois que Harold recebeu uma oferta de emprego de um ex-parceiro de negócios. Carpenter entrou na Downey High School em 1964, aos 14 anos, e era um ano mais jovem do que seus colegas de classe. Ela entrou para a banda da escola, inicialmente para evitar participar das aulas de ginástica. Bruce Gifford (o maestro que já havia ensinado seu irmão mais velho) deu a ela o glockenspiel, um instrumento de que ela não gostava. Após admirar a atuação de seu amigo e colega de classe, o baterista Frankie Chavez (que tocava desde pequeno e idolatrava o baterista de jazz Buddy Rich), ela perguntou se poderia tocar também.
Carpenter queria uma bateria Ludwig porque era usada por seus bateristas favoritos, Joe Morello e Ringo Starr. Chávez convenceu sua família a comprar para ela um kit Ludwig de 300 dólares (o equivalente a 2 500 dólares em 2019) e começou a ensinar-lhe. Seu entusiasmo pela bateria levou-a a aprender a tocar linhas complicadas e estudar a diferença entre a pegada tradicional e a combinada. Em um ano, ela poderia tocar em compassos complexos, como o 5/4 em Take Five de Dave Brubeck.
Carpenter estava inicialmente nervosa em se apresentar em público, mas disse que "estava muito envolvida com a música para se preocupar com isso". Ela se formou na Downey High School na primavera de 1967, recebendo o John Philip Sousa Band Award, e matriculou-se em música na Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach, onde se apresentou no coro da faculdade com Richard. O diretor do coro, Frank Pooler, disse que Karen tinha uma boa voz que era particularmente adequada ao pop e deu-lhe aulas para que ela desenvolvesse um alcance de três oitavas.
A primeira banda de Carpenter foi a Two Plus Two, um trio feminino formado por amigas da Downey High. Elas se separaram depois que ela sugeriu que seu irmão Richard se juntasse ao grupo. Em 1965, Karen, Richard e seu amigo de faculdade Wes Jacobs, baixista e tocador de tuba, formaram o Richard Carpenter Trio. A banda ensaiava diariamente, tocava jazz em boates e também apareceu no programa de talentos da televisão Your All-American College Show. Richard ficou imediatamente impressionado com o talento musical de sua irmã, dizendo que ela "manobrava rapidamente as baquetas como se tivesse nascido em uma fábrica de tambores". Ela não cantava nessa época, tendo a cantora Margaret Shanor participado de alguns números. O trio assinou um contrato com a RCA Records e gravou dois instrumentais, mas eles não foram lançados.
Em abril de 1966, os Carpenters foram convidados a fazer um teste com o baixista Joe Osborn, conhecido por fazer parte do coletivo de músicos de estúdio The Wrecking Crew. Embora inicialmente se esperasse que ela fosse apenas a baterista, Karen tentou cantar e impressionou a todos com sua voz característica. Osborn assinou um contrato de gravação com ela para seu selo, Magic Lamp Records — ele não estava particularmente interessado no envolvimento de Richard.
Em 1967, Jacobs deixou o trio para estudar na Juilliard School e os irmãos Carpenter estavam ansiosos para experimentar outros estilos musicais. Junto com outros músicos, incluindo Gary Sims e John Bettis, os irmãos formaram o grupo Spectrum, que se concentrou em um som vocal harmonioso e gravou muitas fitas demo no estúdio de garagem de Osborn, trabalhando em como fazer overdub de vozes em fita multitrack — muitas dessas fitas foram rejeitadas pelas gravadoras. O grupo teve dificuldade em atrair seguidores ao vivo, pois seu som era muito diferente do hard rock e rock psicodélico, gêneros que eram mais populares em clubes.
A A&M Records finalmente assinou com os Carpenters um contrato de gravação em 1969. Karen começou como baterista e covocalista do grupo, e originalmente cantava todos os seus vocais por trás da bateria — ela cantou a maioria das canções do primeiro álbum da banda, Offering (mais tarde renomeado Ticket to Ride). Seu irmão escreveu dez das treze canções do álbum e cantou em cinco delas. As faixas de abertura e encerramento foram cantadas por ambos os irmãos em uníssono. Além da bateria, Karen tocou baixo em duas músicas, "All of My Life" e "Eve", sob a orientação de Osborn. Em "All I Can Do", ela tocou em 5/4, enquanto "Your Wonderful Parade" apresentava vários overdubs de caixa e bumbo para emular o som de uma banda marcial. A faixa Ticket to Ride, um cover dos Beatles que mais tarde se tornou a faixa-título do álbum, foi lançada como o primeiro single dos Carpenters, tendo alcançado a posição 54 na Billboard Hot 100. Seu álbum seguinte, Close to You, de 1970, apresentou dois singles de sucesso: (They Long to Be) Close to You e We've Only Just Begun. Eles alcançaram a primeira e a segunda colocação, respectivamente, no Hot 100.
Como ela tinha apenas 1,63 m de altura, era difícil para as pessoas na plateia verem Karen atrás de seu kit. Depois que as críticas reclamaram que o grupo não tinha foco em shows ao vivo, Richard e o empresário Sherwin Bash persuadiram-na a ficar ao microfone para cantar os sucessos da banda, enquanto outro músico tocava bateria (o antigo Mouseketeer da Disney Cubby O'Brien serviu como o outro baterista da banda por muitos anos). Ela inicialmente teve dificuldades em apresentações ao vivo, cantando solo, pois se sentia mais segura atrás da bateria. Após o lançamento de Now & Then, em 1973, os álbuns tendiam a ter Carpenter cantando mais e tocando menos bateria o que a tornou o ponto focal de todos os discos e apresentações ao vivo — Bash disse que "ela era aquela a quem as pessoas assistiam". Começando com a turnê de shows dos Carpenters em 1976 e continuando depois disso, ela realizaria um showcase no qual se movia pelo palco tocando várias configurações de bateria. Seus desempenho no estúdio beneficiou-se da microfonação, que capturou bem as nuances de sua voz. Embora tivesse um alcance de três oitavas, muitos dos sucessos da dupla destacam seu canto contralto baixo, levando-a a zombar: "O dinheiro está no porão".