Karl Hess (25 de maio de 1923 - 22 de abril de 1994) foi um redator de discursos de nível nacional e autor estadunidense. Ele também foi um filósofo político, editor, soldador, motociclista, sonegador de impostos, ateu e libertarianista.
Atividades políticas e intelectuais
Hess foi o principal autor das plataformas do Partido Republicano de 1960 e 1964. Na preparação para a eleição presidencial de 1964, trabalhou estreitamente com Barry Goldwater, a quem considerava um homem de caráter exemplar e um conservador com convicções libertárias. Atuando como redator de discursos, Hess foi amplamente considerado o autor da célebre frase de Goldwater:Citação: "O extremismo na defesa da liberdade não é um vício; moderação na busca pela justiça não é virtude" No entanto, revelou posteriormente que a frase foi encontrada em uma carta do historiador Harry Jaffa, sendo uma paráfrase de um trecho de Cícero. Hess mais tarde chamaria esta fase de sua vida de "Guerra Fria".
Ruptura com a política tradicional
Após a derrota de Goldwater para Lyndon Johnson em 1964, Hess se desiludiu com a política tradicional. Sentindo-se purgado pelo Partido Republicano nacional devido ao apoio ao controverso Goldwater, afastou-se completamente da política em larga escala. Tornou-se um crítico público das grandes empresas, da hipocrisia suburbana americana e do complexo militar-industrial. Apesar de já ter passado da idade universitária, Hess ingressou no Students for a Democratic Society (SDS), trabalhou com o Partido Pantera Negra e protestou contra a Guerra do Vietnã.
Nesse período, Hess foi auditado pelo Internal Revenue Service (IRS), que ele acreditava ser uma retaliação política. Em resposta, enviou ao IRS uma cópia da Declaração de Independência com uma carta declarando que nunca mais pagaria impostos. O IRS teria ameaçado colocar um ônus sobre todos os seus bens e 100% de seus ganhos futuros, forçando-o a depender financeiramente de sua esposa e do escambo para sobreviver.
Em 1968, Richard Nixon foi eleito presidente e Goldwater retornou ao Senado. Embora Hess agora se identificasse com a Nova Esquerda, ele ainda escreveu alguns discursos para Goldwater e o instou a apresentar uma legislação abolindo o alistamento militar obrigatório. A resposta de Goldwater ("Vamos esperar para ver o que Dick Nixon quer fazer") decepcionou profundamente Hess, que desprezava Nixon tanto quanto admirava Goldwater. Isso pôs fim à sua parceria profissional e comprometeu uma de suas amizades mais profundas. Ironicamente, Nixon aboliu o serviço militar obrigatório com o apoio de Goldwater. Tanto Hess quanto Nixon morreriam no mesmo dia: 22 de abril de 1994.
Hess começou a ler anarquistas americanos por recomendação de seu amigo Murray Rothbard. Ao ler Emma Goldman, descobriu que os anarquistas acreditavam em tudo o que ele esperava que o Partido Republicano representasse. De 1969 a 1971, Hess editou The Libertarian Forum com Rothbard. Ele defendia a "oposição à autoridade política central" e a "preocupação com as pessoas como indivíduos". Em 1969 e 1970, participou de conferências que reuniram a Velha Direita e a Nova Esquerda, contribuindo para o movimento libertário nascente. Hess também se juntou aos Industrial Workers of the World (IWW). Na década de 1980, ingressou no Partido Libertário, atuando como editor de seu jornal de 1986 a 1990.
Experimento Adams-Morgan e retorno à terra
No início dos anos 1970, Hess envolveu-se em um experimento de tecnologia comunitária no bairro de Adams-Morgan, em Washington, D.C. (onde passou a infância). O projeto buscava colocar tecnologia autoconstruída a serviço da vida econômica e social da comunidade pobre e majoritariamente afro-americana. Embora os experimentos técnicos (como a criação de trutas em porões e o cultivo de alimentos) tenham sido bem-sucedidos, o bairro não aderiu à expansão da tecnologia. Hess mais tarde escreveu o livro Tecnologia Comunitária sobre essa experiência.
Posteriormente, Hess e sua esposa Therese mudaram-se para a zona rural da Virgínia Ocidental, onde ele construiu uma casa de 2.000 pés quadrados (cerca de 186 m²) aquecida por energia solar passiva ao custo de apenas US$ 10.000 (valores de meados dos anos 1970), utilizando materiais de segunda mão e mão de obra própria. Passou a se dedicar à soldagem artística em metal e a escrever para publicações como a Personal Survival ("P.S.") Letter (1977-1982), de Mel Tappan, e o livro Uma Estratégia de Bom Senso para Sobrevivencialistas.
Hess fez uma campanha simbólica para governador da Virgínia Ocidental em 1992. Quando perguntado por um repórter qual seria seu primeiro ato se fosse eleito, brincou: Citação: "Vou exigir uma recontagem imediata" — ecoando a mesma resposta dada por William F. Buckley Jr. ao anunciar sua candidatura à prefeitura de Nova York em 1965.
"The Lawless State: A Libertarian View of the Status of Liberty". National Issues Series of Politics. Constitutional Alliance. Vol. 4, No. 4 (1969)
In a Cause That Will Triumph: The Goldwater Campaign and the Future of Conservatism (1967) OCLC 639505
The End of the Draft: The Feasibility of Freedom (com Thomas Reeves) (1970) ISBN 0394708709
Dear America (1975) (autobiografia/manifesto anarquista) ISBN 0688028985
Neighborhood Power: The New Localism (com David Morris) (1975) ISBN 0807008753
Community Technology (1979) ISBN 1559501340